sábado, outubro 31, 2009

MANIFESTO

É mais do que evidente que Portugal padece de um profundo défice democrático.

Na verdade, a riqueza que o país ainda produz é dividida só por alguns.

Há, de facto, uma eleite, essencialmente política, temperada ainda com uma classe de administradores da coisa pública ou de capitais públicos, que, à revelia do sistema democrático, arrebanha tudo ou quase tudo.

Já não é mais admissível que a pequena ladroagem não tenha acesso a essas situações de grande corrupção.

Porque isto não pode ser só para alguns!

O sistema tem de democratizar-se e tornar-se justo!

Os pequenos e médios ladrões também são gente, também têm família e amiguinhos para alimentar, também desejam um carrito, vá lá, de gama média e, porque não?, de alta gama!

Este é um sistema profundamente injusto!

Com um sistema assim, como é possível elevar para o nível político, ou seja, para o nível da alta corrupção, toda uma classe de gente, menorizada, que nem sequer acredita nas virtualidades da corrupção?

É impossível!

Mas nós continuaremos a lutar para que os desinteressados e descrentes venham a interessar-se e a acreditar na força da corrupção!

Lutaremos para que os pequenos e médios ladrões venham a ter acesso aos grandes banquetes!

Porque o resto da população portuguesa é tão ou mais capaz de ser corrupta como o mais refinado político!

Abaixo a injustiça!

Corrupção para todos!

JÁ!

COMO NASCE UM POLÍTICO

Talvez os meus caros amigos tenham assistido a uma recente entrevista a um excelso político da nossa praça, conduzida pela Judite de Suza.

Caso a tenham perdido, como a gravei, consigo agora reproduzir um breve trecho muito elucidativo da forma como se manifesta a tendência e a vocação política dos jovenzinhos que, ao colo dos papás e padrinhos, enveredam pela carreira política e alcançam depois níveis extraordinários, mais tarde, já à frente de um qualquer governo, ministério ou empresa pública.

Judite de Suza - O senhor pode contar-nos como começou a sua carreira de político?

Excelso Político - Ah! Foi logo na infância... eu ainda estudava na primária...

Judite de Suza - Na primária?!

Excelso Político - Sim! Um dia o meu pai chamou-me e disse-me: " Meu filho, a partir de hoje vou dar-te mil euros de cada vez que tirares um cinco!". Bem, fui falar com a minha professora e disse-lhe: "Professora, a senhora não gostaria de ganhar quinhentos euros de vez em quando?".

sexta-feira, outubro 30, 2009

ANÁLISE SOCIO-ECONÓMICA, PRAGMÁTICA E AXIOLOGICAMENTE NEUTRA

Mais e cada vez mais notícias de corrupção no país!

Ou seja, nada de novo!

Afinal, essa é a actividade principal de uma certa classe, os políticos e seus amigalhaços!

A propósito, surgiu-me esta questão: A corrupção é o problema?

E a resposta é: "Não! A corrupção não é o, nem um, problema para Portugal!"

Na realidade, o verdadeiro problema de Portugal não é a corrupção, mas antes a baixa produtividade!

"Num intendo!"

Eu explico:

1 - Este país só funciona com corrupção.

2 - Mais do que uma constatação, é uma inevitabilidade.

3 - Os Portugueses têm de aprender a viver com as sobras da corrupção!

4 - Daí que, sendo baixa a produtividade, o que se produz é quase completamente absorvido pela corrupção, que é de satisfação prioritária!

5 - Por isso, como isto não chega para tudo, só há um caminho: Produzir o suficiente para que as sobras da actividade de corrupção possam alcançar as franjas inferiores da populaça!

Mainada!

Afinal, nada de novo.

Os mafiosos é isso que fazem: Cobram uma espécie de dízimo e as vítimas vivem com o restante.

E ainda devemos agradecer-lhes...

quarta-feira, outubro 28, 2009

CORRUPÇÃO NA FORMA INDEMONSTRÁVEL

Imagine-se que o Governo, por exemplo, pelo Ministério das Obras Públicas, abre um concurso para a execução de uma grande obra pública.
O concurso decorre absolutamente dentro da legalidade.
É adjudicada a obra.
E é executada.
Perfeito.

Acontece que o país não precisa daquela obra, com aquela dimensão ou características, ou naquela localização, ou no momento em que é realizada.

Certo é que a obra se fez e foi paga.

Certo é que todos os requisitos de legalidade foram observados.

Questão: Como se demonstra que a obra foi efectuada à revelia do interesse público e sobretudo para favorecer um determinado grupo financeiro e empresarial?

TEORIAS DA CONSPIRAÇÃO

Parece que "toda a gente" ficou escamada com a atribuição do Prémio Nobel da Paz ao Presidente Barack Obama.
"O que fez ele para o merecer?", perguntou-se um pouco por todo o lado.

E, na verdade, o que fez ele, Barack Obama?

Aparentemente, nada!

Vejamos então a questão de dois simples pontos de vista, que aqui apenas se enunciam.

Já alguém se questionou sobre o poder político da Academia Sueca?
Claro que sim.
Mas o que eu quero dizer é:
Não será um exercício de poder político, a atribuição do Prémio Nobel da Paz ao Presidente Barack Obama?
Não se pretenderá condicionar a sua governação no sentido do fomento, pelos USA, da paz no planeta e especialmente no Médio Oriente e mais a levante?
E com isso condicionar também a intervenção dos aliados dos USA?
Se assim for, então a atribuição desse Prémio Nobel é um verdadeiro acto político, aparentemente bem intencionado.

Mas pode ser outra coisa.

Já alguém se questionou sobre o poder do islão (em sentido amplo, da umma islâmica) sobre a Academia Sueca?
Se assim for, e se o islão tiver exercido esse poder, não poderá a atribuição do Prémio Nobel da Paz ao Presidente Barack Obama, com o sentido político acima apontado, constituir uma tentativa de fragilização da intervenção Norte Americana e, por arrasto, dos seus aliados, nos cenários de guerra do Médio Oriente, Afeganistão, etc, deixando Israel mais à mercê da umma islâmica e o Irão mais próximo da bomba atómica?

Enfim...

Só coisas quematormentam...

domingo, outubro 18, 2009

SAÍDO DA PENA DO MÁRIO CRESPO, ÀS 00H, 30M

Assistir ao duríssimo questionamento da comissão de inquérito senatorial nos Estados Unidos para a nomeação da juíza Sónia Sottomayor para o Supremo Tribunal é ver um magnífico exercício de cidadania avançada.
Não temos em Portugal nada que se lhe compare.
Se os nossos parlamentares tivessem a independência dos congressistas americanos, Cavaco Silva nunca teria sido presidente, Sócrates primeiro-ministro, Dias Loureiro Conselheiro de Estado, Lopes da Mota representante de Portugal ou Alberto Costa ministro da Justiça.
O impiedoso exame de comportamentos, curricula e carácter teria posto um fim às respectivas carreiras públicas antes delas poderem causar danos.
Se a Assembleia da República tivesse a força política do Senado, os negócios do cidadão Aníbal Cavaco Silva e família, com as acções do grupo do BPN, por legais que fossem, levantariam questões éticas que impediriam o exercício de um cargo público.
Se o Parlamento em Portugal tivesse a vitalidade democrática da Câmara dos Representantes, o acidentado percurso universitário de José Sócrates teria feito abortar a carreira política. Não por insuficiência de qualificação académica, que essa é irrelevante, mas pelo facilitismo de actuação, esse sim, definidor de carácter.
Do mesmo modo, uma Comissão de Negócios Estrangeiros no Senado nunca aprovaria Lopes da Mota para um cargo em que representasse todo o país num órgão estrangeiro, por causa das reservas que se levantaram com o seu comportamento em Felgueiras, que denotou a falta de entendimento do procurador do que é político e do que é justiça.
Também por isto, numa audição da Comissão Judicial do Senado, Alberto Costa, com os seus antecedentes em Macau no caso Emaudio, nunca teria conseguido ser ministro da Justiça, por pura e simplesmente não inspirar confiança ao Estado.
Assim, se houvesse um Congresso como nos Estados Unidos, com o seu papel fiscalizador da vida pública, por muito forte que fosse a cumplicidade dos afectos entre Dias Loureiro e Cavaco Silva, o executivo da Sociedade Lusa de Negócios nunca teria sido conselheiro presidencial, porque o presidente teria tido medo das cargas que uma tal nomeação inevitavelmente acarretaria num sistema político mais transparente.
Mas nem Cavaco teve medo, nem Sócrates se inibiu de ir buscar diplomas a uma universidade que, se não tivesse sido fechada, provavelmente já lhe teria dado um doutoramento, nem Dias Loureiro contou tudo o que sabia aos parlamentares, nem Lopes da Mota achou mal tentar forçar o sistema judicial a proteger o camarada primeiro-ministro, nem Alberto Costa se sentiu impedido de ser o administrador da justiça nacional em nome do Estado lá porque tinha sido considerado culpado de pressionar um juiz em Macau num caso de promiscuidade política e financeira.
Nenhum destes actores do nosso quotidiano tinha passado nas audições para o casting de papéis relevantes na vida pública nos Estados Unidos.
Aqui nem se franziram sobrolhos nem houve interrogações. Não houve ninguém para fazer perguntas a tempo e, pior ainda, não houve sequer medo ou pudor que elas pudessem ser feitas.
É que essa cidadania avançada que regula a democracia americana ainda não chegou cá.

quinta-feira, outubro 15, 2009

PARALELISMOS DE CINISMO FEITOS

Na época já decandente do esclavagismo, ouviu-se este diálogo:

- E agora? Os escravos estão a morrer à fome!
- Bem, agora temos de sacar menores quantidades ao erário do império e canalizar alguma pecúnia para o caldo, para manter vivos estes estúpidos escravos!
- Sim, sim. Estúpidos, mas trabalhadores. Sem eles não há produção de pecúnia!
-Claro, claro! E sem pecúnia ficamos nós sem poder «arrecadar» o «nosso»!
- A propósito: Estou a pensar numas grandes obras públicas...
-Sim?
- Sim. Matamos dois coelhos com uma cajadada: Propiciamos o modo de continuarmos, nós e os nossos amigos, a «arrecadar» a pecúnia e justifica-se o esclavagismo pela impossibilidade de o suprimir face ao deficit, à baixa produtividade...
- E estes labregos continuarão a trabalhar a troco de uma malga de coisa nenhuma eh eh eh


Na época já decadente da democracia semi-presidencialista, ouve-se este diálogo:

-Bem, a situação social adquiriu foros políticos incontornáveis, pá!
-Pois é, já não podemos ignorar.
-Está na altura de dar a esses labregos uma pequenina porção... apenas o suficiente para que possa ser politicamente invocado e seja minimamente visível. Telefona aí ao gajo da segurança social...
-Bem, na verdade é preciso mantê-los vivos. Afinal são estes labregos que trabalham, pá!
- Poisé... a propósito: temos o nosso pessoal a reclamar, pá, que não há obras públicas onde possam sacar à grande, que não há cargos em empresas e serviços públicos fantasma! Nada!
-E o partido, pá! Sem isso o partido também não arrecada nada!
- Mas isto vai mudar: Vamos executar aquelas grandes obras públicas!
- Ora bem: Assim matamos dois coelhos com uma cajadada: Propiciamos o modo de continuarmos, nós, o nosso partido e os nossos amigos, a «arrecadar» a pecúnia e justifica-se o esclavagismo..., quer dizer, a manutenção do baixo nível de vida dos labregos, pela impossibilidade de o elevar face ao deficit, à baixa produtividade e essas coisas...
- E estes labregos continuarão a trabalhar a troco de uma malga de coisa nenhuma eh eh eh
- E nós a enriquecer ih ih ih

quarta-feira, outubro 14, 2009

domingo, outubro 11, 2009

DEMOCRACIA ENCLAUSURADA com final escatológico

Parece que hoje é dia de voto.
Para as autarquias.
Desengane-se quem pensa que esta é uma eleição democrática.
Não é!
Na verdade, apenas uma parte dos ladrões e corruptos estão na corrida, tendo-se apresentado como candidatos aos lugares autárquicos.
Outros ladrões e corruptos há em Portugal, embora não tão bem qualificados como os que integram listas eleitorais.
Mas desses outros ninguém quer saber.
Isto é: Querem saber, mas é para os enclausurar.
Tá mal, pá!

"Soltem os prisioneiros!"
As autarquias precisam de todos os ladrões e de todos os corruptos e não apenas da elite dos ladrões e dos corruptos!
É por essas e por outras que isto não avança, pá!
Até porque, ao que consta, são precisamente os ladrões e corruptos mais refinados que fazem mais obra!
Ora, do que Portugal precisa é de obra!
Ou seja: Portugal precisa de obrar!
E das duas uma: Ou Portugal consegue obrar ou morre entupido com tanta merda!