domingo, janeiro 01, 2012

ESPERANÇA, a matéria de que são feitos os placebos

Não uso bola de cristal, nem o tarot, e nem as folhas de chá ou búzios me influenciam o pensamento.

Limito-me a obervar e a pensar sobre os factos.

Os últimos, de vulto, que conduziram à roubalheira de que todos nós fomos alvo, foram identificados em tempo real aqui neste blog, na mesma altura em que os ladrões alcançavam maiorias políticas juntos dos estúpidos cidadãos deste país.

Basta ver o arquivo e as respectivas datas para o confirmar.

Nessa linha de actuação, ou seja, de observação e interpretação dos factos, vislumbro o seguinte:

O destino de Portugal não depende tanto da actuação (positiva, entenda-se, já que a negativa apenas afunda...) de todos nós, mas antes vai depender do gigante asiático e, sobretudo, da forma como os países ocidentais lidarem com a situação.

A China está a tornar-se numa potência hegemónica.

E como imporá o seu poder?

Militarmente? Afigura-se que não!

Com o melhor de dois mundos (o comunista, que mantém os cidadãos debaixo de um jugo totalitarista; e o capitalista, que lhe confere o poder do dinheiro e dos mercados), a China vai impôr, não à força mas naturalmente, o seu modelo de produção.

E impor-se-á a todos facilmente com poderio financeiro e de mercado, pois tem as matérias-primas e a população num estadio histórico que há muitas décadas foi ultrapassado já nos países ocidentais.

Se não for eficazmente contrariada, a China vai impôr, naturalmente, um modelo de produção que não tem paralelo em nenhum país ocidental capaz de se lhe equiparar e, para sobreviver na economia global, o resto do mundo vai ter de pautar-se pelo paradigma chinês.

Nesse cenário, o ocidente vai dizer adeus ao estado social, às leis laborais protectoras, ao lazer democratizado.

A necessidade de sobreviver vai impor a cada país a mudança para o paradigma chinês no seu pior, ou seja, uma sociedade composta por dois mundos:

Os da mó de cima, pertencentes aos aparelhos do poder e aos interesses económicos que os suportam;

Os da mó de baixo, a grande maioria, regressados a mundo de trabalho equiparado a trabalho escravo (maior quantidade de trabalho e menor remuneração), mas agora despido do desvalor do respectivo estigma moral.

Pelo contrário, vai começar a fluir no discurso político e no discurso ético dos fazedores de opinião do regime, uma moral e uma ética do trabalho que justificará aos olhos de todos (e dos próprios da mó de baixo  até!) a nova forma de escravatura.

Não será de sopetão, mas antes paulatinamente, de inevitabilidade em inevitabilidade.

E repare-se como esse modelo se ajusta tão bem Às elites ocidentais, sedentas de dinheiro, de poder e de escravos.

A solução?

Para já, não faço a mínima idéia.

Do ponto de vista individual parece-me simples: Voltar ao básico, ao essencial.

Quem puder, adquira ou regresse à sua pequena courela, plante umas couves e semeie umas nabiças.

Dará menos trabalho do que ser pauperrimamente remunerado por trabalho excessivo, com vista a comprar umas couves ou umas nabiças.

E será sempre mais digno.

5 comentários:

maria disse...

detesto quando me lembro de te ler ... :-))
E te entendo e subscrevo!!
Seja lá isso o que for, bom ano, Xavier.

xavier ieri disse...

Olá maria!
Há quanto tempo...!!!
Que prazer 'ver-te' por aqui.

Não nos conhecemos pessoalmente, mas digo-te: Mesmo que o comentário não denunciasse a origem, saberia que eras tu.
És a única a dizer o dobro com metade das palavras.
Mesmo no comentário mais simples.

E não é apenas a inteligência.
É também a qualidade emocional, não lamecha mas antes universal de tão idiossincrática (quando se alcança a essência, encontra-se a partícula universal).

Nem sei porque estou com tudo isto...

Tudo isto para desejar que neste ano tenhas encontros imediatos com momentos felizes, seja lá o que isso for ;)

redonda disse...

Mas, poderemos tentar pensar de uma forma positiva que a solução irá estar nos próprios chineses (como na canção do Sting quando da guerra fria e quanto aos russos amarem também os seus filhos) que irão lutar pelos seus direitos, como já sucedeu na greve noticiada na televisão.

xavier ieri disse...

Olá redonda e bem vinda,
Concordo com a possibilidade e a bondade dessa visão.
Mas não partilho totalmente.
Uma forma rebelde de pensamento não é necessariamente negativa.
Quem se acomoda agarra-se à esperança como a uma tábua de salvação.
A mudança exige proactividade, exige que as competências sejam colocadas efectivamente ao serviço da mudança; exige correr riscos.
Só há evolução na ruptura, caso contrário é sempre mais do mesmo, quiçá travestido de outra coisa (por vezes se diz que é preciso que algo mude para que tudo fique na mesma, não é?).
E cabe a todos nós operar essa mudança, paulatinamente ou de síncope (e, neste caso, é assim que nascem as revoluções...).
Claro que se espera que os chineses não matem a galinha dos seus ovos de ouro e as elites hão-de controlar as massas sociais de forma sábia e de molde a evitar a ruptura de um regime que reune o melhor dos dois mundos.
Mas não é consolo suficiente esperar que tal aconteça.
É necessário garantir que tal vai acontecer.
Ou melhor, o ocidente não pode esperar que tal aconteça e deve garantir que a china não atingirá a hegemonia mercantil e financeira que ameça.
À parte tudo isso, concordo inteiramente que individualmente nos sintamos esperançados na natureza humana.
O problema é que a natureza humama, tendo já mostrado o melhor, também já provou à saciedade ser capaz do pior, do inimaginável.
Isto é complicado.
Pela minha parte, quando desemboco nestes becos aparentemente sem saída, agarro-me aos pequenos momentos de felicidade que, por vezes, de tão intensos, são um universo inteiro.
"A vida é feita de pequenos-nada" e é tão verdade!
Um bom ano, seja lá isso o que for, como sabiamente diz a maria.

maria disse...

:-)