terça-feira, junho 15, 2010

ARREPIA PENSAR NOS DANTAS (OS DA METÁFORA) QUE POR AÍ ANDAM, INDA HOJE! OU TALVEZ HOJE MAIS DO QUE NUNCA!

MANIFESTO ANTI-DANTAS

(excerto)







Basta pum basta!!!



Uma geração que consente deixar-se representar por um Dantas é uma geração que nunca o foi. É um coio d'indigentes, d'indignos e de cegos! É uma resma de charlatães e de vendidos, e só pode parir abaixo de zero!



Abaixo a geração!



Morra o Dantas, morra! Pim!



Uma geração com um Dantas a cavalo é um burro impotente!



Uma geração com um Dantas ao leme é uma canoa em seco!



O Dantas é um cigano!



O Dantas é meio cigano!



O Dantas saberá gramática, saberá sintaxe, saberá medicina, saberá fazer ceias pra cardeais, saberá tudo menos escrever que é a única coisa que ele faz!



O Dantas pesca tanto de poesia que até faz sonetos com ligas de duquesas!



O Dantas é um habilidoso!



O Dantas veste-se mal!



O Dantas usa ceroulas de malha!



O Dantas especula e inocula os concubinos!



O Dantas é Dantas!



O Dantas é Júlio!



Morra o Dantas, morra! Pim!



O Dantas fez uma soror Mariana que tanto o podia ser como a soror Inês ou a Inês de Castro, ou a Leonor Teles, ou o Mestre d'Avis, ou a Dona Constança, ou a Nau Catrineta, ou a Maria Rapaz!



E o Dantas teve claque! E o Dantas teve palmas! E o Dantas agradeceu!



O Dantas é um ciganão!



Não é preciso ir pró Rossio pra se ser pantomineiro, basta ser-se pantomineiro!



Não é preciso disfarçar-se pra se ser salteador, basta escrever como o Dantas! Basta não ter escrúpulos nem morais, nem artísticos, nem humanos! Basta andar com as modas, com as políticas e com as opiniões! Basta usar o tal sorrisinho, basta ser muito delicado, e usar coco e olhos meigos! Basta ser Judas! Basta ser Dantas!



Morra o Dantas, morra! Pim!



O Dantas nasceu para provar que nem todos os que escrevem sabem escrever!



O Dantas é um autómato que deita pra fora o que a gente já sabe o que vai sair... Mas é preciso deitar dinheiro!



O Dantas é um soneto dele-próprio!



O Dantas em génio nem chega a pólvora seca e em talento é pim-pam-pum.



O Dantas nu é horroroso!



O Dantas cheira mal da boca!



Morra o Dantas, morra! Pim!



O Dantas é o escárnio da consciência!



Se o Dantas é português eu quero ser espanhol!



O Dantas é a vergonha da intelectualidade portuguesa!



O Dantas é a meta da decadência mental!



E ainda há quem não core quando diz admirar o Dantas!



E ainda há quem lhe estenda a mão!



E quem lhe lave a roupa!



E quem tenha dó do Dantas!



E ainda há quem duvide que o Dantas não vale nada, e que não sabe nada, e que nem é inteligente, nem decente, nem zero!



(...)

E fique sabendo o Dantas que se um dia houver justiça em Portugal todo o mundo saberá que o autor de Os Lusíadas é o Dantas que num rasgo memorável de modéstia só consentiu a glória do seu pseudónimo Camões.



E fique sabendo o Dantas que se todos fossem como eu, haveria tais munições de manguitos que levariam dois séculos a gastar.



Mas julgais que nisto se resume literatura portuguesa? Não Mil vezes não!



Temos, além disto o Chianca que já fez rimas prá Aljubarrota que deixou de ser a derrota dos Castelhanos pra ser a derrota do Chianca.



E as pinoquices de Vasco Mendonça Alves passadas no tempo da avózinha! E as infelicidades de Ramada Curto! E o talento insólito de Urbano Rodrigues! E as gaitadas do Brun! E as traduções só pra homem do ilustríssimos excelentíssimo senhor Mello Barreto! E o frei Matta Nunes Moxo! E a Inês Sifilítica do Faustino! E as imbecelidades do Sousa Costa! E mais pedantices do Dantas! E Alberto Sousa, o Dantas do desenho! E os jornalistas do Século e da Capital e do Notícias e do Paiz e do Dia e da Nação e da República e da Lucta e de todos, todos os jornais! E os actores de todos os teatros! E todos os pintores das Belas-Artes e todos os artistas de Portugal que eu não gosto. E os da Águia do Porto e os palermas de Coimbra! E a estupidez do Oldemiro César e o Dr. José de Figueiredo Amante do Museu e ah oh os Sousa Pinto hu hi e os burros de cacilhas e os menos do Alfredo Guisado! E (o) raquítico Albino Forjaz de Sampaio, crítico da Lucta a quem Fialho com imensa piada intrujou de que tinha talento! E todos os que são políticos e artistas! E as exposições anuais das Belas-Arte(s)! E todas as maquetas do Marquês de Pombal! E as de Camões em Paris; e os Vaz, os Estrela, os Lacerda, os Lucena, os Rosa, os Costa, os Almeida, os Camacho, os Cunha, os Carneiro, os Barros, os Silva, os Gomes, os velhos, os idiotas, os arranjistas, os impotentes, os celerados, os vendidos, os imbecis, os párias, os ascetas, os Lopes, os Peixotos, os Motta, os Godinho, os Teixeira, os Câmara, os diabo que os leve, os Constantino, os Tertuliano, os Grave, os Mântua, os Bahia, os Mendonça, os Brazão, os Matos, os Alves, os Albuquerques, os Sousas e todos os Dantas que houver por aí!!!!!!!!!



E as convicções urgentes do homem Cristo Pai e as convicções catitas do homem Cristo Filho!...



E os concertos do Blanch! E as estátuas ao leme, ao Eça e ao despertar e a tudo! E tudo o que seja arte em Portugal! E tudo! Tudo por causa do Dantas!



Morra o Dantas, morra! Pim!



Portugal que com todos estes senhores conseguiu a classificação do país mas atrasado da Europa e de todo o Mundo! O país mais selvagem de todas as Áfricas! O exílio dos degredados e dos indiferentes! A África reclusa dos europeus! O entulho das desvantagens e dos sobejos! Portugal inteiro há-de abrir os olhos um dia - se é que a sua cegueira não é incurável e então gritará comigo, a meu lado, a necessidade que Portugal tem de ser qualquer coisa de asseado!



Morra o Dantas, morra! Pim!





José de Almada Negreiros

Poeta d'Orpheu

Futurista E Tudo

1915

domingo, junho 13, 2010

NATUREZA HUMANA OU ACULTURAÇÃO DO CHICO-ESPERTISMO NUMA TERRA DE CEGOS?

Haverá a possibilidade de a sociedade portuguesa e, nela, cada um de nós tomar consciência de que a via de solução para o país é, desde logo, ter cidadãos axiologicamente orientados à vivência em sociedade, ter pessoas melhor formadas, com verdadeiros e reais valores humanos e civilizacionais?

Não creio, pelo menos a curto e médio prazo.

A razão é óbvia: É trabalho de gerações.

E mesmo aí, só haverá resultados a longo prazo no caso de alguém, por exemplo as famílias (cada família) e a escola (o poder político) tomar a decisão de mudar o paradigma da educação pública.

No entanto, mesmo nesse cenário mais alargado, tal solução não vingará.

Como já anteriormente disse, a tendência será, estou convencido, a de ir vivendo iludindo a vida, com uma chico-espertice aqui, um desenrascanço ali...

Mas essa não me parece a melhor forma de transformar o país num país de alguma felicidade colectiva, de oportunidades para todos e de repartição dos encargos e dos rendimentos de uma forma justa e equilibrada.


Todavia, que outra solução existe?

Não podemos contar com a classe política e dos interesses subterrâneos qu estes representam, pois eles são não apenas parte do problema, mas essencialmente O PROBLEMA!!!

Esta GENTALHA pretende apenas colocar um país inteiro a trabalhar para um pequeno grupo do qual emergem e para o qual voltam depois do assalto à coisa pública.

Estaremos condenados à chico-espertice e ao desenrascanço como modus vivendi?

A sociedade civil terá de reagir e, nela, serão os jovens a dizer a primeira e a última palavra.

A questão é "como fazê-lo?"

Creio que ninguém sabe.

Mas se houver massa crítica suficiente para tal, todos o saberão num dado
momento.

É essa a nossa última esperança.

quinta-feira, junho 10, 2010

DIA DE PORTUGAL

Discurso de Sua Excelência o £§¨+*&$$$$$$:

- Blá, bla, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá...

Tem a palavra o Senhor Primeiro-£££££££££$$$$$$$$$$$$$$$$$$:

- Blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá...


Senhor António Manuel Policarpo, 45 anos, Soldador Profissional, desempregado:

- [silêncio]


Senhora Maria Justina Policarpo:

- Então... vá lá... não fiques assim...


Tonito Júnior, 9 anos, filho:

- Ó mãe... nós hoje... jantamos?...

sábado, maio 29, 2010

CUM CANECO!!! 50.000!!!

Há um contador de entradas no fundo e reparo agora que já foram ultrapassadas as 50.000 visitas a este sanatório!

É bom que se lembre que esta espelunca já conheceu dias de alguma glória (cof, cof, cof...), visitado por gente com nome e tudo e até, e ainda, por gente com o nome!

Mas para que serve essa normalidade se aquilo que verdadeiramente é válido e consequente encontra sedes próprias, até institucionais, de desaguamento (e a que este lugar infecto e anónimo nunca pretendeu ascender?)?

Após um período de aparente normalidade, embora sempre com relato de anormalidades, foi-se transformando, naturalmente, num espaço de sanação e até de saneamento.

Por vezes, também pela brincadeira, pelo humor de raiz revisteiro, o riso, quantas vezes apenas para não chorar...

Depois ainda, decidimos que umas caralhadas, perdão, que o vernáculo permitia uma pureza e uma intensidade inalcançáveis pela escrita a punho de renda.

O raciocínio foi elementar: "Ora se os srs. políticos podem fazer filho-da-putices eu não posso dizer o que eles fazem?"

E vai daí o discurso transformou-se, coloriu-se e ganhou, assim, muito mais interesse!

E, quase em simultâneo, descobri os efeitos terapêuticos de chamar os bois pelos nomes!

Com tudo isto, esta espelunca transformou-se e de um blog passou a um lugar verdadeiramente interessantíssimo (cof, cof, cof...)!

A prova é que, a pouco e pouco, a cobardia instalou-se entre os visitantes e desapareceram da caixa de comentários.

Todos??

Não!

De quando em vez (embora de muito em quando), há um ou dois visitantes, daqueles de fundo, daqueles que, muito provavelmente, vêem para além do vernáculo e das pantomimices e, nem sempre deixando rasto, alturas há em que largam aqui a sua carga empática.

E eu, a contra-gosto, devo dizer que gosto de lhes saber a presença, que me lembro de alguns diálogos muito interessantes, divertidos, filosóficos e até poéticos, que noutros tempos o então e actual anónimo xavier cruzava com essas belas pessoas.

Muito obrigado.




segunda-feira, maio 24, 2010

NÃO HÁ SOLUÇÕES MÁGICAS...

Mas se houvesse, concerteza que teríamos um Mourinho como primeiro-ministro, um Mourinho como ministro das finanças e assim sucessivamente.

Um Mourinho em cada empresa pública, privada ou lá o que fosse.

"Ah e tal, agora o Mourinho é o maior e o caneco !!!"

Não!

Não é de agora.

Tive sérias pôrras com bons amigos por causa do Mourinho, quando ele começou a dar cartas no cenário nacional das atitudes (pois é a atitude que está em causa!).

Muita gente disse do Mourinho as piores coisas, especialmente que ele era um arrogante.

E aqui surgiu a divergência que acima referi (aliás, agora não me dou ao trabalho de procurar no arquivo aqui desta espelunca, mas creio que na altura fiz um post sobre esse tema precisamente, a defender o que inda hoje defendo).

Só gente pequenina, de chapéu na mão e olhar baixo, é que confunde assertividade, vontade, profissionalismo, atitude positiva e trabalho puro e duro, com arrogância.

Essa gentinha é composta, seguramente, pelos mesmos que, de cabeça baixa de tanta humildade perante quem julgam ser mais poderoso, se transformam completamente e vociferam arrogantemente, aí sim, contra quem julgam ser mais pequeno do que eles.

São gentinha sem alma, nem grandeza, nem atitude.

São cobardes!

Ora, o Mourinho representa tudo aquilo que não é característica dos portugueses.

A quem terá ele saído?

Se cada um de nós tivesse um Mourinho dentro de si, Portugal seria o maior país europeu no espaço de tempo de um ou dois campeonatos de futebol.

Garantido!!!

domingo, maio 23, 2010

DECISÃO POLÍTICA E MAL-ESTAR SOCIAL com final feliz

Não há muito para dizer.

O facto de haver países, como por exemplo a Grécia e a Itália, com mais ladrões em cargos públicos do que nós não nos deve servir de consolo.

Este é o país que temos!
Este é o povo que somos!
E o que somos está à vista!


Que cada um faça o que puder para que o país melhore!

Que cada um dê o seu, pequenino que seja, contributo para melhorar a produtividade geral do país.

Com isso faremos mais num dia do que a classe política toda junta num ano.

Os políticos que temos são a nossa vergonha.

Indo ao estrangeiro, já não digo a ninguém que sou português.

Olham-nos como se tivessemos peste, como se não passássemos de umas toupeiras ou de uns trambolhos imprestáveis.

A bandalheira em que Portugal se transformou ao longo dos anos a isso dá azo.

Muita gente apontou o problema: Essencialmente, a corrupção (em sentido muito amplo e com múltiplas frentes, a maioria delas, aliás, com planos de legitimação formal).

Agora que os mercados financeiros se fizeram caros e ameaçaram fechar a torneira é que se vê, claramente visto, a nossa extrema dependência, a brutalidade do que devemos face ao que somos capazes de produzir e que produzimos.

A corrupção grassa, o Tribunal de contas está farto de assinalar, por exemplo, muito dinheiro a mais em contratos já de si milionários, mas outras vertentes de corrupção podem ser observadas, como por exemplo a decisão política da realização de obra pública não necessária ou não essencial, mas que beneficam as respectivas empresas à custa do orçamento do Estado, as parcerias público-privadas absolutamente desastrosas para o erário público (mas que garantem às empresas dos boys uma rica fonte de financiamento por muitos anos e sem quaisquer riscos).

Os boys e as suas empresas, através de meia dúzia destes bons (para eles) contratos conseguem por um país inteiro a trabalhar para eles e para o partido e por dezenas de anos!

Se há uma zona onde a corrupção pode ser alocada é, indubitavelmente, na decisão política!

A decisão política toca duas vertentes essenciais da corrupção: Tem poder para decidir e tem poder para vincular o Estado (ou a pessoa colectiva de direito público ou a autarquia, etc).

Não percebem? hummm....

Longe vai o tempo em que a corrupção consistia na troca de um favor público por dinheiro privado ou de dinheiro público pelo favor privado.

Hoje, um instrumento normativo pode muito bem ser um instrumento de corrupção.

À vista de todos e ... invisível!

Invisível, porque formalmente legitimado!

No princípio, no período pós-revolucionário (a revolução nem conta, pela indigência dos valores), tudo começou com uma vírgula num diploma legal a alcançar os 20 mil contos! Isto, naquela altura, início dos anos 80, com ressalva do erro...

De então para cá, a corrupção alcançou um tal refinamento que actualmente é quase impossível deitar a mão judicial a um destes vigaristas.

Entretanto, o Zé Pequenino é quem paga a crise.

Ou seja, não se corta na despesa, a não ser temporariamente e apenas para iludir a banca externa de que dependemos para nos financiarmos.

Continua o rega-bofe.

Aumentam-se os impostos, diminui-se o consumo, passa-se mais fome no meu país.

A economia, sem consumo, pouco pode crescer.

E assim vai este empobrecido país, enredado nas malhas asfixiantes tecidas por políticos incompetentes (para dizer apenas o mínimo).

Agora, meu caro leitor, saia deste tugúrio e vá apanhar um pifo! Aliene-se! Esqueça!

Ou faça como eu: Curta (de curtir) a vida, beba uns copos com os amigos, vá à beira-mar e respire o horizonte, cative a sua cara-metade e dancem até o suor correr em fio, morram de vida, um no outro....
À noite, partilhe uma estrela da via láctea e, com sorte, virá um alien que os levará para bem longe...

domingo, maio 16, 2010

UM POVO MENOR

Tenho evitado vir aqui, porque o vómito seria demasiado, excessivo, mesmo para um blog anónimo.

Com tanto filho-de-puta a fazer e decidir filho-da-putices, melhor é, por vezes, calar...

Lê-se agora em todo o lado aquilo que tenho aqui vindo a despejar nos últimos anos.

É como ter razão antes do tempo.

Era visível, para quem quisesse ver, claro está.

Na altura, parecia um discurso excessivo. E refiro-me não só ao governo e seus membros como ao comportamento social no geral.

Discurso excessivo, sim (e como dizer coisas fortes sem correr o riso do excesso?), mas um retrato assustadoramente real do país (mande-se a falsa modéstia às urtigas), do que somos e da classe política que temos, de quem nos (des)governa.

Se este governo é um verdadeiro vomitório, não o são menos os cidadãos em geral.

Portugal está num estado geral de bovinidade que não faz jus àquilo que nos ensinaram na escola: "Um grande povo que deu novos mundos ao mundo!!

Eu quero acreditar nisso tudo.

Mas onde está esse grandioso povo!???

Porque não se manifesta?

Porque não reage?

Que é feito da dinâmica social, das pessoas de bem, axiologicamente orientada ao interesse comum?

"-És um idealista, pá!!"
Eu sei...

E também sei que para determinadas acções colectivas, de um povo, é necessário massa suficiente, a chamada massa crítica.

E sei ainda que a mentalidade colectiva dos portugueses é maioritariamente chico-esperteira.

Durante anos e anos, talvez até uns séculos já, temos vindo a aprender a sobreviver na base da chico-espertice e do desenrascanço.

Isso mesmo é patente na classe política que temos e temos tido.

Veja-se este monte de esterco que é agora governo e que foi eleito com base na chico-espertice por outros tantos chicos-espertos.

Essa mentalidade colectiva, que se traduz noutra tanta falta de grandeza e de nobreza de carácter colectivo, não permite ao povo português a tomada da acção necessária e suficiente para, em quantidade e qualidade, estabelecer e sustentar a mudança.

A isso se chama a ausência de massa crítica.

O problema de Portugal é esse, na actual conjuntura histórica: O povo, o povo todo, é pequenino, mesquinho, menor.

Tem, pois, o que merece!

terça-feira, maio 04, 2010

AINDA QUE MAL PERGUNTE

Hoje é terça feira, dia 4 de Maio do ano de 2010.

Desde há duas semanas, semanalmente, eu e a minha esposa compramos uns quilos de peixe, de carne, de "mercearias", azeite, etc, e entregamos tudo à dona de uma loja de cortinados nossa conhecida.

Ela, por sua vez, faz entrega daqueles bens a "umas pessoas que estão na miséria, sem trabalho, com um filho doente...".

Não sei quem são as pessoas em causa.

Têm vergonha da sua situação e pedem para não serem identificadas junto de quem os pode auxiliar.

É fácil agora culpar a crise internacional.

Já toda a gente se esqueceu do desperdício, da roubalheira ao erário público, da corrupção brutal.

Portugal produz tanto como qualquer outro país do seu campeonato.

Não consegue é produzir o suficiente para tanto ladrão!

Já ninguém se lembra do governo tresloucado socialista.

Já ninguém tem presente a paranoia de um primeiro-ministro que em vez de governar se comportou como um imbecil.

E como não se comportar como um imbecil quando se é imbecil??!!!

Maio de 2010, e há tantas e tantas famílias a passar fome no meu país, apenas porque Portugal, de tão depauperado pela corrupção e má governação, não tem capacidade para enfrentar uma crise internacional.

Que merda de povo é este que tudo admite, que tudo permite, que tudo come, tudo consente e tudo cala?

quinta-feira, abril 22, 2010

TER OU NÃO SER, EIS A QUESTÃO!

Os Gato Fedorento têm uma rábula na qual cantam uma canção que começa com os seguintes versos:

Nós vamos todos falecer,
Patinar, bater as botas...

E é verdade que esse é o grande sentido da vida: Uma dinâmica evolutiva pela constante renovação do ciclo vida e morte, seja lá isso o que for....

Hoje os meus átomos têm esta forma, amanhã, quiçá, farão parte de um corpo celeste qualquer.

Baril!

Isso não deve preocupar-nos ao ponto de nos tirar o sono.

De resto, o maior problema ocorre no período compreendido entre o nascimento e o momento da morte.

Esse é o período durante o qual é costume... viver-se.

Donde, viver é acordar todos os dias entre aqueles dois momentos: O do nascimento e o da morte.

A chatice é que nós, os humanos, temos o péssimo hábito de querermos ser felizes.

E parece que uma pessoa sozinha não consegue lá grande felicidade (se bem que há umas sex shop com produtos já muito evoluídos... naahhh, tou a brincar).

E tivemos então - historicamente, claro - a tendência para a agregação, a vida em sociedade, num impulso proveniente, creio, da nossa natureza humana, embora sempre num registo de voluntariedade.

Hoje, porém, já não é uma opção.

Com o planeta a encolher, cada vez mais e mais pequeno, dispensamos a agregação voluntária e impomo-nos uns aos outros sem quaisquer cerimónias.

E daí que resta constatar que estamos condenados a viver em sociedade, querendo ser felizes, mas nem sempre alcançando tal felicidade (que brilhante e original conclusão!).

Tempos houve em que à felidade bastava o amor e uma cabana.

Para os não platónicos e os não zoofófilos, adicionalmente talvez também uma mulher ou um homem.

Mas isso era no tempo em que nós os humanos eramos o que eramos.

Actualmente, já não somos o que somos: Somos o que temos.

Por isso se diz: "Ele é um zé-ninguém, não tem onde cair morto..."

Neste afã pelo ter, a maior parte das pessoas esquece-se de ser.

E bem! É que embora seja, não tendo não é!

Mas se tem, logo, existe!

Fascinante!

Portanto, há quem seja e é porque tem e há quem seja e não é porque simplesmente não tem.

Donde, quem tem sempre é e quem é, não tendo, acaba por não ser (conclusão genial!).

E é aqui que entra a famosa questão: TER OU NÃO SER!

Na verdade, a questão continua a ser a de saber
"Se mais nobre é em mente suportar
Dardos e flechas de ultrajante sina
Ou
tomar armas contra um mar de angústias
E firme, dar-lhes fim.".


(Ó Shakespeare, saíste-me cá um revolucionário do caneco, pá!!!)

Bom, não interessa...

De qualquer modo, em Portugal já ninguém tem estaleca para tomar armas contra um mar de angústias e, firme, dar-lhes fim.

De resto, em Portugal, a questão é apenas esta: TER OU NÃO SER e mai nada!

Em resposta a essa questão, surgiu no nosso querido e bem amado país a teoria da concentração dos inúteis tenentes.

De entre os inúteis, há um grupo de brilhantes inutilidades que são apenas porque têm (e por isso são tenentes).

Têm por hábito reunir-se em S. Bento (pensavam os caros leitores que se livravam, não!?).

E o que é que isso tem a ver com vida e felicidade? perguntam os meus caros amigos.

Eu sei lá!!!

Bem, certo certo é que com um pouco de sorte apanhamos com os inúteis mais inúteis, que são o que têm e, por isso mesmo, querendo sempre ter mais e mais, perdão, querendo ser mais e mais, se dedicam ao gamanço organizado e assalto à coisa pública, porque é onde há mais e mais facilmente à mão...

Assim, contra as vozes que os acusam de ganância e sede de poder, etc, etc, impõe-se reconhecer aqui a verdade: Os inúteis tenentes apenas querem ser, resolvendo assim o dilema de Hamlet, na lusa versão.

Não querem eternizar-se na angústia shakespeariana da omnipresente questão.

Querem, mesmo muito, ser.

E há mesmo quem queira ser muito.

Ora, pode lá negar-se a alguém esse nobre desiderato?

Claro que não!

O pequeno problema é que à força de os inúteis tenentes açambarcarem tanto ser, nós outros ficamos diminuídos na nossa capacidade de termos alguma felicidade, pá!

Mas, vá lá, não é assim tão mau!

Resta-nos viver, ou seja, acordar vivo todos os dias.

Bem bom!

Cá por mim já decidi: Vou à sex shop!

A gaita é que, mesmo na sex shop, para se ser alguém é preciso ter algum...

terça-feira, abril 20, 2010

AUTO-RETRATO

Umas postas abaixo, encontra-se na caixa de comentários este pequeno retrato, a partir de um comentário de um jovem distraído que tropeçou neste vomitório ao transitar, certamente de forma errática, pelas vielas mais esconsas da blogosfera.

Obrigado, caro J, pela partilha.

Apesar de ter alguns leitores (o contador é como o algodão...) só uns atrevidotes ultrapassam a fase do divertimento mórbido voyeurista e se elevam ao plano da cumplicidade expondo-se em todo o esplendor do seu anonimato.

Afinal, nós, os anónimos, não existimos.

Mas deixamos marca.


Anónimo J disse...

Sou jovem e já reparei que Portugal não tem nada para oferecer. Não oferece emprego com salário digno nem esperança qualquer...
Após 17 anos de estudos, mais um Mestrado (desses modernos) de bolonha... só me resta pedir o RSI e juntar-me aos parasitas!

10:23 AM




Blogger xavier ieri disse...

Este é um blog DODO, ou seja, desconhecido, obscuro, "desquecido e ostracizado" e não esperaria que um jovem aqui viesse e muito menos comentar.

Bem vindo meu caro amigo e não se deixe abater pela quantidade enorme desta substância verde e pestilenta aqui derramada: É apenas o meu vómito, repugnado que estou com este estado de coisas no meu país...

10:10 PM

sábado, abril 10, 2010

TRICOCÉFALOS

Não é muito frequente a combinação, em simultâneo, de três elementos destrutivos, a prazo, de qualquer sociedade:

1 - O poder ocupado por políticos escandalosamente incompetentes e ávidos de poder;

2 - Um discurso político desfasado da realidade e assente em propaganda;

3 - Um povo na sua maioria em estado de bovinidade atroz.

Historicamente, estes três elementos foram vistos em sociedades governadas por oligarquias comunistas, nazistas e fascistas.

E daí que os estalinismos, os nazismos e os mussolinismos do séc. XX tenham dado no que deram.

À escala do país e da actualidade e mutatis mutandis, a tentativa operada pelo partido e governo socialista no Portugal de hoje, embora apenas tentativa, insere-se naquela linha totalitária de operar em favor da oligarquia e seus interesses e dos seus satélites.

No entanto, de ordem prática, o mais grave é a incompetência generalizada (e se fosse apenas incompetência...!) desta canalha do partido socialista, incompetentes para governar com sentido de Estado e na defesa do Estado social de direito e do interesse público.

Só extremamente forçados pelas circunstâncias e porque começou a ser evidente a incompetência e a corrupção, foi esta mancha negra dita socialista cedendo e acabando por dar o dito por não dito, adiando os anunciados actos de delapidação do erário público decididos em favor dos interesses dos seus apaniguados.

Portugal vive uma época, infelizmente não rara, de incompetência e de charlatanismo político, de corrupção, compadrio e favorecimentos subterrâneos que saltam em cada esquina.

Não admira que Pedro Passos Coelho surja no discurso político como o salvador da pátria.

Será o país capaz de mudar?

Enquanto se olhar para um político como se de um D. Sebastião se tratasse, Portugal não avançará.

Porque o país não avança com D. Sebastiões, mas antes pela mão de uma população activa e proactiva, interessada, comprometida e cúmplice no cumprimento de um desígnio colectivo.

Uma população que queira ser feliz e lute activamente pela sua felicidade.

Um líder ajuda e pode fazer a diferença, mas não é tudo nem é absolutamente decisivo.

A ver vamos...

Entretanto, a tarefa imediata mais importante é devolver o tricocéfalo alibabá à sua gruta, devidamente acompanhado pela cáfila de tricocéfalozinhos...

sábado, abril 03, 2010

VISÕES HOLÍSTICAS PARA COMPREEENSÕES MICRONIANAS

The Triumph of Politics, de David Stockman, da Harper & Row, New York, 1985, é um livro obrigatório se se quiser compreender a falta de transparência da vida político-partidária norte-americana de há 30 anos.

Note-se que ali se fala da sociedade americana, altamente fiscalizada pelos cidadãos, pelos media e pelas autoridades, sociedade de checks and balances, para a qual a responsabilidade e responsabilização não são palavras vãs.

Ali, apesar de as actividades políticas e privadas se regerem por códigos e leis acima de qualquer suspeita, certo é que há quem, nos partidos políticos, encontre sofisticados meios para o subterrâneo exercício do compradrio e do tráfico de influências.

E se ali era assim, e ainda é em grande medida, imagine-se neste Portugal.

No Portugal que temos, sem verdadeiros instrumentos de combate à corrupção, com a lei do financiamento partidário com mais buracos do que um passador, autoridades públicas permeáveis, por um lado, e sem suficientes meios técnicos e humanos, por outro, com quadros administrativos do Estado de cartão partidário ao peito, com cidadãos estupidificados, sem cultura de exigência, um país maioritariamente composto por chico-espertos ou pela sua alternativa, os desenrascados,


neste Portugal, dizia, será infinitamente mais fácil que a corrupção com origem política e nos políticos seja infinitamente mais presente do em outros países situados num grau superior de civilização e de cultura e consciência cívicas, grau esse ao qual ainda não conseguimos, nós outros, guindar-nos e, pelo andar da carruagem, tarde, se alguma vez, alcançaremos.

Em Portugal temos toda uma classe de políticos recheada de gentalha altamente permeável e proactiva no compadrio, no tráfico de influências, na corrupção, impregnada de parasitas enriquecidos de bens materiais, parasitas que, demagógica e cinicamente, apregoam estar na política por patriotismo e sacrifício pessoal, quando é evidente que antes de entrarem na política não tinham obra nem riqueza e o mais das vezes nem onde cair mortos.

Portugal continua, assim, a ser um pequeno país, só pequeno por ser constantemente delapidado e enfraquecido pelas associações de criminosos em que os partidos políticos foram transformados por muitos políticos sem carácter, sem vergonha, sem princípios e sem valores.

A verdade, em contraponto, é que, ao longo dos anos, alguns políticos que tiveram um discurso sério e vontade demonstrada de querer efectuar a mudança, foram afastados e afastaram-se para a sua vida privada, para os seus negócios, quando perceberam que era impossível remar contra uma tal maré de corrupção, contra uma máquina subterrânea poderosa.

Sobrevivem algumas vozes livres aqui e ali, mas apenas porque encontraram uma forma de não serem ou estarem directamente dependentes do sistema político-partidário e das suas máquinas de influência e corrupção, mesmo pelos seus tentáculos mais privados.

Entretanto, entre a chico-espertice e o desenrascanço lá nos vamos, nós portuguesinhos, arrastando pela lama dos dias, à espera de fins-de-semana com pontes e das férias grandes, rindo-nos alarvemente com o circo mediático dos freeports, das faces ocultas ou dos submarinos ou, pior ainda, banalizando e deixando que tudo se banalize...

Deixa arder...

O que não tem remédio, remediado está...


quinta-feira, abril 01, 2010

ESPELHO MEU, ESPELHO MEU, HAVERÁ PAÍS MAIS CORRUPTO DO QUE O MEU?

Agora são os subamarinos!

Não sei se já repararam que na equação em que se traduz a União Europeia, a corrupção parece ser uma variável nas expressões de todos os países europeus,

com excepção de Portugal,

onde a corrupção é expressão de uma constante...