Desde a Parque Escolar até à eléctrica, desde as estradas até à Refer, municípios (quase todos) e demais institutos e empresas públicas e de capitais públicos, está tudo minado! Já sabiamos. Mas voltamos agora a saber. Como pode Portugal sobreviver a tanta roubalheira, a tanto sanguessuga, a tanto filho-da-puta!!!??? Para onde vai este país? Ninguém sabe! Sabemos que uma boa parte da massa cinzenta mais capaz simplesmente sai do país. Não estará na hora de acontecer uma merda qualquer?!?!?!?!?
passos pouco seguro. seguro dá passos para lado nenhum. ambos não dão cavaco. e cavaco não se mostra seguro nos passos.
entretanto, o povo português marca passos, sabe que o seguro não morre de velho nem aquece o lugar e decide não dar cavaco a cavaco.
em boa verdade, a coisa é mais profunda: cavaco já não é mas apenas um graveto, o passos já não anda, mas apenas gatinha, e do seguro é seguro a insegurança.
Viver é evoluir em permanência. Constantemente. Microsegundo a microsegundo.
Quando a evolução é de matriz lenta, em ciclos que se aproxiam dos ciclos naturais de vida, a mudança é pouco notada.
Sobretudo, tal mudança é absorvida, reintegrada na evolução consabida, constante e necessária.
Na vida!
Não é assim nos tempos que correm.
Os ciclos de mudança, de tão acelerados e próximos, permitem, à vista de um, vislumbrar o outro.
E, na comparação, identificam-se claramente os sinais da mudança, do velho e do novo paradigma.
Nada de novo.
Evoluções de síncope e clivagens ocorreram, seguramente, em todas as épocas e em todas as civilizações.
Então o que há de novo?
Há essencialmente uma sociedade de consumo.
As pessoas são o que consomem.
E são enquanto consomem.
Quem não consome não existe.
O consumo é a medida de todas as coisas.
E a sociedade de consumo não descansa nem desiste de nos lembrar isso mesmo, todos os dias.
Quando uma evolução rápida põe em causa a sociedade de consumo, as pessoas ficam baratinadas.
De repente descobrem que os peixes afinal vêm do mar, as galinhas, do galinheiro, os tomates, da horta.
E não das prateleiras de um qualquer supermercado.
De repente, o sistema capitalista, mercantilista, de consumo em massa, apresenta todas as suas fragilidades.
Tão frágil quanto as pobres almas dos seres humanos, expostos aos elementos da natureza que não controlam, por mais que que se convençam do contrário.
Vivemos numa época de grandes e profundas mudanças:
A sociedade de consumo aproxima-se do seu esgotamento.
A natureza impõe a sua vontade, com total desprezo pela evolução darwiniana, transformando os seres humanos e demais viventes em meras bolas de pingue-pongue num jogo maluco com um qualquer deus desvairado.
Creio que pouco há a fazer que não seja viver o dia a dia da forma mais prazenteira possível.
Mesmo na democracia mais aparentemente democrátrica - especialmente na democracia mais aparentemente democrática - não há, simplesmente, liberdade!
Há apenas um certa idéia de uma certa liberdade , que não passa, afinal, de mero condicionamento social a uma idéia de exercício de um poder, pelo povo, através de um fenómeno de representatividade política que tudo tem menos de representativo e tudo é menos democrático.
Quão longe da realidade se revela, em cada e em todos os casos, essa idéia de liberdade.
A liberdade ideal pressupõe a perfeição humana, ou seja, uma liberdade para cuja vivência não é necessário responsabilidade.
A dimensão humana, felizmente imperfeita, impõe necessariamente a responsabilidade como factor da liberdade.
A simples constatação da irresponsabilidade individual e colectiva das sociedades modernas conduz-nos, inevitavelmente, à conclusão de completa ausência de liberdade no seio destas sociedades.
Há ou pode haver subsmissão (por medo, por idolatria, cobardia ou interesse mesquinho, por ignorância, por estupidez...), mas não há liberdade.
A liberdade pressupõe, para que o seja, uma consciência de liberdade.
Há ou pode haver rebeldes, mas na medida em que tal rebeldia permaneça balizada e contida nas fronteiras do que é tido como democraticamente admissível, não há liberdade, pois a rebeldia que ocorre no âmbito dos instrumentos do sistema padece necessariamente da mesma falta de liberdade.
Ser livre é agir segundo as suas próprias convicções e disposto, no mesmo passo e medida, a assumir a total responsabilidade por essa acção.
Tudo isto, SEMPRE, no quadro dos valores universais imanentes à condição humana, que é possível identificar sem atavismos de relativismo cultural.
Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade. (Declaração Universal dos Direitos Humanos, artigo 1º)
Em sociedades mais abastadas, os cidadãos, as pessoas, alcançam satisfação das necessidades básicas e até de algum luxo, o que lhes permite relativizar ou sublimar o deficit de liberdade.
Em tempo de vacas magras, quando as vacas emagrecem na medida em que os pastores engordam... nota-se... e sente-se!
E como o sentem aqueles que ficam sem pasto!
As assimetrias que as nossas sociedades ditas democráticas provocam ou geram ou permitem é absolutamente contrária à idéia de liberdade. E o ser humano só pode ser feliz em liberdade. Vislumbro plantada na nossa sociedade, infeliz e prisioneira das elites, uma bomba-relógio. E de pavio curto. Algures e nalgum momento vai ouvir-se o grito do Ipiranga!
Não tanto "Independência ou morte" mas sim "LIBERDADE OU MORTE!" As elites que se cuidem...
O sol aparece de um lado e desaparece do outro... todos os dias... pois assim se medem os dias... inexoravelmente.
Em termos universais, somos um quase-nada.
Em termos planetários, somos um tudo-nada.
Para o país, somos um número (se pagamos impostos), somos um custo (se recebemos prestações sociais), somos ignorados (quando indigentes), somos beneficiados (se o colarinho for branco).
Verdadeiramente, somos importantes para meia dúzia (ou dúzia e meia) de pessoas, normalmente familiares e, vá lá, um amigo (talvez dois).
Tudo o mais são claras batidas em castelo: Ao fim de algum tempo liquidificam e esvaiem-se por um qualquer esgoto...
A vida, e tudo nela, é periclitante, inexoravelmente periclitante.
E, paradoxalmente, é a perenidade dessa periclitância que nos confere uma dimensão ontológica e espiritual, que nos garante o regresso ao pó.