quinta-feira, novembro 17, 2005

UM DIA NORMAL

Processos, processos, processos!
Despachos, despachos, despachos!
Julgamento, julgamentos, testemunhas, requerimentos, despachos, despachos...
Sentenças, sentenças, sentenças....
Estatística, pendências, urgências...
Providências, urgências, urgências...

(Não me posso esquecer de viver)
Post it: "não esquecer de respirar";
Post it: "não esquecer voltar para casa antes que o galo cante";
Post it: "Não esquecer de verificar se o mundo ainda existe";

"Exmº Senhor Dr. Juiz"
Pois!
Processo virtual: abre! abre! ABRE!!!
F#*»-§+, esta merda não abre!
Irra!!
O que?
20 minutos para depositar um simples despacho!!???
... o choque tecnológico...
Urgência...
Sr. dr. juiz, estão a aguardar...
despacho: Pelo exposto, julga-se...
Como se chama?
"É uma violência o que se passa nos tribunais portugueses..."
Pois...
É violento, é.
Mais lento do que vi-o, mas é...
Eu também vi-o lento.
É pedófilo?
Credo!
Vi-o. Lento.
A mim?
Não, ao processo!
...
Ó sr. dr. juiz, sinto-me indignado...
Eu também, eu também...

(!)

(Prostração)

(Mijando de pé, como mandam as regras da masculinidade, pergunto-me, no remanso da possível casa-de-banho das instalações do órgão de soberania, como é possível conseguir ainda mijar!
E de pé!
Sinto-me um verdadeiro felizardo, à beira de outros que ainda mijam, mas de gatas).

Quantos são? Quantos são?

É entrar!
É ENTRAR!

Venham ao circo juridiciário!
Trapezistas e contorcionistas de alto gabarito!
Animais amestrados vestidos de preto!
Teatro de marionetas: O inimaginável tornado real!
E Palhaços!
Muitos palhaços!
Venham! Venham! É de morrer a rir!

TRRRIIIIIIIMMMMMM...

Estou?
Sr. dr. juiz, é o sr. ministro da justiça. Posso passar?
Passe.
Estou?
Boa tarde. Fala o ministro da justiça. É o sr. dr. juiz fulano de tal do tribunal de tal parte?
Sou, faça o favor de dizer sr. ministro.
É para lhe agradecer, sr. juiz. Aliás, tenho estado toda a tarde a agradecer a cada um dos juizes portugeses.
(!).
Estou?
Sim, sim.
Pois, como lhe dizia, quero agradecer... Sabe? Talvez com uma metáfora se perceba melhor:
'tá a ver as corridas de toiros?
Pois é. Quando o toiro marra a sério, inopinadamente e de forma certeira, causa mossa! Enfim, são toiros inconformados com o seu destino medíocre de levar com umas farpas no lombo. Nesse caso, diz-se, na gíria taurina, que o toiro é "manso".
E quando o toiro marra de baixo para cima, de forma previsível e ritmada, permitindo a suprema ignomínia, perdão, galhardia de o tombar de joelhos, curiosamente diz-se que o toiro é "bravo".
Vai daí pensei que...
(!)
Pois... Desculpe. Na verdade a metáfora, embora apropriada, não é lá muito elegante.
Mas percebeu, não percebeu?
Obrigadinho, sr. dr. bravo, perdão, sr. dr. juiz.
Boa tarde.
Boa tarde.

(!)

Ora, anúncios, anúncios...

Cá está: Dr. Salvador da Cuca, psiquiatra.

TRRRRIIIIIIMMMMMMM...

4 comentários:

Sónia Sousa Pereira disse...

Uma boa gargalhada exorciza os males do mundo.

Por mim, depois de ler este seu post, exorcizei galáxias!

Li há pouco tempo, num blog brasileiro, qualquer coisa que passo a parafrasear:

Acredito na morte como única companheira fiel e certa,

acredito na estupidez como denominador comum na humanidade

acredito no humor como forma de encarar a primeira e de suportar a segunda.

É!

S.

jeronimu disse...

Há que tempos que não via um juiz tão sisudo, diria até demasiado ... circunspecto!!!

Esta vai para a minha "Colectânea"... "de Jurisprudência"!

Continuemos ... sempre com fé!!

até que os assessores ... o façam de pé!!

trauliteira disse...

Simplesmente fabuloso!!!

José disse...

De rir, se a realidade não fosse de facto esta..a todos os niveis da Adm. Publica.
Mas visto sob esta analise, é bom para exorcizar o stress diario a que se sujeitam todos os que trabalham sem condições.