segunda-feira, junho 05, 2006

BEFORE THE DAY AFTER

O vento suão sopra a frescura do lusco-fusco.
É o momento mágico das "auroras boreais" do sol poente.
Ali ao lado, os grilos compõem a sua sinfonia nº 5.
Pia o mocho e os últimos melros acoitam-se com um chilreio perdido.
Por entre os silêncios da folhagem rumorosa, embalada pela brisa, ouvem-se os cães.
Ao longe.
Num repente, cala-se o melro, emudecem os grilos, o mocho perde o pio.
Uivam os cães.
Depois, calam-se também.
Silêncio...
O silêncio, sepulcral, pára até o vento.
O ar adquire um tom azulado, ainda visível à luz dos últimos raios de luz.
Na boca, um sabor metálico, ácido...
Algo de terrível está iminente.
Sente-se.
Respira-se.

Resta-nos apenas aguardar os próximos movimentos do... ministro da justiça e... rezar para que a escala de Richter não se esgote...

quinta-feira, junho 01, 2006

ESCUTA ZÉ NINGUÉM

"Escuta, Zé Ninguém! Chamam-te “Zé Ninguém!” “Homem Comum” e, ao que dizem, começou a tua era, a “Era do Homem Comum”. Mas não és tu que o dizes, Zé Ninguém, são eles, os vice-presidentes das grandes nações, os importantes dirigentes do proletariado, os filhos da burguesia arrependidos, os homens de Estado e os filósofos. Dão-te o futuro, mas não te perguntam pelo passado.
Tu és herdeiro de um passado terrível. A tua herança queima-te as mãos, e sou eu que to digo. A verdade é que todo o médico, sapateiro, mecânico ou educador que queira trabalhar e ganhar o seu pão deve conhecer as suas limitações. Há algumas décadas, tu, Zé Ninguém, começaste a penetrar no governo da Terra. O futuro da raça humana depende, à partir de agora, da maneira como pensas e ages. Porém, nem os teus mestres nem os teus senhores te dizem como realmente pensas e és, ninguém ousa dirigir-te a única critica que te podia tornar apto a ser inabalável senhor dos teus destinos. És “livre” apenas num sentido: livre da educação que te permitiria conduzires a tua vida como te aprouvesse, acima da autocrítica.
Nunca te ouvi queixar: “Vocês promovem-me a futuro senhor de mim próprio e do meu mundo, mas não me dizem como fazê-lo e não me apontam erros no que penso e faço”.
Deixas que os homens no poder o assumam em teu nome. Mas tu mesmo nada dizes. Conferes aos homens que detêm o poder, quando não o conferes a importantes mal intencionados, mais poder ainda para te representarem. E só demasiado tarde reconheces que te enganaram uma vez mais.
Mas eu entendo-te. Vezes sem conta te vi nu, psíquica e fisicamente nu, sem máscara, sem opção, sem voto, sem aquilo que fiz de ti “membro do povo”. Nu como um recém-nascido ou um general em cuecas. Ouvi então os teus prantos e lamúrias, ouvi-te os apelos e esperanças, os teus amores e desditas. Conheço-te e entendo-te. E vou dizer-te quem és, Zé Ninguém, porque acredito na grandeza do teu futuro, que sem dúvida te pertencerá. Por isso mesmo, antes de tudo o mais, olha para ti. Vê-te como realmente és. Ouve o que nenhum dos teus chefes ou representantes se atreve a dizer-te:
És o “homem médio”, o “homem comum”. Repara bem no significado destas palavras: “médio” e “comum”.
Não fujas. Tem ânimo e contempla-te. “Que direito tem este tipo de dizer-me o que quer que seja?” Leio esta pergunta nos teus olhos-amedrontados. Ouço-a na sua impertinência, Zé Ninguém. Tens medo de olhar para ti próprio, tens medo da crítica, tal como tens medo do poder que te prometem e que não saberias usar. Nem te atreves a pensar que poderias ser diferente: livre em vez de deprimido, directo em vez de cauteloso, amando às claras e não mais como um ladrão na noite. Tu mesmo te desprezas, Zé Ninguém, Dizes: “Quem sou eu para ter opinião própria, para decidir da minha própria vida e ter o mundo por meu?” E tens razão: Quem és tu para reclamar direitos sobre a tua vida? Deixa-me dizer-te.
Diferes dos grandes homens que verdadeiramente o são apenas num ponto: todo o grande homem foi outrora um Zé Ninguém que desenvolveu apenas uma outra qualidade: a de reconhecer as áreas em que havia limitações e estreiteza no seu modo de pensar e agir. Através de qualquer tarefa que o apaixonasse, aprendeu a sentir cada vez melhor aquilo em que a sua pequenez e mediocridade ameaçavam a sua felicidade. O grande homem é, pois, aquele que reconhece quando e em que é pequeno. O homem pequeno é aquele que não reconhece a sua pequenez e teme reconhecê-la; que procura mascarar a sua tacanhez e estreiteza de vistas com ilusões de força e grandeza, força e grandeza alheias. Que se orgulha dos seus grandes generais, mas não de si próprio. Que admira as idéias que não teve, mas nunca as que teve. Que acredita mais arraigadamente nas coisas que menos entende, e que não acredita no que quer que lhe pareça fácil de assimilar.(…)”.



"Escuta, Zé Ninguém!" não é um documento científico, mas humano.
Foi escrito por Wilhelm Reich no Verão de 1946, para os arquivos do Instituto Orgone, sem que se pensasse, então, em publicá-lo. Resultou da luta interior de um cientista e médico que, durante décadas, passou pela experiência, a princípio ingênua, depois cheia de espanto e, finalmente, de horror, do que o Zé Ninguém, o homem comum, é capaz de fazer de si próprio, de como sofre e se revolta, das honras que tributa aos seus inimigos e do modo como assassina os seus amigos. Sempre que chega ao poder como “representante do povo”, aplica-o mal e transformado em qualquer coisa ainda mais cruel do que o sadismo que outrora suportava por parte dos elementos das classes anteriormente dominantes.


Wilhelm Reich nasceu a 24 de Março de 1897 nos confins orientais da Galícia, então na posse do Império Austro-Húngaro. Acusado de charlatanismo, perseguido pelos nazistas e pelos “democratas” norte-americanos, expulso do círculo de psicanalistas e do Partido Comunista. Foram inúmeros os problemas que teve com todos os tipos de poderes instituídos.
Isso graças ao vigor de seu pensamento e de sua independência frente às instituições repressivas que tanto criticou.
Não reconheceu limites nas ciências, da psicologia à física e à biologia... e cada campo recebeu valiosíssimas contribuições, que até hoje (até mesmo nas academias) não são reconhecidas, sendo mesmo boicotadas.

É o preço do livre pensamento.
O contraponto é a "normalização" da mediocridade.
Às armas!!!!
Às armas da competência, da decência, do trabalho, dos valores!
Às armas!!!!!
Às armas da Razão!
Contra os canhões da incompetência, da corrupção, da demagogia, da filhadaputice, da mediocridade, da inanidade, marchar, marchar!!!



CENA MARADA

- Iscas! Madié! Tás baril?
- yah, meu. óve lá, tens preduto?
- Népia, meu. Eu agora é só armas.
- Armas, meu? És doido?
- Óve lá, atão né o hino que diz "às armas!" "às armas!" men? É ou não é?
- Tás a falar de quê?
- Do hino, meu: "às armas!"! E vai daí... vou mesmo!
- Vais onde meu?
- Pôrra! às armas, meu, às armas!
- ... hã... yyyaaaaaaaaaahhhhhhhhh meu: às armas! Ih ih ih ih ih! Baril! "às armas!" Ih ih ih ih

quarta-feira, maio 31, 2006

QUE ARMAS? QUE ARMAS?

- Ó Xabier. Tou pasmo! Querxe dijere, eu inté xou a fabor duma reboluxão da cachaporra... mas ... às armas?!
- Ó Ti Anafrásio, tenha calma, homem! Tenha calma. Há que fazer uma leitura actualizada da letra do nosso hino!
- Fajere o quei?
- Quando o nosso hino diz "às armas!" não se está a referir a armas de guerra ou de fazer a guerra.
- Ah não?
- Não. Armas são todas aquelas que permitem combater o marasmo, a sonolência, o conformismo ...
- O con quei?
- "Às armas!" é apenas um grito de motivação, é um convite ao arregaçar das mangas, ao trabalho.
- Tou a gostar doubir.
- "Às armas!" é um 'teaser', na senda do Kennedy "Não perguntes o que o teu país pode fazer por ti, mas antes o que podes fazer pelo teu país", tá a percebr Ti Anafrásio?
- Ó Xabier, proceber nun procebi munto bem, mas quéi bonito éi!
- Ó Ti Anafrásio, então está ver-me convidar verdadeiramente às armas?!
- Num tou, é berdade. Mas... ó Xabier... e uma cachaporradajita? Não se pode dar uma cachaporradajita?

ÀS ARMAS! ÀS ARMAS!

Caros Amigos,
Estou Vivo.
Só posso estar vivo.
Eu e os restantes, digamos, 7.999.999 Lusitanos.
Apesar de termos deixado o purgatório para trás, nesta descida sem apeadeiros, parece-me não haver pecados suficientemente capitais para só parar na estação inferno.
Por isso, acredito que isto seja apenas um pesadelo.
Aliás, é definitivamente um pesadelo.
Só pode ser um pesadelo!
E a prova é simples:
- Susceptível de ter pesadelos, quem é, quem é?
- Quem está a dormir.
- E quem é que está a dormir? 8.000.000 de Lusitanos!

- 8.000.000 de Lusitanos? Mas... não eram 10.000.000 e coisa e tal?
-Não, não eram, nem são: Há praí um milhãozito e coisa e tal que está no paraíso. E outro milhãozito julga-se no céu, mas está a chegar ao purgatório.
- Xiii!!!
- E quando perceberem que estão no Alfa a caminho do inferno, sem paragens... já é tarde de mais.
- *
- Agora o que eu já não suporto é ouvir o Hino Nacional.
- Homessa!
- É sempre a mesma coisa: "às armas! às armas!"... e nada!
- Nada?!
- Nada! Nadinha.
- Não compreendo.
- Exactamente como eu: Também não compreendo o que impede os Lusitanos de obedecer àquela voz de comando!

terça-feira, maio 23, 2006

HÁ ALGO DE ERRADO NESTE PAÍS

Num comentário do Verbojurídico, sobre Magistrados e futebol, diz-se a páginas tantas:

"A juíza Maria de Fátima Mata-Mouros entende que o eventual recebimento de contrapartidas pecuniárias por parte dos magistrados é ilegal e violador da lei fundamental. "No que respeita aos juízes, a resposta está expressa na nossa Constituição desde há trinta anos: " Os juízes em exercício não podem desempenhar qualquer outra função pública ou privada, salvo as funções de docentes ou de investigação científica, não remuneradas, nos termos da lei.".

Nem mais.

Eu fui nomeado juiz, em efectividade de funções, em 1 de Janeiro de 2004, na sequência do respectivo estágio que terminou no dia 31 de Dezembro de 2003.
E acreditem ou não, hoje, dia 23 de Maio de 2006, ainda o meu vencimento é exclusiva e rigorosamente o correspondente ao índice 100, ou seja, o de juiz estagiário.
Acontece que sou juiz num tribunal de círculo (tribunal administrativo de círculo), presido a julgamentos colectivos, exerço as funções correspondentes ao lugar que ocupo efectivamente: As de juiz de círculo.
Infelizmente, o meu vencimento não me permite viver decentemente.
Apenas sobrevivo.
Mas como sempre trabalhei para ganhar a vida, pensei fazer algo.
Não posso!
Não posso exercer qualquer outra actividade remunerada.
Embora o mercado esteja saturado, pensei em "biscates" bem remunerados.
Por exemplo, o serviço de trolha.
O trabalho de um trolha é duro.
Mas é melhor remunerado do que o de um juiz que exerce as funções de juiz de círculo num tribunal administrativo de círculo.
Também não posso!

Continuo espartilhado entre a ilegalidade sem solução à vista, a incompetência de alguém, a inveja de muitos (que é o que está na génese desta questão), mas que agora não invejam nada, a necessidade de trabalhar extradordinariamente para poder ter uma vida simples mas digna, a impossibilidade legal de o fazer...
E no entanto parece haver por aí juízes que recebem uma qualquer remuneração por serviços no mundo do futebol!!!?

Há algo de errado neste país...

segunda-feira, maio 22, 2006

A REVOLUÇÃO DA CACHAPORRA

- Ó xavier, este paíje xó lá vai à cachaporrada! Ê nã percebo nada de plítica, mas axim malacomparado é comagente qando vai à fêra e é prexiso tar dolho no burro e outro no xigano...
- Calma lá, Ti' Anafrásio. Ora, explique lá isso.
- Atão, home, nã tem nada que xabere. Arrepare queles dijem uma cousa e a gente tá a ver oitra. Eles dijem qué axim e agente tá a vere qué axado; eles dizem qué axado e agente já tá a vere tudo frito! Quburro qué munto trabalhadore, qué novinho, qué expevitado...
- Pois...
- E ófinale vaixavere e é tudo mentira. Querxedijere: Haver burro há, mas né nada cómeles dijem.
- Ai o diacho dos ciganos...
- Nã, nã! Os plíticos! né nada cómeles dijem! Hóvera de fajer-lhes o quê faxo aos pilares da nha xoupana!
- Ui-ui!
- Ê nã sê nada de plítica, mas ando sempre caminha telefonia e ouço tudo! Tudo!
- Por exemplo?!
- Prijemplo? Prijemplo... a jestiça! O prolema da jestiça é o ministro! Atão o home procupaxe munto co'as escutas telfónicas e maija prijão proventiba e mailas férias dos juíjes e essas coisas, mas no mais tá tudo na mêma, cos tribnais tão cheios de precessos e demoram qa tempos a resolver as coisas, pois nã há juíjes qa cheguem e os processos são comós cógmelos. É uma injestiça. Ófinal quem faz as leis nã xão os juíjes! o mnistro é um pilar fraquito... Cachaporra!
- Pois é! E há mais?
- Atão nã há? Olhe a xaúde! Atão um paíje que tem falta de miudage, de gente nova, né? e ele invez de melhorar os xervixos de xaúde acaba com maternidades? As melheres agora vão paxar a parir dentro das imbelânxias. Tá a vere? É outro pilar fraquito! ...Cachaporra!
- Caramba! E há mais?
- Ah poijá! Olhe as finanxas! Atão o home ómenta os impostos, ómeta tudo e cada vez gasta mais?! Atão diz qacabou com os prebelegiados e isso tudo e ófinal vaixaber tá tudo na mêma e ófinal é os bancos e axim que têm milhões e milhões de lucro e impostos nada?! Atão o home manda apertar o xinto xó aos mais pobres? ...Cachaporra!
- Sabe que concordo? É preciso ter lata!
-E olhaxenhora da inducaxão! A inducaxão é pra dejenvolver o país nué? Mas aquela xenhora nã quer xaber disso para nada! Nã quer xaber (comé que xe dije?) nã quer xaber do "modelo de educaxão mederno e que responda às nexexidades do paíje". Ela xó tá procupada é com os concursos dos profexores e essas coisas que qalquer director faz. É um pilar fraquito e...

- Já sei! Cachaporra!
- Pois...
- Ó Ti'Anafrásio, mas olhe que à cachaporrada não se resolve nada. O país não produz o suficiente e já gasta o que não tem. Sabe Ti' Anafrásio, assim malacomparado este país tem a carroçaria de um fórmula 1, mas feita de cartão (é só pra botar figura) com o motor de um Fiat 600. E o pior é que nem sequer há gasolina, mesmo pró Fiat 600!
- Mau maria! Atão ê óvi dijere cómentou a venda dos carros de luxo! E das cajas de luxo! Comé quisso pode sere?!
- A crise não é para todos, Ti' Anafrásio!
- Éuma tristeja! Mas o pior, pior é quê nãtou a vere axim um pastore para este rebanho... é tudo fraquito... ele é os borregos... ele é os pastores... e os que nã são fraquitos nã ficam nesta fraqueza. Abalam proestranjero...
- É verdade Ti' Anafrásio! Mas... vá lá homem, nem tudo é mau!
- Tch! ... ó xavier! Pra fajer axim uma reboluxãojita... quantos é que xão precijos?
- Uma revolução?! Helá! Uma revolução como as dos cravos?
- Nã, nã! Uma reboluxão axim... da cachapôrra! É ixo! A reboluxão da cachapôrra!! Eh eh eh eh eh!! A REBOLUXÃO DA CACHAPORRA!!!!
Cuidado com 'turcos'... que há por aí...

quarta-feira, maio 10, 2006

A PROPÓSITO DE JUÍZES COM LICENCIATURA-BASE DIFERENTE DA LICENCIATURA EM DIREITO

Ó meus amigos, atentem nisto:

A ideia é "criar as melhores condições para que haja uma magistratura enriquecida e dotada de todas as competências para enfrentar a variedade dos problemas que se colocam na actualidade"

Vamos lá partir pedra:
"magistratura (...) dotada de todas as competências para enfrentar a variedade dos problemas..."

Uma coisa é reunir numa mesma pessoa todos aqueles saberes.
Nesse caso, cada candidato deveria ser licenciado simultaneamente em Direito, em Economia, em Sociologia, etc.
Aí sim, a "magistratura", como um todo, e cada magistrado, ficaria dotada daquelas respectivas competências.
Neste cenário, completamente inverosímil, as palavras do Ministro fariam todo o sentido.


Outra coisa é haver uns magistrados versados em Sociologia; Outros em Economia; outros ainda em Sociologia e assim por diante.
É obvio que neste cenário, que é o real e foi o invocado pelo Ministro, jamais a "magistratura" ficará "dotada de todas as competências para enfrentar a variedade dos problemas...".
Haverá, isso sim, uns que responderão às questões de economia com maior autoridade, mas nas restantes claudicam e assim sucessivamente...
Mas nunca, NUNCA (!) a "magistratura" ficará "dotada de todas as competências para enfrentar a variedade dos problemas..."!
Não nesse sentido global!
Nunca o juiz de Alguidares de Baixo, licenciado em Sociologia, enfrentará a variedade dos problemas de forma competente, por exemplo no que respeita a todas as restantes matérias que não a sociologia!
E assim sucessivamente!

Dá para perceber?

É materialmente impossível!
É mentira.
É falácia.
É pura demagogia.
Isto num quadro que considere competência e inteligência ao Ministro.

Fora desse quadro, não chega a ser mentira, nem sequer demagogia.
É burrice!
E grosseira!

ÚLTIMA HORA! EXTRA! EXTRA! OOLHÁÁÁÁÁS NETÍCIAS!

Diário de Notícias
"O curso de Direito vai deixar de ser critério obrigatório para o acesso à magistratura. A licenciatura-base dos futuros juízes e procuradores do Ministério Público poderá ser noutras áreas do saber, desde a Economia à Sociologia. A ideia é "criar as melhores condições para que haja uma magistratura enriquecida e dotada de todas as competências para enfrentar a variedade dos problemas que se colocam na actualidade" Palavras do ministro da Justiça ontem no final da sessão de abertura de um seminário internacional realizado pelo Centro de Estudos Judiciários (CEJ).

Correio da Manha
"Curso de Medicina vai deixar de ser critério obrigatório para o acesso ao exercício da medicina. A licenciatura-base dos futuros médicos poderá ser noutras áres do saber, desde a Economia à Sociologia e Direito. A ideia é "criar as melhores condições para que haja médicos enriquecidos e dotados de todas as competências para enfrentar a variedade dos problemas que se colocam na actualidade. Palavras do ministro da saúde ontem no final da sessão de encerramento de algumas unidades hospitalares. E acrescentou: Sem uma licenciatura-base em Sociologia nunca um médico poderá integrar os fenómenos socio-patológicos e os problemas da transmigração que tem de enfrentar dia a dia. Sem a licenciatura em Economia não saberá da importância de usar canivetes nas intervenções cirúrgicas em vez dos caríssimos bisturis. Sem uma licenciatura em Direito, não saberá defender-se da responsabilidade civil extra-contratual por acto médico danoso, etc."

24 horrores
"Inteligência, integridade moral e ética, carácter e sentido de Estado vão deixar de ser requisitos para o exercício da actividade política em Portugal, podendo a personalidade-base dos senhores políticos incluir outras áreas da natureza humana, mesmo em exclusividade, desde a incompetência às patologias do carácter.
A ideia é criar as melhores condições para que haja uma classe enriquecida, dominante e dotada de todos os instrumentos para enfrentar a variedade dos entraves que os regimes democráticos colocam na actualidade. Palavras do ministro primeiro, ontem no final da sessão de abertura de um seminário interno sobre "exploração e manipulação de borregos".

segunda-feira, maio 08, 2006

PILARES

- Ó Ti Anafrásio! Repita lá o que disse sobre aquela coisa dos pilares, que é para estas pessoas ouvirem...
- Pois! O quê dixe foi... bem... ê xou pastor nãn xou doitor, nãn gosto de me meter em plítica, mas cá na nha cabexa acho que... bem, os xenhores tão a ver ali aquela choupana?
- Sim, Ti Anafrásio, onde recolhe o gado?!
- Xim! A choupana tem aqueles pilares todos, com um telhado em xima, num é?
- Pois!
- Bem, qandêvêjo que hái pilares que nãn prestam e comexam àbanar vou lá e dou-lhes uma cachaporrada. Pimba!
- Pimba?!
- Xim! Pimba! Deitujabaixo! É logo! Pimba!
- Então e para que é que faz isso?
- Ócaxanão cai-me tudo em xima dajovelhas, home!
- Ah! Pois...
- Cachaporra! Pimba! E despois boto lá um pilar novo! Maxempre dolho pra ver xelexaguenta!
- Tá bem visto!
- Agora, o quêgostava mêmo era nãn prexijar da choupana e mailospilares e aquilo tudo...
- Pois é, Ti Anafrásio, mas ainda não inventaram nada melhor para os borregos!
-
Poijé! Tch...

sexta-feira, maio 05, 2006

ISTO É QUE VAI UMA CRISE!

Mais de um ano passado e a justiça em Portugal continua a não servir os cidadãos e as empresas.
Continua o órgão de soberania Tribunais a ser um mero serviço pouco mais do que administrativo, do Ministério da Justiça.
O que quer dizer que, numa boa medida, continua a miragem da verdadeira separação de poderes e independência dos tribunais.
Qual aldeia gaulesa, há um punhado de mulheres e de homens (juízes, pois claro!) que, fazendo das tripas coração, lá vão dando corpo ( e o corpo! E o resto!) ao desígnio constitucional da independência do poder judicial.
Ministros que terão nascido no dia de folga do distribuidor de inteligência, da nobreza de carácter e do sentido de Estado, apenas denotam capacidade para a demagogia baratucha, para a decisão baseada nos seus próprios fígados (maus fígados, ainda por cima!) e para a satisfação das clientelas.
No campo judiciário (o resto não vai melhor, infelizmente), em lugar da governação para o desenvolvimento, para a celeridade, para a simplificação (que não simplex da treta), para a eficiência e a eficácia, temos decisões sobre férias judiciais e "privilégios", mais uns remendos nuns quantos institutos jurídicos civis e muita preocupação com institutos criminais. Aqui sim!
Grandes procupações no campo criminal! Morderam-lhes (aos da mó de cima) as canelas e aqui d'el rei!
É isto que aos "senhores" governantes interessa! O próprio cabedal!
Os da Assembleia da República não são melhores.
Há uns tempos roubaram (desculpem a imprecisão técnica) roubaram o nosso dinheiro, com viagens-fantasma.
Sem consequências!
Agora, impedem o funcionamento da Assembleia da República, por falta de quorum, ou seja, por falta colectiva ao trabalho de um numeroso grupo de deputados.

Ora, com exemplos de cima desta natureza, com os ataques absurdos do Governo contra quase tudo e quase todos, com uma governação desastrada na implementação das políticas tomadas, esperam que "isto" funcione?

Continuo a pensar que melhores ou piores medidas todos os governos tomarão.
Faz parte da natureza humana. Errar.

Mas estou profundamente convicto de que as medidas deste Governo não encontram eco na sociedade, sobretudo por um motivo: A governação tem vindo a ser e continua a ser feita CONTRA as pessoas. O discurso é, em regra, agreste, agressivo e trauliteiro (veja-se no campo da Justiça, por exemplo).
Se houvesse da parte do Governo capacidade de comunicação com os cidadãos, por vezes apenas a manifestação de um pouco de respeito, unindo-os em torno de um desígnio colectivo, estou convicto de que teriam não só melhor aceitação como também cativariam o esforço e o empenhamento de todos e cada um na (re)construção deste país.

Tal como está e vai, alcança sobretudo a desmotivação e desmobilização colectivas.

É o divórcio. "Perdido por um, perdido por mil".
Vegeta-se; cumpre-se formalmente o trabalho; pensa-se à 2ª Feira na 6ª e espera-se que a semana passe depressa.
Depois? Depois logo se vê!

sexta-feira, abril 28, 2006

"Portugal entrou para o grupo dos países com maior índice de inovação tecnológica. A descoberta fundamental foi efectuada pelo governo português. Ao transformar em obsoleta toda a tecnologia baseada em explosivos poluentes e barulhentos, abriu uma nova era tecnológica, a que chamou 'choque tecnológico'. Na verdade, o governo português tem vindo a ultimar experiências que confirmam o poder destruidor do decreto-lei face aos explosivos convencionais".
"...grupos terroristas com ligações à Al-Qaeda e ao Hammas manifestaram já interesse pelos métodos de destruição utilizados em Portugal, pretendendo utilizar a mesma metodologia nas suas actividades terroristas. Em declarações ao nosso jornal afirmaram: «Os métodos de destruição selectiva actualmente utilizados em portugal são um grande avanço na ciência da destruição de sectores-chave de um país, a custos reduzidos, pelo facto de serem «powder-free", ou seja, sem utilização de pólvora».
"... empresários chineses ligados ao sector das demolições preparam-se para encetar negociações com o governo português com vista à transferência de Know how"

RECORTES

- Ó Zé! Olha o que diz este jornal: "Empresários chineses iniciaram a produção de kit's de limpeza, compostos por uma pá e uma vassourinha, com destino ao mercado português. É mais uma ofensiva comercial de empresários chineses com reconhecida capacidade de antecipação de necessidades no mercado mundial."
-Ó Fernando, não estou a perceber!
- Espera... diz aqui: "A sagacidade dos empresários chineses permitiu-lhes identificar a República Portuguesa como um nicho de mercado para aquele produto, face à iminência de derrocada do país, já visível em alguns sectores. A pá e a vassourinha são produtos com procura assegurada, pois afigura-se ser a próxima tarefa de grande envergadura a efectuar pelos portugueses: Apanhar os cacos do país."!

segunda-feira, abril 24, 2006

PERSPECTIVAS

-Iscas!! Mén! Há bué da tempo que nan te vejo, mén! Andas fegido?
- Népia meu. É o 25 de Abril! Ando cá a pensare, ó Piscas.
- Yahh, mén. Pensar é fixe.
- Né isso, meu. Olha lá, já faz 32 anes do 25 de Abril, meu. Tás a vere?! E eu tenho 32 anes! Tás a vere?! Iste quer dezer alguma coisa, meu! Vou fazer um apegreide na nha vida!
- Fosca-se mén, vais deixar o gamanço?! E vais viver do quei, mén?
- És doido? Deixar o gamanço? Não!!! Apegreide, meu! Vou inscrever-me num partide pelítique, meu! Tás a ver a cena?!
-YYaaahhhhh mén!!!!!!!!

quinta-feira, abril 20, 2006

OLHE... SE FAZ FAVOR: COMO É QUE SE SAI DESTE CHIQUEIRO?

- Ó Zé, parece que isto vai de mal a pior, pá! Onde é que estamos a errar?
- Pereira, Pereira! Já te disse que nós nunca erramos! Quando muito somos subjugados pelas conjunturas supervenientes, imprevisíveis e inultrapassáveis no curto prazo...
- Tá bem, tá bem, mas a conjuntura internacional é toda ela de subida, de crescimento...
- Bem, bem, Pereira...
- Estive cá a pensar... sabes... há quem diga que esta coisa de governar CONTRA as pessoas em vez de as UNIR em torno de um desígnio nacional, colectivo, é coisa para derrotar qualquer política, porque há sectores-chave que depois...
- Pereira! Pereira! Quando é que tu aprendes? As pessoas são meros pormenores desagradáveis neste processo de... de crescimento! Percebes?

sexta-feira, abril 14, 2006

CHÁ E PORRADAS

- Caros amigos, silêncio, vá lá, acalmem-se... como sabem estamos reunidos no meu sótão a fim de encontrarmos uma forma, lícita (lícita, hem?) de dar uns tabefes ao Zé Socras e à cambada que compõe o seu governo miserável.
- Lícita? Isso não é possível!
- É possível, sim senhor. Ora, atentem na seguinte doutrina jurisprudencial: "Castigos moderados aplicados a menor por quem de direito, com fim exclusivamente educacional e adequados à situação, não são ilícitos. Devendo, no entanto, ter-se consciência de que estamos numa relação extremamente vulnerável e perigosa quanto a abusos.".
- Ena pá, eu ainda não tinha lido. É mesmo assim?
- Portanto, penso que podemos dar uma surra, pelo menos ao Socras, ao Alberto, ao Fernando e ao Pereira e também a um ou outro secretário de Estado...
- Muito bem! Boa! Muito bem! clap, clap, clap clap!!!
- Então, o que eu proponho é o seguinte:
"castigos moderados" corresponde a um bom par de tabefes;
"aplicados a menor"; ora digam-me lá se há alguém maior neste Governo? Não há! Assim sendo só é possível concluir que são todos menores;
"por quem de direito"; somos todos nós! Haverá alguém com mais direito a dar-lhes umas porradas na corneta do que nós, precisamente os "de direito"? (não confundir com os de direita! Nem de esquerda, claro!);
"com fim exclusivamente educacional"; ora aí está: Por isso cada porrada deverá ser acompanhada da expressão "É p'raprenderes! Toma! É p'raprenderes! Toma!);
"e adequada à situação", o que significa que se os gajos quiserem fugir, em vez de uma porrada na tola dá-se-lhes um pontapázio no traseiro, sempre acompanhado da expressão "Toma lá vendedor de banha-da-cobra que é p'raprenderes!";
- Fantástico! E nada disto é ilícito!!! Fabuloso!
- Caros amigos, não se esqueçam, porém, de que, em qualquer caso "deve ter-se consciência de que estamos numa relação extremamente vulnerável e perigosa quanto a abusos". Por isso, sendo a relação com quem diz que governa, nossa e dos restantes cidadãos, de extrema vulnerabilidade e perigosidade para os direitos e interesses legítimos que representamos, importa ter sempre presente essa vulnerabilidade e perigosidade, pois estamos sempre sujeitos a ser abusados. E é por isso que vos aconselho: Nunca lhes virem as costas! Nunca!

CONVERSA NA CASA-DE-BANHO

- Ó Alberto, deixa-me que te diga que, embora elaborado pelo Aniceto, o "estudo" poderia ser mais... mais...

- Ó Zé, o "estudo" é uma merda, convenhamos! Mas destina-se a juízes, pá, a juízes!

- Tens razão Alberto. ... Uns mentecaptos! Rédea curta nesses gajos...

- Além disso, os estudos feitos 'a posteriori' são sempre assim: Cagativos!

quarta-feira, abril 12, 2006

DOIS DEDOS DE TESTA

Ttttrrrrriiiiiiiiiimmmmmmmmmmmmmmm
- 'Tou, fala xavier... (...) ah, sim, passe (...) estou (...) Ah, ministro Alberto... sim... o desprazer é também meu... sim...
- (...)
- Já li, sim...

- (... ... ...)
- Sim. Mas efectivamente as acções ficam com quem as pratica, sabe?
- (... ... ...)
- Pois, não... não sou a favor de bater em crianças (...) sou absolutamente contra qualquer tipo de maus tratos, muito menos envolvendo crianças com deficiência. Não posso sequer entender (...) não (...) não!!! Pôrra, já lhe disse que não!

-(... ... ...)
- A mulher de César...? Sim, sim, já sei: Não basta ser séria... sim, sim...
- ( ... ... ...)
- Pois... jornalistas!!! Seus amiguinhos, não? Já desconfiava...
- (...)
- Vá
você!!! Sim, sou juiz, mas isso não faz de mim (...) pois (...) sou juiz mas de 1ª instância, percebe? (...) sim, sim 1ª instância, onde nada se decide...

terça-feira, abril 11, 2006

MIGUEL SONSO TÁSBURRO (ou, parafraseando o Chavez "you are a donkey mister tásburro! You are a donkey!)

- Ó Pereira, já viste a coluna do Miguel S. Tavares? Eu nem sabia que o tipo era dos nossos!
- Não é, Zé. Não é. Mas é como se fosse eheheheh. Achas que lhe dê um subsídio?
- Não, não, Pereira. É desnecessário. Mantém apenas a distância. Esta é a situação ideal!
- Pois é, pá, a situação não poderia ser melhor: Um ignorante em matéria de justiça, aparentemente não comprometido políticamente, com credibilidade junto da opinião pública e que escreve contra os juízes!
- Perfeito! Aliás, ó Pereira... ih ih ih .... exceptuando a credibilidade, o gajo até me faz lembrar o Alberto... quer dizer... é a mesma ignorância, com uma pequena diferença: o MST escreve em semanários e diários e o Alberto "escreve" no Diário da República! Ih ih ih

sexta-feira, abril 07, 2006

CO-CORRUPTO, arrulhou a pombinha

- Ó Pereira, olha o que diz o Euclides Dâmaso, o gajo do DIAP de Coimbra: “em Portugal a corrupção progride e intercepta cada vez mais níveis diversos da Administração e do aparelho do Estado” e acrescenta que “boa parte da economia portuguesa flui no mercado paralelo”.
- Ó Zé, temos de fazer alguma coisa, pá.
- Pois temos. Concordo. Reune o grupo.
(... ... ...)
- Caros amigos, como sabem, esta é mais um a reunião para manter secreta.
- O que é que foi desta vez, ó Zé?
- Bom, vejam isto (bcshcbshcbsb). A verdade é que é preciso algum cuidado. O Alberto e o António ainda não conseguiram controlar totalmente os ju... ju... hrrum... juízes nem o MºPº nem as polícias. Vai daí, mais vale prevenir do que remediar.
- ´Tá bem, tá bem... mas onde queres chegar?
- Bem, para o caso do Alberto e do António falharem, temos de tomar uma atitude, sem grande alarido e suavemente: É preciso começar a pensar em fontes e modos alternativos de financiamento do partido.

NAVEGAR É PRECISO

- Ó Zé, já viste isto? "Quase dois terços dos portugueses nunca navegaram na rede "!
- Pois é, Pereira. Assim não há choque tecnológico que nos valha.
- Mas... onde é que nós errámos?
- Nós nunca erramos, Pereira! Cuidado com essa linguagem! Acontece que a realidade afinal é outra e estava escondida de todos nós. Veio agora à superfície por virtude da nossa competência! Assim é que se diz!!
- ´Tá bem! Mas afinal qual é a nova realidade?
- Ó Pereira... gaita, pá. Num país de marinheiros, como é que eu podia adivinhar que havia tanta gente que não sabe navegar??!!

terça-feira, abril 04, 2006

CORTINA DE FUMO

- Alberto, António, Pereira, então o inimigo?
- Continua ali entrincheirado, Zé. Não quer sair.
- Franco-atiradores...
- Não é possível. O tipo não dá o flanco...
- Bem! Cortem a água!
- Boa idéia.
- Cortem a energia eléctrica!
- Ih ih ih...
- Lancem uma cortina de fumo intoxicante!
- E agora?
- Agora, Alberto, aguardamos.
- Olha, olha Zé! Lá vem ele, com uma bandeira branca!
- Eh eh eh nunca falha! Eu bem sabia que o workshop em guerrilha política me viria a ser útil...

domingo, abril 02, 2006

EU É QUE SOU MERMBRBRO DO GOVERDNBNO (HIC!)

- Ó Alberto, já viste isto?! Aquele... j... arrgh... ju... juiz, o Bruto, olha o que ele diz: "nenhum país civilizado subsiste sem uma investigação criminal eficaz".
- Não sabem o que dizem, é o que é, Zé. Não sabem das coisas, não conhecem os partidos políticos, não conhecem os autarcas...
- Não sabem nem têm que saber! Nós é que fomos eleitos! Nós é que temos legitimidade! Nós é que sabemos!!!
- Muito bem, muito bem! (clap clap clap)
- Eh eh eh, mal eles sabem que para o país continuar "civilizado" e poder "subsistir" é preciso, precisamente, que não tenha uma investigação criminal eficaz!
- Ó zé, eu nem diria tanto. Não ter uma investigação criminal eficaz é fundamental para o país continuar... ponto final! É ou não é, ó Zé?

PRECIPITAÇÃO: 27mm EM S. BENTO

-"O s... d... in.... o SUPREMO TRIBUNAL DE JUSTIÇA .. RENOVADO"?!?!!! ALBERTO!!! ALBERTO!!!
- Credo, Zé! O que é?
- Olha o que diz aquele... aquele... cof, cof... hum... juiz... o Timóteo: Supremo Tribunal foi renovado?! Quem autorizou? Quem, Alberto??!
- Hã... não... não.... Calma Zé: O sítio da internet, zé, o sítio da internet do Supremo Tribunal de Justiça é que foi renovado, Zé,.. só o sítio, zé... eheheh... só o si... eheh sítio... Zé... (uf!)

sábado, abril 01, 2006

PEDIMOS DESCULPA POR ESTA INTERRUPÇÃO. O PROGRAMA SEGUE DENTRO DE MOMENTOS

- Boa noite. dr. lélé da cuca.
- Boa noite dr. xavier. Vamos a mais uma lavagem cerebral? Eu estou pronto, não se esqueça de, no fim, me enxaguar em duas águas limpas... eheheh ... estou a brincar dr., estou a brincar...
- Ah ah ah ah... Pois é dr., hoje venho falar-lhe de blogs.
- De blogs!!! Óptimo, com uma boa conversa, como sabe, nunca adormeço!
- De blogs. Quer dizer, de blogs não propriamente, mas antes das pessoas por trás deles.
- Diga então, por favor, que o tema é excitante.

- Sabe, tenho andado por aí, de blog em blog, e tenho percebido uma coisa: Só é admissível comentar se o comentário for do tipo "que bonito!", "belo", "que sentimento", "és tão sensível", e merdas assim, tá a perceber?
- (*)
- Acontece que eu não tenho apenas essa postura e por vezes, para além de dizer que gosto quando sinto vontade de o dizer, também comento criticamente, normalmente.
-(*)
- Acontece ainda que, em regra, vêm uns palhaços armados em cães com pulgas em defesa do dono do blog, creio que sem mandato nem nada... mas vêm.
-(*)
- São uns chiquititos-espertos que pensam crescer aos olhos de outros quando, do alto da sua prosápia, moralistas de meia-tigela, casquinham como um cãozito agarrado às canelas...
- Zzzzzzzzzzzz ronnncc ...zzz ronncc
- Vai daí concluí que uma boa parte desta malta não passa de uma cambada lambe-botas, mal-amados, vêm para os blogs em busca de consolo e reconhecimento, mesmo anónimo, percebe?
- Zzzzzzzzzzzzzzzz ronc zz ronc zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz

- Depois há umas pessoas que gostam de picar... e depois ficam todos muito ofendidinhos... e é um horror dr... uma pessoa se dá uma bicadazita é o fim do mundo!
- ZZZzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz ronc ronc zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz
- Além disso, toda a gente sabe que eu sou excêntrico. Não engano ninguém, dr! Excêntrico, mas autêntico. Sem merdas.
- ZZZZzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz ronc ronc zzzzzzzzzzzzzzzzzzzz ronc
- dr... dr.... DR!!!
- Hã... roñc... hã... nham...
são 85 euros...


IDEIAFIX

- Ó Zé, Zé! Temos os tribunais, os edifícios, com problemas. São infiltrações de águas, elevadores que não funcionam, instalações sem condições mínimas de segurança, de higiene...
- Ó diabo! Bom... Alberto, emite uma nota a culpar os gajos!
- Bem... é que eu acho que desta vez não podemos culpar os juízes...
- Não?? Ó diabo! Bom... temos de arranjar uma solução.
- Vamos ordenar a reparação daquelas anomalias?
- Está doido? Envia mas é uma circular aos funcionários e ameaça os fulanos, manda-os calar e que não deixem que alguém veja aquilo!
- Mas assim não se resolvem os problemas!
- Pois não. E depois? Assim, ninguém fala deles! Percebes?
- Mas os problemas continuam...
- Pois. Mas é uma questão de tempo.
- P'rás reparações?
- Não Alberto. P'ra eu arranjar maneira de culpar os gajos...

quinta-feira, março 30, 2006

SIMPLEXIFICAÇÃO

- Fachavor, nome!
- Albertix Costix.
- Ah! sôrmnistro! Então hoje veio ao nosso hospital!
- É verdade. Venho à consulta de psiquiatria.
- Ah! Mas para o sôrmnistro não é aqui.
- Ah não?
- Não. Quando a incapacidade é pública e notória, enviam-se os pacientes directamente para o hospício.
- Como disse?
- São ordens! É a nova desburocratização. Evitam-se os passos inúteis, percebe?
- Mas... é inadmissível!!!
- Não, não. É simplex!

SIMPLEXMENTE

-Ó Zéideiafix.
- Diz, Pereirex.
- Ando preocupado com o simplex.
- Quem ? O Albertix?
- Não. O programa simplex.
- Ah! Então porquê?
- ...é o sufixo...
- !? sufixo?!
- Sim, parece-me instável.
- Quem, o Fernandix?
- Gaita, não! O sufixo, o "ex" de simplex!
- Ai Pereirex, desembucha de uma vex, digo, de uma vez!
- Ó Zéideiafix, tenho medo que ele teime em querer ser prefixo...
- GGrrunnhhhnnhnhnhn...
- Espera! Espera! Já viste se o simplex perde o sufixo para prefixo de segurança? Fica ex-segurança... e depois...
- GGRrrrnnhnhnh cof cof cof....

quarta-feira, março 29, 2006

QUESTÃO SOCRÁTICA: REMODELO OU NÃO REMODELO?

-Ó Zé, ZE´!
- Que excitação! Diz lá Alberto !
- 'Tou farto de acusações gratuitas! Repara que nós os políticos temos sido alvo de enormes acusações gratuitas! GRATUITAS!!
- É verdade! Uns energúmenos...
- Tenho a solução!
- Óptimo! Qual é?
- Acabar com a gratuitidade! É simples: é só implementar uma taxa pesada a pagar por quem pretenda apresentar queixa contra ou denunciar um político!! Que tal?
- Ó Alber... (oh não!) As tuas soluções Alberto...!!! Ó f*#"=&%cumC"^~"/+*! (isto não me está a acontecer...)

BORREGOS E OUTROS TORDOS

- Com borregos?! Queres tu dizer... borregos e louras..?
- Mais: quero dizer juízes!
- Ó Zé, achas os juízes uns borregos?
- Na verdade... não acho. Mas comportam-se como tal.
- Como assim?
- Ora, como assim, Pereira?! Os juízes têm aquela coisa da "dignidade", a "posição", o "cargo", a "postura", a "respeitabilidade", a "titularidade de órgão de soberania", tudo muito bonito, mas que acabam por ser formas travestidas de borreguidade, o que só nos convém. Vê lá tu se nós tivemos algum pejo em dizer que eles eram uns malandros que só queriam férias? Ou em alimentar constantemente a idéia de que a justiça está de rastos por culpa deles?
- Pois...
- Vê lá se nós temos pruridos ao tentar criar um foro especial para nós, nas barbas da carneirada, e se viremos a ter algum melindre quando decidirmos controlar os tribunais que realmente decidem, os superiores?
- Pois...
- Pois é Pereira, os tipos estão tolhidinhos, atados de pés e mãos à sua própria idéia de grande dignidade! Estão ali. São um alvo fixo. Caem que nem tordos... Dignos, eheheheheh, mas tordos! Borregos! Percebes, Pereira?
- Pois...

segunda-feira, março 27, 2006

O PASTOR

-"Não se é líder batendo na cabeça das pessoas - isso é ataque, não é liderança "!
- Ó Pereira, quem é que disse semelhante disparate?
- Diz aqui Zé: Foi o Eisenhower!
- Pois... mas o Havelock Ellis disse também que "Para se ser um líder de homens é preciso virar-lhes as costas"! Essa é que é!!
- Ó Zé, a idéia de virar-lhes as costas... parece-me... pois...
- Eu gosto! ... mas... ouve esta: "A liderança é a capacidade de conseguir que as pessoas façam o que não querem fazer e gostem de o fazer". Do Harry Truman. Percebes Pereira? Esta sim, é a que eu adopto! Funciona bem com borregos...

quinta-feira, março 23, 2006

MEDIDAS DE ATAQUE À JUSTIÇA, perdão, À MOROSIDADE NA JUSTIÇA

- Olha-me pr'a isto, ó Zé.
- Diz lá, Alberto.
- "O Governo vai substituir as comarcas por uma unidade de referência mais ampla, uma proposta incluída na revisão do actual mapa dos tribunais que deverá estar pronto no final do ano, disse hoje o ministro da Justiça"!!! É inacreditável como estes jornalistas deturpam as coisas!
- Na verdade, há algo de estranho... mas não consigo ver...
- O que eu disse foi: "O Governo vai substituir nas comarcas a unidade de referência por uma mais ampla: Em vez do quilo vai passar a ser usado o metro cúbico no cálculo das pendências processuais por juiz".

terça-feira, março 21, 2006

GATO-SAPATO

- Tenho de reconhecer que desta vez... sim senhor, caro Alberto!
- Ó Costa, não fui eu. Mérito do Zé.
- A revisão do mapa judiciário vai "permitir responder a problemas de insuficiência de meios humanos através de um ajustamento das respostas institucionais às áreas onde a procura realmente se concentra", sim senhor...!
- 'Tá bem visto, num 'tá?
- 'Tá, pois! Com' é qu' eu nunca pensei nisso? Sendo inamovíveis, só resta uma solução: Criar um espaço judicial dentro do qual não seja possível colocar a questão da inamobibilidade! Eh, eh, eh...
- Vão ser estas as bases do que me atrevo já a apelidar de "juiz-bombeiro". Ih, ih, ih...
- Eu chamo-lhes... baratas tontas... Ih, ih, ih, ih, ih...

quarta-feira, março 15, 2006

PANDEMÊNCIA GOVERNATIVA

- Alberto! (...) Albeeerto!!
-(*)
- ALBERTO!!!
- Chiça Zé, até me assustei, pá! Que é que se passa?
- Ó Alberto, é inadmissível! Inadmissível!! Olha para isto: Diz aqui um daqueles... fulanitos da justiça... um tal... ah! está aqui: Afonso! Diz ele: "Calunia-se a magistratura acusando-a de «preguiçosa, negligente, incompetente, prepotente, responsável pela ineficácia do sistema»".
- Sim, Zé, e depois?
- Depois?! DEPOIS?! O que é que eu disse? Não disse que também os acusasses de serem desleixados, baixinhos uns, altos outros, gordinhos, magritos, cabeludos, carecas, culpados pela sopa fria, a doença dos pezinhos, a incompetência da oposição, o joelho do mantorras e a apatia do sporting? hã? HÃ?!

domingo, março 12, 2006

AFINAL HAVIA OUTRA

- Ó Pereira, olha para isto: A Constituição de 1933 cabia, perfeitamente, no conceito de Constituição semântica formulado por K. Loewenstein, uma vez que o seu sentido literal é ultrapassado, esvaziado ou distorcido pela prática constitucional.
- Sim, toda a gente sabe isso... A Constituição não tinha nenhuma espécie de autenticidade na aplicação... e depois?
- É uma injustiça! Uma injustiça!!
- Ó Zé, nem eu te percebo, pá.
- Tanto trabalhinho a mudar tudo para que tudo fique na mesma e agora é que me dizem...??!
- Ai, Zé! Explica-te!
- ... e eu que gosto de ser original: A pouco e pouco, imposto passa a confisco, mais a subida das taxas moderadoras - que belo eufemismo! - na saúde, propinas na educação, consegui escamotear em tantas e tantas nomeações o princípio da legalidade e finjo que o Estado é de direito, finjo também que ele é social - até consegui enganar os velhinhos - , elevei a legitimidade democrática ao nível do melhor autismo, mantenho a justiça com rédea curta, que a pouco e pouco faz o que eu mando, a "independência" dos tribunais é uma miragem e cada vez mais coisa do Governo... tudo! Tudo!! Tanto trabalhinho a transformar a de 76 numa constituição semântica e vêm agora dizer-me que já houve alguém antes de mim que fez o mesmo??!!! Buuuáááááááááááááá

terça-feira, março 07, 2006

UNIDADE DE RESPOSTA TÁCTICA NO SEIO DA PELÍCIA JEDICIÁRIA

Trriiiiimmmmm
- 'Tou. Pelícia jediciária. Fachavore.
- Olhe daqui é do gabinete do mnistro da jestiça. Desapareceu o pisa-papéis do senhor mnistro. Pode mandar cá o piquete?
- Muito bem, vou transmitir, nomeadamente ao chefe.
- Chefe: bbsscchhiisssbcbsshsicbsbsicshsc!
- Ena pá! É melhor falar com o Director!
- Senhor director: bschsiibcsshciisshcbciisbcsh!
- Ulálá! É grave!
- Ó senhor director, não será melhor enviar a nova equipa onde pessoas particularmente competentes e treinadas dão apoio a operações onde os riscos e a perigosidade são importantes?
- Ó Gervásio, mas essa equipa só se deve utilizar, por exemplo, quando é preciso entrar em certos locais que oferecem características de perigosidade e de risco!
-Exactamente chefe! É o mnistério da jestiça, Chefe!!!

segunda-feira, março 06, 2006

'TOU QUE NEM POSSO!

- Estou impressionado! Im-pre-ssi-o-na-do! Impressionadíssimo!!!
- Bolas, Zé, desde que voltaste da Finlândia que andas assim... ninguém te atura!
- É que estou deveras impressionado!
- Sim, mas com quê, com quem?
- Bom, fui à Escola Bàsica de Ressu. Imagina tu, Pereira, que os tipos desconhecem o significado da palavra 'propina'! Vê tu! Propina!!!
- Chiça, pá, que atrasados...
- Mais: Imagina tu que desconhecem o conceito de 'dificuldades de aprendizagem'!
- Realmente, Zé, só visto! Ih ih ih! Calhando nem têm aulas suplementares...
- Mas há mais: Na Finlândia os melhores alunos "querem ser professores"! Imagina... Professores!!! Ih ih ih! E sabes porquê, Pereira?!
- (Ih ih ih!)
- Ser professor significa respeitabilidade social. AARRARAAAHHHHH AhAhAhAhAhAh!!!!!!
- Ih Ih Ih Ih !!! Eh Eh Eh Eh Eh UI UI Ah Ah Ah Ah!!!!

domingo, março 05, 2006

PAPAS E BOLOS

- Fernando, Alberto, Pereira... por favor, sentem-se. Obrigado por terem vindo a mais esta reunião.
- O que é agora? Aposto que o assunto é o... Freitas! 'Tá-se mesmo a ver que o tipo...
- Não, não, Fernando, a questão é outra. Como sabem, é minha opinião que o mais difícil está por fazer e o pior ainda está para vir.
- Pois... eu essa não percebi, ó Zé: Ora, se nós já esgotámos todas as soluções, como é que...?
- Precisamente!
- Precisamente? Ó Zé explica lá isso!
- "O mais difícil está por fazer", ou seja, durante os próximos três anos, fingir que governamos este barco sem hélice e sem leme, sem que ninguém se aperceba da deriva e do vazio!
- E "O pior ainda está para vir", isto é, o que fazer quando as clientelas se levantarem...
- O povo?
- Povo? Qual povo, Pereira, qual carapuça!? Tens de pensar como um gestor de empresas: Quem são os teus clientes? Percebes?
- Pois... sendo assim...! Mas... e o povo?
- Ah! Pereira, Pereira... O povo!! O povo? Papas e bolos, caraças, papas e bolos... e logo se calam!
- E é baratinho eh eh eh eh...

sábado, março 04, 2006

TO BE OR NOT TO BE

- Vamos manter secreta esta reunião. Ouviram?... Pereira... Alberto?
- Ok.
- Claro, Zé!
- Devo dizer-vos que, como o Pina disse, esta dos "tribunais de elite para gente por assim dizer de elite e tribunais 'comuns' para gente comum" é... sublime. Vamos agora definir a estratégia a seguir com vista à obtenção de um verdadeiro e real foro especial para nós... quer dizer, para os políticos...
- ... Nunca se sabe quando vem a fazer falta...
- Pois... Devemos agora prosseguir, Alberto, com a reforma da organização judiciária nos moldes já assentes...
- Mas olha que já nos toparam, pá. O Bruto até já escreveu algo sobre isso.
- Ó Alberto, às cabeças pensantes ninguém ouve e o povo é... tolo. Basta, na altura certa, umas quantas papas e bolos...
- Muito bem. Assentamos então, como objectivo político de curto/médio prazo, na defesa dos Tribunais das Relações e o Supremo Tribunal de Justiça passarem a ser compostos por Juízes nomeados preferencialmente ou totalmente pelo poder político, certo?
- Certo!
- Mas.. e os juízes? calam-se? ...Quer dizer, "consentem"?
- Humm!
- Pois...

quarta-feira, março 01, 2006

VALA-COMUM

- Ó Fernando, que bela maneira de arrumar de vez com os tipos: "Em Portugal, o espaço médio ocupado por funcionário é de 75 metros quadrados, enquanto que na União Europeia representa cerca de 25 metros quadrados, o que é revelador de alguma ineficiência".
- Caro José, faço o que posso...
- É pouco...
- Ó Alberto, é pouco?
- É.
- Mas olha que com isto já temos os funcionários públicos de gatas...
- É pouco... é... flat.
- Flat?!? Ó Alberto, mas então o que farias tu?
- Faria? não! Faço, farei e tenho vindo a fazer: tridimensionalidade!
- Ui, não me assustes... não me digas que as pobres vítimas são...
- Juízes e procuradores. A minha especialidade....
- Sim, mas... tridimensionalidade?

- Claro! o Fernando só fala em metros quadrados e eu... aposto na profundidade: Sete palmos de terra!!!

terça-feira, fevereiro 21, 2006

SAVOIR-FAIRE

- Ó Zé, não estará na altura de trocar o Alberto?
- Ó Pereira, francamente... Mas porquê?
- Olha, já se diz, por exemplo, que a solução das férias judicias é para parolo ver; que é um acto que passa com magestade ao lado dos problemas... e tal... Se calhar, o melhor era substitui-lo...
- Pois... por isso mesmo é que...
- Repara! Repara que há já quem faça o balanço deste ano na justiça oscilando entre o dramático e o desastroso.
- Pois... precisamente!
- Precisamente??!
- Claro! Quem é que irias encontrar para o lugar do Alberto, com esse... savoir-faire?

segunda-feira, fevereiro 20, 2006

TROCAS-TE OU QUÊ

- "O Governo socialista já nomeou 2148 pessoas para gabinetes ministeriais e para o aparelho de Estado". Ó Pereira, tu 'tás a ver isto? Que estúpidos!
- Ó Zé, não faças caso. É a ignorância a falar...
- Tens razão. Afinal, íamos nomeá-los para que lugares? De empresas privadas?!... dãhh... estúpidos...
- Olha, olha... Sabes que não é mal lembrado...? Eu até conheço o... (hum), bem... e criava-se um regime especial para... (humm, hum)...
- Adoro ver-te assim entusiasmado, Pereira...

COISAR A COISA

- Ó António...
- Caro Alberto... Diz.
- Olha lá. Ando encafifado com aquela história da histeria anti-judicial e tal e... que tem contribuído para enfraquecer o Estado de Direito e tal...
- Epá... isso é verdade, não podemos escamotear. Eu próprio, quando fui ministro com essa pasta tive enormes dificuldades e...
-'Tá bem, 'tá bem... mas os tempos eram outros...
- Eram! Bem... eram e... não eram...
- Ouve lá. Sejamos francos: Há outra maneira de... 'coisar' a coisa?...
- 'Coisar'...?
- Epá... de... 'tás a ver... epá... pôrra: se não for assim, desacreditando a justiça, como é que se consegue dar a volta à 'coisa' do Casa Pia, dos autarcas corruptos, dos apitos dourados... Epá... 'tás a ver...?

sexta-feira, fevereiro 17, 2006

O ESTUDO... OU NADA!

- Ó Silva...
- Senhor ministro...
- Tenho aqui alguns assuntos para estudo... temos assessores disponíveis?
- Estão cá o Asdrúbal e a Umbelina, senhor ministro.
- Muito bem. O Asdrúbal que veja aquela situação das jantes especiais para os meus automóveis; e a Umbelina que trate de conseguir a substituição dos sofás do meu gabinete...
-É tudo, senhor ministro?
- Não. Incumba o Aniceto de elaborar um estudo... mas que pareça um estudo prévio e que pareça credível... segundo o qual a redução das férias judiciais nos Tribunais iria gerar um aumento de produtividade da ordem dos 10%.
- ! Mas... ó senhor ministro, o Aniceto é... porteiro...!
- E então? O estudo é para juízes...

DIÁLOGOS FICTÍCIOS ou COM A VERDADE ME ENGANAS

- Senhor ministro...
- Diga lá, Silva.
- Ó senhor ministro... está aqui o requerimento de um juiz a pedir cópia do tal estudo credível segundo o qual a redução das férias judiciais nos Tribunais iria gerar um aumento de produtividade da ordem dos 10%.
- O quê?! Mas... qual estudo?!
- Pois...
- ... mas ... quem foi o gajo da ideia do estudo credível segundo o qual a redução das férias judiciais nos Tribunais iria gerar um aumento de produtividade da ordem dos 10%?
- (!)
- Ouviu Silva?!! Quem foi o asno??!
- ... foi... foi... hã... hrrum ... vossa excelência, senhor ministro...

ENTRELINHAS

- Ó Evaristo!
- Senhor ministro...
- Há-de averiguar o estado daquela acção que os juízes dos TAF intentaram contra nós, por causa daquela coisa da igualdade...

(tempos depois)

- Senhor ministro, relativamente àquela acção de que me falou... já há sentença...
- Ah sim? e então?
- Prevaleceu a justiça, senhor ministro.
- Ó homem, interponham já recurso, já!

quinta-feira, fevereiro 16, 2006

SERÁ POR SEREM JUÍZES?

Lê-se no intróito do Decreto-Lei n.º 28/2006, de 15 de Fevereiro:
"Ao abrigo do artigo 7.º daquele diploma, foram aprovados os Decretos-Leis n.os 73/2002 e 74/2002, ambos de 26 de Março, que definem a organização dos serviços do Supremo Tribunal Administrativo e do Supremo Tribunal de Justiça, respectivamente. O artigo 17.º de ambos os diplomas estabelece que é aplicável ao pessoal que exerça funções nos supremos tribunais o disposto no artigo 26.º do Decreto-Lei n.º 545/99, de 14 de Dezembro, que organiza a composição e o funcionamento da secretaria e dos serviços de apoio do Tribunal Constitucional. Esta possibilidade não existe, porém, para o pessoal que se encontra a exercer funções nos tribunais da relação e nos tribunais centrais administrativos, não obstante se verificar que existe hoje identidade do respectivo conteúdo funcional, mostrando-se assim afectado o princípio da igualdade de tratamento. O sistema retributivo do emprego público deve estruturar-se com respeito pelo princípio de igualdade, que impõe, na sua dimensão interna - corolário do princípio constitucional plasmado na alínea a) do n.º 1 do artigo 59.º da Constituição -, salvaguardar a relação de proporcionalidade entre as responsabilidades de cada cargo e as correspondentes remunerações e, bem assim, garantir a coerência remuneratória entre cargos no âmbito da Administração.". (sublinhados nossos)

A situação que este diploma legal vem regular, relativa a funcionários, era uma das que carecia de urgente resolução.

Afinal, parece que o Governo conhece as normas e os princípios, designadamente o da igualdade.

O Governo, porém, não tem uma postura uniforme.

Acontece que, como toda a gente já sabe, há um grupo de JUÍZES cuja situação estatutária, quer do ponto de vista legal quer em sede de trato administrativo, é de absoluto atropelo, entre outros, do princípio da igualdade.

Tinha prometido a mim próprio não contar hoje anedotas, mas aqui vai para quem ainda não sabe esta:

Na jurisdição administrativa e fiscal há um grupo de 83 juízes que, embora providos em lugares efectivos de tribunais de círculo, exercendo as funções, obviamente, de juiz de círculo, têm um estatuto remuneratório de juízes de direito e são remunerados como juízes... estagiários!!! SENDO CERTO QUE O SEU ESTÁGIO TERMINOU NO DIA 31 DE DEZEMBRO DE 2003!!!

Sim, DOIS MIL E TRÊS!

E, sem qualquer outro factor distintivo que não o momento da nomeação e consequente aplicação de diferente legislação, todos os restantes juízes desses tribunais, que ali trabalham 'ombro a ombro', têm o vencimento de juízes de círculo, e muito bem!

Ora, em relação aos senhores funcionários houve uma alteração da lei com vista à observância da igualdade salvaguardando-se a relação de proporcionalidade entre as responsabilidades de cada cargo e as correspondentes remunerações e, bem assim, garantir a coerência remuneratória entre cargos.

Será que o Governo se abstém de aplicar o mesmíssimo princípio da igualdade e os demais constitucionalmente consagrados pelo facto de, neste caso, se tratar de juízes???

É do caraças...

quarta-feira, fevereiro 15, 2006

É DO CARAÇA!

Dizia o Bento Caraça: "se não temo o erro é porque estou sempre disposto a emendá-lo".

Quem não vai com a caraça do Bento é o caraças do ministro da justiça.

Caso contrário já teria admitido o erro do caraças que cometeu ao legislar sobre matéria de férias judiciais que, obviamente, não dominava.

E admitindo-o sob a melhor forma: com a solução do Caraça: Emendá-lo!

E como?

Tal como vem sendo reiteradamente reivindicado, simplesmente acabando com o período de férias judiciais, permitindo-se que todos tenham férias nos termos gerais, assim eliminando os caraças dos problemas que na actual situação se levantam.

Eis uma solução à moda do Caraça que é do caraças!

Infelizmente, o mais provável é o ministro enfiar a caraça nº 5 (desprezo total e sobranceria), marimbar-se para o Caraça e mais os caraças dos juízes, magistrados do MºPº, advogados e funcionários.

E com isso, marimbar-se para os cidadãos, sendo deles o maior prejuízo.

...é do caraças...

terça-feira, fevereiro 07, 2006

RES IPSA LOQUITUR

Ó Silva!
Senhor ministro?
Está aí algum dos meus motoristas?
Está o Evaristo senhor ministro.
Mande-o cá.
O Evaristo parou à porta do gabinete e deu dois toques, mesmo por debaixo da placa "Ministro da Justiça".
Entre!
Senhor ministro...
Prepare o automóvel. Vamos sair.
...Ó homem, ande lá!
Senhor ministro... é que...
Ó homem, desembuche!
Receio que não possamos sair... de automóvel, senhor ministro.
Essa agora! Mas porquê?
Não há gasolina, senhor ministro.
Não há gasolina?!
Não, senhor ministro. Ainda não chegou a autorização judicial para a respectiva despesa de aquisição de combustível para o automóvel de vossa excelência.

(Aqui)

segunda-feira, fevereiro 06, 2006

BRONCODEMOCRACIA

Broncodemocracia é a democracia dos broncos, feita por e para broncos?

Sim, poderia ser.

Mas este blog não é para brincadeiras (cof, cof).

Aliás, este é um assunto sério (reparem como não me rio!)

Broncodemocracia = Doença do grupo das pneumonias em que a inflamação atinge a democracia e os tecidos social e político.

É uma doença terrível que conduz lenta mas inexoravelmente à extinção das nações, caso não se tomem medidas para a sua cura e erradicação.

Desde a Antiguidade Clássica, e antes até, que é conhecido o remédio: Civilização.
Sempre em doses superlativas.

O problema é que a civilização é um bem raro e, também por isso, muito precioso.
E não se encontra à venda nas farmácias.

É produzido no seio da família, da comunidade, do povo, da nação.

Mas requer massa crítica suficiente para a ignição da sua produção, sem a qual nada se produz.

Por sua vez essa massa crítica é determinada por doses adequadas de educação, de conhecimento e de valores humanos.

Numa sociedade desiquilibrada, ou seja, em que há muitos sem educação e sem conhecimento e uns poucos com resquícios apenas e a mais das vezes despidos de valores humanos, estes poucos tendem para a arrogância, o despotismo e mesmo, num fenómeno bem português, para o chico-espertismo.

Já outros tendem para a elefantíase esquizofrénica sob forma de dança em loja de cristais.

Com tudo isso comprometem a meta da educação para todos, impedem que o conhecimento chegue a todos, inviabilizam a entronização dos valores humanos, o que por sua vez condiciona a produção de civilização.


E, como vimos, sem civilização não há cura para a broncodemocracia.

Estaremos condenados a uma pandemia de broncodemocracia?

O CARTOONISTA

O DN de hoje diz que os "Juízes revoltados evitam julgamentos depois das 17".
E acrescenta: "Há audiências marcadas só para 2008 na sequência desta espécie de 'greve de zelo' dos magistrados".

O que o jornal não diz é que a dita "revolta", e reparem na actualidade do tema, surgiu na sequência da publicação de sucessivos cartoons.

Maomé?
Não! Juízes!

E que dons artísticos denota monsieur le ministre.
Conseguiu, em poucos meses, transformar a magistratura portuguesa numa verdadeira caricatura de si própria aos olhos do cidadão.

Viva a liberdade!

Neste caso doméstico, porém, há novidades.

Não há fiéis para 'defender' o bom nome dos juízes.
Pelo contrário: Os fiéis vêm com sete pedras na mão e apoiando-se entre si, qual MAO (Multidão Acéfala Orientada), lá vêm balindo: Mmmmééééhéhéhéhéhéééé!

E depois surge cada bomba... de fumaça!
Não há, porém, necessidade de se queimarem "embaixadas" (basta deixar que elas caiam por si, pelos absurdos cortes orçamentais que mais não são do que fósforos e gasolina para aparentar auto-imolação pelo fogo).

Enfim... umas quantas bandeiras também foram queimadas pelos fiéis fundamentalistas, tais como: Os tribunais como órgãos de soberania; Os seus juízes como titulares de um órgão de soberania; Justiça em tempo útil; O cidadão como o principal beneficiário do sistema de justiça. Sem esquecer, claro, a democracia e o estado de direito.

Em verdade vos digo:

Como esta sociedade tem comportamentos que, por vezes, fazem inveja a um fundamentalista islâmico, impõe-se contra o obscurantismo e a desinformação que se informe e diga a verdade.

Ninguém explica de molde a ser ouvido pelo cidadão comum, nem a ASJP (sobretudo a ASJP), que a questão não é a diminuição das férias judiciais, mas antes a reivindicação de acabar com elas! (Se isto fosse dito ao cidadão comum, este ficaria muito admirado e diria: "Ora gaita, e eu a pensar que os gajos queriam era férias e mais férias. Estamos a ser enganados pelo cartoonista. Ora deixa-me cá ver o que é que afinal está verdadeiramente em causa").

Assim como também é importante relevar e enfatizar um pequenino exercício de raciocínio: "Se não realizar audiências depois das 17 horas conduz a que já se marquem julgamentos para 2008, é caso para evidenciar que, afinal, o trabalho realizado depois das 17 horas era uma parte substancial, de tal modo que a sua não realização deixa a nú o rei".

E, em consequência, uma simples constatação (mas é preciso ser dita): Afinal, o sistema vinha funcionando com trabalho extraordinário!

Mas, como o trabalho extraordinário não é (nem era) remunerado, podemos concluir que, afinal, o sistema de justiça lá vinha funcionando à custa de trabalho gratuito de juízes, de magistrados do Mº Pº, de funcionários...

(São estes pequenos-nada que por vezes "abrem" os olhos do cidadão).

quarta-feira, fevereiro 01, 2006

MÁQUINA DE LAVAR

"Para quê um ministério da justiça ?
Contributo para A construção do Poder Judicial e para a Reforma Judicial Por Dr. Lúcio Teixeira, Juiz Conselheiro do STJ (Jubilado)" In Portal Verbo Jurídico.

A páginas tantas, e entre tantas e tantas importantes observações (o melhor é ler tudo, tudo, tudo), diz-se:
"Dê-se a saber que o Estado Inglês não contempla esta figura governativa [ministério da justiça] e que a sua Justiça é prestigiada, disciplinada e orgulhosa do seu estatuto: Pense-se na censura feita um dia pelo órgão judicial disciplinar inglês a um seu Juíz por se fazer deslocar em transporte público. E que defendendo-se esse Juiz com o argumento de que o seu carro tinha enguiçado lhe foi objectado como agravante que ganhava o suficiente para ter dois ou mais carros.".

Não é a questão remuneratória que releva, obviamente.
Releva, isso sim, a postura institucional de prestígio e dignificação da magistratura no Reino Unido.
Parece evidente que para ser alcançado um tal nível é também necessário um Estado conduzido por pessoas de alto nível, bem formadas, seguras, maduras, altruístas, com elevado sentido de Estado, competentes.
Ou seja, tudo aquilo que Portugal não tem nem é.
Sendo certo que essas pessoas não virão do nada.
Vêm da sociedade que somos e que temos.
Por isso, cada vez mais, acredito que vivemos nos limites daquilo que são as nossas competências colectivas, com honrosas excepções.
Não adianta arengar com a grandeza das "descobertas", da "expansão marítima" dos "novos mundos ao mundo" e essas balelas que, afinal, pouco acrescentam aos factos puros e duros.
(Aliás, é "estatuto" recorrentemente esgrimido sempre que se sente necessidade de afirmação nacional, argumento velho de cinco séculos, o que bem denota a pobreza e a falta de argumentos da "grandeza" moderna e mesmo actual deste país)
Mesmo admitindo essa "grandeza" antiga, verifica-se que ela, afinal, pouco beneficiou aquilo a que podemos chamar a "civilização" ou os sinais civilizacionais ou o grau de civilização dos portugueses.
Com honrosas excepções, maioritariamente personificadas nos manéis e nas marias anónimos, esta continua, a mais das vezes, a ser terra de gente menor, mesquinha, preocupada com o seu umbigo, em bicos de pés, subserviente na mó de baixo e arrogante na mó de cima.
Vão ser necessários anos e anos de lavagem com detergente civilizacional, com lixívias axiológicas, com branqueadores ontológicos, para que este tecido social (especialmente o politica e socialmente preponderante) se apresente com a brancura desejável.