terça-feira, agosto 10, 2010
UM DIA EM QUE ME ENCONTRO MAIS PACHORRENTO...
Tal como o mar, que se estende desde a rebentação, lá em baixo, até ao horizonte.
Uma suave brisa agita-me.
Ergo a cabeça levemente e semicerro os olhos em busca das fragâncias salinas.
Delas encho o peito e retenho-as até exalar o último átomo de tensão.
Junto à água, uma gaivota desliza em voo rasante, cumprindo o seu desígnio de perpetuação.
Estou num cais, como quem parte, e olho o mar, como quem fica...
domingo, agosto 01, 2010
FELIZANÇAS
Felizes dos que vêm no actual Ministério Público um verdadeiro órgão essencial à defesa da ordem jurídica e do regime democrático, da legalidade democrática!
Felizes dos que vêm o sistema jurisdicional eficaz, eficiente e imparcial!
Felizes dos que vêm no governo um órgão de condução da política do país (e não de poderes privados) visando o interesse público (e não interesses subterrâneos)!
Felizes dos que crêm num só primeiro-ministro, todo-poderoso, criador do Freeport sem mácula original!
Felizes dos que acreditam que o povo é quem mais ordena!
Felizes dos que acreditam que a classe política não é a mais vil e chungosa que a sociedade é capaz de parir!
Felizes dos acreditam que o Estado é uma pessoa de bem!
Felizes dos que se deslocam das suas habitações para ir aplaudir freneticamente um político, debaixo de uma overdose de deslumbramento do poder!
Felizes dos crentes que, sistematicamente e com renovada esperança, depositam o seu voto nas urnas de sufrágio!
Felizes dos que acreditam que o sistema de ensino existe para ensinar os nossos filhos!
Felizes dos que acreditam que o sistema nacional de saúde existe para nos tratar e prevenir a doença!
Felizes dos que acreditam nas instituições públicas!
Felizes dos que vêm nos gestores de empresas públicas e de capitais públicos gente competente!
Felizes daqueles para quem branco é branco e preto é preto, amarelo é amarelo e vermelho é simplesmente vermelho!
Felizes dos que ignoram!
Felizmente, em Portugal ainda há pessoas felizes.
Infelizmente, eu não faço parte desse afortunado grupo.
FUCK!!!
sexta-feira, julho 16, 2010
IMPRESSIONANTE, A BANDALHEIRA EM QUE ESTE PAÍS SE TRANSFORMOU!!!
e nao, simplesmente, a bandalheira que é este país ponto final!
Os níveis de pobreza e injustiça social atingem níveis nunca antes vistos.
E segundo a OCDE, nos próximos anos Portugal vai distanciar-se ainda mais dos restantes países europeus.
A produtividade mais baixa da UE;
Escassa vitalidade e inovação do sector empresarial;
Salários mínimos e médios mais baixos da UE;
Educação e formação profissional deficientes (até os cidadãos dos novos membros da UE, países da Europa central e oriental têm melhor qualificações e educação formal do que nós!);
Mau uso dos fundos públicos (puro eufemismo para designar a roubalheira ao erário público tão visível e patente ao longo dos últimos anos);
O gasto excessivo da máquina do Estado face aos magros resultados;
Nos últimos anos acentuou-se a divergência da economia portuguesa face à dos países mais avançados da OCDE;
Tendo mais professores por quantidade de alunos que a maior parte dos membros da OCDE, a educação e formação profissional portuguesas, todavia, não são competitivas com as dos restantes países industrializados;
A crise económica é paga pela classe dos mais desfavorecidos;
Os únicos contribuintes que verdadeiramente entram com imposto REAL nos cofres do Estado são os trabalhadores por conta doutrem, pois descontam logo à cabeça.
Mas há mais:
A máquina de cobrança de impostos burocratizou-se e julga cumprir bem a sua missão ao transformar a cobrança em esbulho, porque cobrança cega, e, incapaz de flexibilidade e, consequentemente, de encaixar dinheiro, apenas gera contencioso tributário que vai apodrecer nos tribunais tributários até à prescrição final!
Milhões e milhões de euros de impostos que prescrevem anualmente, porque a máquina da justiça é insuficiente, está subdimensinada em termos técnicos e humanos e a ineficácia da Administração fiscal alimenta constante e fortemente esse contencioso tributário, tornando-a ainda mais impotente e inoperante.
Mas não desanimem, nem tudo é mau para todos.
O país tem sectores com sinais de grande vitalidade:
Nos últimos 20 anos, Portugal foi o país que recebeu mais benefícios por habitante em fundos comunitários. (Não! Não perguntem "onde foi parar esse dinheiro?")
Os gestores públicos portugueses definem eles próprios os seus niveis salariais e, por isso mesmo, podem ver-se vencimentos MENSAIS de 90.000,00€ mais ajudas e fringe benefits.
Os profissionais liberais nem precisam de off shores para fintar o fisco, por mero exemplo:
- Médicos, dentistas e arquitectos simplesmente declaram anualmente, em média, rendimentos de 17.680,00€!
- Advogados declaram em média, por ano, um rendimento de 10.864,00€!
- Os engenheiros declaram rendimentos anuais de 8.382,00€!
Os partidos políticos dispõem de verbas astronómicas que ninguém controla e ninguém sabe de onde provêm!
Há um conjunto de empresas privadas, com conselhos de administração e gestores que já foram (e podem voltar a ser) ministros, secretários de estado, chefes disto e daquilo e que, a maior parte das vezes associados a financeiras poderosas, formalizaram contratos fabulosos com o Estado, beneficiados com quantias monetárias astronómicas, em negócios onde não correm o mínimo risco, onde tudo está garantido com o dinheiro dos cidadãos, a troco não se sabe bem de quê!
Há zonas do país (por exemplo, zonas das indústrias ou ex-industrias texteis) onde existem mais Ferrari's por metro quadrado do que em Itália!
Os representantes de marcas de luxo, Ferrari, Porsche, Lamborghini, Maserati y Lotus lamentam não dar vasão a todos os pedidos que, entretanto, aumentaram 36 por cento!
Finalmente, é de notar que o país, nalguns sectores, está muito avançado:
Desde há alguns anos a esta parte já é possível fazer cadeiras de cursos superiores, por exemplo inglês técnico em curso de engenharia, por fax e ao domingo!
Outro exemplo é o sector do Governo.
Temos o Governo mais avançado de entre os países da OCDE:
Enquanto nos restantes países os respectivos governos, quais baratas tontas, perspectivam os elementos da crise e adoptam medidas para a ultrapassar, o primeiro-ministro português perspectiva aumentar e aumenta os impostos para a classe que trabalha por conta doutrem e no mais adopta um país imaginário e sorri (parece que sorrir faz bem à pele...)
segunda-feira, julho 12, 2010
HIBERNAÇÃO DA GALINHA DOS OVOS DE OURO
E porquê?, perguntarão vossemecês.
- "O decisor político desenvolveu uma consciência crítica!"
- Não!
- "O decisor político abandonou a senda do assalto à coisa pública!"
- Não!
- "Ah! Já sei! O decisor político fez um curso intensivo sobre valores morais, ética e sentido de Estado!"
- Também não!
- "Bem... então só pode ser..."
- Isso, isso!
- "... não me digam que..."
- Isso, isso...
-"Não posso!"
- Oh Yeah!
- "Bem... mas isso quer dizer que..."
- Ah, poisé!
-"... assim que voltar a haver dinheiro..."
- Hum hum
-"volta tudo ao mesmo!"
- Yep! É uma questão de... tempo!
-"Nããooooooooo!
sexta-feira, julho 09, 2010
PARA MOER
«Eu sou livre, independentemente das regras à minha volta.
Se as achar toleráveis, tolero-as.
Se as encontrar demasiado abomináveis, quebro-as.
Eu sou livre porque sei que apenas eu próprio sou moralmente responsável por tudo aquilo que faço.»
terça-feira, junho 15, 2010
ARREPIA PENSAR NOS DANTAS (OS DA METÁFORA) QUE POR AÍ ANDAM, INDA HOJE! OU TALVEZ HOJE MAIS DO QUE NUNCA!
domingo, junho 13, 2010
NATUREZA HUMANA OU ACULTURAÇÃO DO CHICO-ESPERTISMO NUMA TERRA DE CEGOS?
Haverá a possibilidade de a sociedade portuguesa e, nela, cada um de nós tomar consciência de que a via de solução para o país é, desde logo, ter cidadãos axiologicamente orientados à vivência em sociedade, ter pessoas melhor formadas, com verdadeiros e reais valores humanos e civilizacionais?
Não creio, pelo menos a curto e médio prazo.
A razão é óbvia: É trabalho de gerações.
E mesmo aí, só haverá resultados a longo prazo no caso de alguém, por exemplo as famílias (cada família) e a escola (o poder político) tomar a decisão de mudar o paradigma da educação pública.
No entanto, mesmo nesse cenário mais alargado, tal solução não vingará.
Como já anteriormente disse, a tendência será, estou convencido, a de ir vivendo iludindo a vida, com uma chico-espertice aqui, um desenrascanço ali...
Mas essa não me parece a melhor forma de transformar o país num país de alguma felicidade colectiva, de oportunidades para todos e de repartição dos encargos e dos rendimentos de uma forma justa e equilibrada.
Todavia, que outra solução existe?
Não podemos contar com a classe política e dos interesses subterrâneos qu estes representam, pois eles são não apenas parte do problema, mas essencialmente O PROBLEMA!!!
Esta GENTALHA pretende apenas colocar um país inteiro a trabalhar para um pequeno grupo do qual emergem e para o qual voltam depois do assalto à coisa pública.
Estaremos condenados à chico-espertice e ao desenrascanço como modus vivendi?
A sociedade civil terá de reagir e, nela, serão os jovens a dizer a primeira e a última palavra.
A questão é "como fazê-lo?"
Creio que ninguém sabe.
Mas se houver massa crítica suficiente para tal, todos o saberão num dado momento.
É essa a nossa última esperança.
quinta-feira, junho 10, 2010
DIA DE PORTUGAL
- Blá, bla, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá...
Tem a palavra o Senhor Primeiro-£££££££££$$$$$$$$$$$$$$$$$$:
- Blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá...
Senhor António Manuel Policarpo, 45 anos, Soldador Profissional, desempregado:
- [silêncio]
Senhora Maria Justina Policarpo:
- Então... vá lá... não fiques assim...
Tonito Júnior, 9 anos, filho:
- Ó mãe... nós hoje... jantamos?...
sábado, maio 29, 2010
CUM CANECO!!! 50.000!!!
É bom que se lembre que esta espelunca já conheceu dias de alguma glória (cof, cof, cof...), visitado por gente com nome e tudo e até, e ainda, por gente com o nome!
Mas para que serve essa normalidade se aquilo que verdadeiramente é válido e consequente encontra sedes próprias, até institucionais, de desaguamento (e a que este lugar infecto e anónimo nunca pretendeu ascender?)?
Após um período de aparente normalidade, embora sempre com relato de anormalidades, foi-se transformando, naturalmente, num espaço de sanação e até de saneamento.
Por vezes, também pela brincadeira, pelo humor de raiz revisteiro, o riso, quantas vezes apenas para não chorar...
Depois ainda, decidimos que umas caralhadas, perdão, que o vernáculo permitia uma pureza e uma intensidade inalcançáveis pela escrita a punho de renda.
O raciocínio foi elementar: "Ora se os srs. políticos podem fazer filho-da-putices eu não posso dizer o que eles fazem?"
E vai daí o discurso transformou-se, coloriu-se e ganhou, assim, muito mais interesse!
E, quase em simultâneo, descobri os efeitos terapêuticos de chamar os bois pelos nomes!
Com tudo isto, esta espelunca transformou-se e de um blog passou a um lugar verdadeiramente interessantíssimo (cof, cof, cof...)!
A prova é que, a pouco e pouco, a cobardia instalou-se entre os visitantes e desapareceram da caixa de comentários.
Todos??
Não!
De quando em vez (embora de muito em quando), há um ou dois visitantes, daqueles de fundo, daqueles que, muito provavelmente, vêem para além do vernáculo e das pantomimices e, nem sempre deixando rasto, alturas há em que largam aqui a sua carga empática.
E eu, a contra-gosto, devo dizer que gosto de lhes saber a presença, que me lembro de alguns diálogos muito interessantes, divertidos, filosóficos e até poéticos, que noutros tempos o então e actual anónimo xavier cruzava com essas belas pessoas.
Muito obrigado.
segunda-feira, maio 24, 2010
NÃO HÁ SOLUÇÕES MÁGICAS...
Um Mourinho em cada empresa pública, privada ou lá o que fosse.
"Ah e tal, agora o Mourinho é o maior e o caneco !!!"
Não!
Não é de agora.
Tive sérias pôrras com bons amigos por causa do Mourinho, quando ele começou a dar cartas no cenário nacional das atitudes (pois é a atitude que está em causa!).
Muita gente disse do Mourinho as piores coisas, especialmente que ele era um arrogante.
E aqui surgiu a divergência que acima referi (aliás, agora não me dou ao trabalho de procurar no arquivo aqui desta espelunca, mas creio que na altura fiz um post sobre esse tema precisamente, a defender o que inda hoje defendo).
Só gente pequenina, de chapéu na mão e olhar baixo, é que confunde assertividade, vontade, profissionalismo, atitude positiva e trabalho puro e duro, com arrogância.
Essa gentinha é composta, seguramente, pelos mesmos que, de cabeça baixa de tanta humildade perante quem julgam ser mais poderoso, se transformam completamente e vociferam arrogantemente, aí sim, contra quem julgam ser mais pequeno do que eles.
São gentinha sem alma, nem grandeza, nem atitude.
Ora, o Mourinho representa tudo aquilo que não é característica dos portugueses.
A quem terá ele saído?
Se cada um de nós tivesse um Mourinho dentro de si, Portugal seria o maior país europeu no espaço de tempo de um ou dois campeonatos de futebol.
Garantido!!!
domingo, maio 23, 2010
DECISÃO POLÍTICA E MAL-ESTAR SOCIAL com final feliz
O facto de haver países, como por exemplo a Grécia e a Itália, com mais ladrões em cargos públicos do que nós não nos deve servir de consolo.
Que cada um faça o que puder para que o país melhore!
Que cada um dê o seu, pequenino que seja, contributo para melhorar a produtividade geral do país.
Com isso faremos mais num dia do que a classe política toda junta num ano.
Os políticos que temos são a nossa vergonha.
Indo ao estrangeiro, já não digo a ninguém que sou português.
Olham-nos como se tivessemos peste, como se não passássemos de umas toupeiras ou de uns trambolhos imprestáveis.
A bandalheira em que Portugal se transformou ao longo dos anos a isso dá azo.
Muita gente apontou o problema: Essencialmente, a corrupção (em sentido muito amplo e com múltiplas frentes, a maioria delas, aliás, com planos de legitimação formal).
Agora que os mercados financeiros se fizeram caros e ameaçaram fechar a torneira é que se vê, claramente visto, a nossa extrema dependência, a brutalidade do que devemos face ao que somos capazes de produzir e que produzimos.
A corrupção grassa, o Tribunal de contas está farto de assinalar, por exemplo, muito dinheiro a mais em contratos já de si milionários, mas outras vertentes de corrupção podem ser observadas, como por exemplo a decisão política da realização de obra pública não necessária ou não essencial, mas que beneficam as respectivas empresas à custa do orçamento do Estado, as parcerias público-privadas absolutamente desastrosas para o erário público (mas que garantem às empresas dos boys uma rica fonte de financiamento por muitos anos e sem quaisquer riscos).
Os boys e as suas empresas, através de meia dúzia destes bons (para eles) contratos conseguem por um país inteiro a trabalhar para eles e para o partido e por dezenas de anos!
Se há uma zona onde a corrupção pode ser alocada é, indubitavelmente, na decisão política!
A decisão política toca duas vertentes essenciais da corrupção: Tem poder para decidir e tem poder para vincular o Estado (ou a pessoa colectiva de direito público ou a autarquia, etc).
Não percebem? hummm....
Longe vai o tempo em que a corrupção consistia na troca de um favor público por dinheiro privado ou de dinheiro público pelo favor privado.
Hoje, um instrumento normativo pode muito bem ser um instrumento de corrupção.
À vista de todos e ... invisível!
Invisível, porque formalmente legitimado!
No princípio, no período pós-revolucionário (a revolução nem conta, pela indigência dos valores), tudo começou com uma vírgula num diploma legal a alcançar os 20 mil contos! Isto, naquela altura, início dos anos 80, com ressalva do erro...
De então para cá, a corrupção alcançou um tal refinamento que actualmente é quase impossível deitar a mão judicial a um destes vigaristas.
Entretanto, o Zé Pequenino é quem paga a crise.
Ou seja, não se corta na despesa, a não ser temporariamente e apenas para iludir a banca externa de que dependemos para nos financiarmos.
Continua o rega-bofe.
Aumentam-se os impostos, diminui-se o consumo, passa-se mais fome no meu país.
A economia, sem consumo, pouco pode crescer.
E assim vai este empobrecido país, enredado nas malhas asfixiantes tecidas por políticos incompetentes (para dizer apenas o mínimo).
Agora, meu caro leitor, saia deste tugúrio e vá apanhar um pifo! Aliene-se! Esqueça!
Ou faça como eu: Curta (de curtir) a vida, beba uns copos com os amigos, vá à beira-mar e respire o horizonte, cative a sua cara-metade e dancem até o suor correr em fio, morram de vida, um no outro....
À noite, partilhe uma estrela da via láctea e, com sorte, virá um alien que os levará para bem longe...
domingo, maio 16, 2010
UM POVO MENOR
Com tanto filho-de-puta a fazer e decidir filho-da-putices, melhor é, por vezes, calar...
Lê-se agora em todo o lado aquilo que tenho aqui vindo a despejar nos últimos anos.
É como ter razão antes do tempo.
Era visível, para quem quisesse ver, claro está.
Na altura, parecia um discurso excessivo. E refiro-me não só ao governo e seus membros como ao comportamento social no geral.
Discurso excessivo, sim (e como dizer coisas fortes sem correr o riso do excesso?), mas um retrato assustadoramente real do país (mande-se a falsa modéstia às urtigas), do que somos e da classe política que temos, de quem nos (des)governa.
Se este governo é um verdadeiro vomitório, não o são menos os cidadãos em geral.
Portugal está num estado geral de bovinidade que não faz jus àquilo que nos ensinaram na escola: "Um grande povo que deu novos mundos ao mundo!!
Eu quero acreditar nisso tudo.
Mas onde está esse grandioso povo!???
Porque não se manifesta?
Porque não reage?
Que é feito da dinâmica social, das pessoas de bem, axiologicamente orientada ao interesse comum?
"-És um idealista, pá!!"
Eu sei...
E também sei que para determinadas acções colectivas, de um povo, é necessário massa suficiente, a chamada massa crítica.
E sei ainda que a mentalidade colectiva dos portugueses é maioritariamente chico-esperteira.
Durante anos e anos, talvez até uns séculos já, temos vindo a aprender a sobreviver na base da chico-espertice e do desenrascanço.
Isso mesmo é patente na classe política que temos e temos tido.
Veja-se este monte de esterco que é agora governo e que foi eleito com base na chico-espertice por outros tantos chicos-espertos.
Essa mentalidade colectiva, que se traduz noutra tanta falta de grandeza e de nobreza de carácter colectivo, não permite ao povo português a tomada da acção necessária e suficiente para, em quantidade e qualidade, estabelecer e sustentar a mudança.
A isso se chama a ausência de massa crítica.
O problema de Portugal é esse, na actual conjuntura histórica: O povo, o povo todo, é pequenino, mesquinho, menor.
Tem, pois, o que merece!
terça-feira, maio 04, 2010
AINDA QUE MAL PERGUNTE
Desde há duas semanas, semanalmente, eu e a minha esposa compramos uns quilos de peixe, de carne, de "mercearias", azeite, etc, e entregamos tudo à dona de uma loja de cortinados nossa conhecida.
Ela, por sua vez, faz entrega daqueles bens a "umas pessoas que estão na miséria, sem trabalho, com um filho doente...".
Não sei quem são as pessoas em causa.
Têm vergonha da sua situação e pedem para não serem identificadas junto de quem os pode auxiliar.
É fácil agora culpar a crise internacional.
Já toda a gente se esqueceu do desperdício, da roubalheira ao erário público, da corrupção brutal.
Portugal produz tanto como qualquer outro país do seu campeonato.
Não consegue é produzir o suficiente para tanto ladrão!
Já ninguém se lembra do governo tresloucado socialista.
Já ninguém tem presente a paranoia de um primeiro-ministro que em vez de governar se comportou como um imbecil.
E como não se comportar como um imbecil quando se é imbecil??!!!
Maio de 2010, e há tantas e tantas famílias a passar fome no meu país, apenas porque Portugal, de tão depauperado pela corrupção e má governação, não tem capacidade para enfrentar uma crise internacional.
Que merda de povo é este que tudo admite, que tudo permite, que tudo come, tudo consente e tudo cala?
quinta-feira, abril 22, 2010
TER OU NÃO SER, EIS A QUESTÃO!
Nós vamos todos falecer,
Patinar, bater as botas...
E é verdade que esse é o grande sentido da vida: Uma dinâmica evolutiva pela constante renovação do ciclo vida e morte, seja lá isso o que for....
Hoje os meus átomos têm esta forma, amanhã, quiçá, farão parte de um corpo celeste qualquer.
Baril!
Isso não deve preocupar-nos ao ponto de nos tirar o sono.
De resto, o maior problema ocorre no período compreendido entre o nascimento e o momento da morte.
Esse é o período durante o qual é costume... viver-se.
Donde, viver é acordar todos os dias entre aqueles dois momentos: O do nascimento e o da morte.
A chatice é que nós, os humanos, temos o péssimo hábito de querermos ser felizes.
E parece que uma pessoa sozinha não consegue lá grande felicidade (se bem que há umas sex shop com produtos já muito evoluídos... naahhh, tou a brincar).
E tivemos então - historicamente, claro - a tendência para a agregação, a vida em sociedade, num impulso proveniente, creio, da nossa natureza humana, embora sempre num registo de voluntariedade.
Hoje, porém, já não é uma opção.
Com o planeta a encolher, cada vez mais e mais pequeno, dispensamos a agregação voluntária e impomo-nos uns aos outros sem quaisquer cerimónias.
E daí que resta constatar que estamos condenados a viver em sociedade, querendo ser felizes, mas nem sempre alcançando tal felicidade (que brilhante e original conclusão!).
Tempos houve em que à felidade bastava o amor e uma cabana.
Para os não platónicos e os não zoofófilos, adicionalmente talvez também uma mulher ou um homem.
Mas isso era no tempo em que nós os humanos eramos o que eramos.
Actualmente, já não somos o que somos: Somos o que temos.
Por isso se diz: "Ele é um zé-ninguém, não tem onde cair morto..."
Neste afã pelo ter, a maior parte das pessoas esquece-se de ser.
E bem! É que embora seja, não tendo não é!
Mas se tem, logo, existe!
Fascinante!
Portanto, há quem seja e é porque tem e há quem seja e não é porque simplesmente não tem.
Donde, quem tem sempre é e quem é, não tendo, acaba por não ser (conclusão genial!).
E é aqui que entra a famosa questão: TER OU NÃO SER!
Na verdade, a questão continua a ser a de saber
"Se mais nobre é em mente suportar
Dardos e flechas de ultrajante sina
Ou tomar armas contra um mar de angústias
E firme, dar-lhes fim.".
(Ó Shakespeare, saíste-me cá um revolucionário do caneco, pá!!!)
Bom, não interessa...
De qualquer modo, em Portugal já ninguém tem estaleca para tomar armas contra um mar de angústias e, firme, dar-lhes fim.
De resto, em Portugal, a questão é apenas esta: TER OU NÃO SER e mai nada!
Em resposta a essa questão, surgiu no nosso querido e bem amado país a teoria da concentração dos inúteis tenentes.
De entre os inúteis, há um grupo de brilhantes inutilidades que são apenas porque têm (e por isso são tenentes).
Têm por hábito reunir-se em S. Bento (pensavam os caros leitores que se livravam, não!?).
E o que é que isso tem a ver com vida e felicidade? perguntam os meus caros amigos.
Eu sei lá!!!
Bem, certo certo é que com um pouco de sorte apanhamos com os inúteis mais inúteis, que são o que têm e, por isso mesmo, querendo sempre ter mais e mais, perdão, querendo ser mais e mais, se dedicam ao gamanço organizado e assalto à coisa pública, porque é onde há mais e mais facilmente à mão...
Assim, contra as vozes que os acusam de ganância e sede de poder, etc, etc, impõe-se reconhecer aqui a verdade: Os inúteis tenentes apenas querem ser, resolvendo assim o dilema de Hamlet, na lusa versão.
Não querem eternizar-se na angústia shakespeariana da omnipresente questão.
Querem, mesmo muito, ser.
E há mesmo quem queira ser muito.
Ora, pode lá negar-se a alguém esse nobre desiderato?
Claro que não!
O pequeno problema é que à força de os inúteis tenentes açambarcarem tanto ser, nós outros ficamos diminuídos na nossa capacidade de termos alguma felicidade, pá!
Mas, vá lá, não é assim tão mau!
Resta-nos viver, ou seja, acordar vivo todos os dias.
Bem bom!
Cá por mim já decidi: Vou à sex shop!
A gaita é que, mesmo na sex shop, para se ser alguém é preciso ter algum...