terça-feira, outubro 31, 2006
A CAVE DO SUBTERRÂNEO
"são meras irregularidades";
"a lei é muito recente e por isso...".
Também houve quem dissesse que "os partidos têm algumas dificuldades em fazer a consolidação das contas"...
Pois é... porque será??
A minha preferida, todavia, é esta:
"A lei do financiamento das campanhas eleitorais é uma lei muito rigorosa e mais difícil de cumprir do que as anteriores".
Tsch, tsch... que chatice!!
No fundo, no fundo, eu sabia que algum cidadão português haveria de encontrar uma boa justificação para, por exemplo, não pagar impostos.
Na minha próxima declaração de rendimentos nada vou declarar.
Vou apenas invocar o rigor da lei fiscal e a enorme dificuldade que tenho em cumpri-la.
Espero obter o mesmo benefício, evidentemente.
Houve ainda quem dissesse que "concorda que todas as contas devem ser transparentes, claras e rigorosas e está a fazer tudo, do ponto de vista interno, para que a lei possa ser aplicada convenientemente".
Assim, sim.
Ficamos a saber que "para que a lei possa ser aplicada convenientemente" os partidos políticos concordam com a transparência, a clareza e o rigor das contas partidárias.
Meus amigos, há um novo requisito de validade e eficácia da lei: A concordância partidária.
Portanto, agora é assim: Aprovação pelo PAR, promulgação do PR, referenda do PM e concordância partidária!
Podemos dormir descansados!
O SUBTERRÂNEO
Falta de meios?
Falta de vontade política?
Falta de reivindicação de cidadania?
Falta de ...
Não, não e não e não!
Apenas por um único e singelo motivo:
A corrupção neste país é do tipo insidioso!
É uma corrupção difusa de tipo insidioso!
Não há maneira de a combater directamente.
Especialmente porque ela vem, em regra, travestida de legalidade formal, com pezinhos de lã.
E, em regra também, traduz comportamentos por todos nós aceites como "normais".
É um je ne sais quoi.
Ce je-ne-sais-quoi, si peu de chose qu’on ne peut le connaître, entranha-se até aos ossos da coisa pública e suga-lhe o tutano.
O nosso tutano.
Enfim...
quinta-feira, outubro 26, 2006
SE BEM QUE NEM POR ISSO NEM POR TÃO POUCO
Já percebi!
Ou me dedico aqui aos jogos florais ou fico sem "clientela"...
Sim, porque isto de zurzuir nas orelhas do poder não traz popularidade a ninguém, especialmente perante políticos de tão elevada... elevada... firmeza! Isso! Firmeza e capacidade para... para... para, brava e corajosamente, bater na cabeça dos pequenos e nas costas dos grandes.
Mas, agora reparo, lá vou eu novamente!
Chiça!
Já chega!!!
Até porque houve em Portugal quem se tivesse dado muito bem na vida, sem um tostão furado.
Para o provar e para desanuviar, embarcando desde já na cena-dos-jogos-florais-interessantes-que-põem-toda-a-gente-bem-disposta, aqui vai:
SONETO DO EPITÁFIO
Lá quando em mim perder a humanidade
Mais um daqueles, que não fazem falta,
Verbi-gratia — o teólogo, o peralta,
Algum duque, ou marquês, ou conde, ou frade:
Não quero funeral comunidade,
Que engrole "sub-venites" em voz alta;
Pingados gatarrões, gente de malta,
Eu também vos dispenso a caridade:
Mas quando ferrugenta enxada idosa
Sepulcro me cavar em ermo outeiro,
Lavre-me este epitáfio mão piedosa:
"Aqui dorme Bocage, o putanheiro;
Passou vida folgada, e milagrosa;
Comeu, bebeu, fodeu sem ter dinheiro".
BOCAGE
terça-feira, outubro 24, 2006
CONFISSÃO
Cândido da Purificação Sonsinho e Aparvalhado, também conhecido por xavier.
Se não é o meu nome, é, pelo menos, como me sinto.
E este blog é a minha manifestação de loucura e de revolta.
Assumidamente excêntrico.
Antes que estoire!
E pensar que milhões de mães pariram milhões de filhos para isto.
"Isto", é a merda em que este país se afunda!
Devo confessar ainda que estoirar aqui permite-me ali (no meu local de trabalho, como também enquanto cidadão) produzir o máximo e o melhor que posso e sei.
Porque disso não abdico!
Eu faço, sempre procurei fazer, proponho-me continuar a fazer, e seguramente farei, a minha parte!
Para que conste...
VÃO MAS É TRABALHAR, PRIVILEGIADOS!!!
E se os políticos o dizem é porque é verdade!
Aliás, uma boa parte da população papou esta hóstia consagrada à demagogia e sente agora, certamente, profunda satisfação interior por terem sido abençoados na sua pobreza de espírito.
Amén.
Portanto, não subsiste dúvida de que a culpa do estado depauperado do país é:- dos juízes e dos seus "privilégios", a saber, as férias judiciais (as dos processos, entenda-se, pois as férias das pessoas que trabalham nos tribunais é igual á da restante função pública, mas para piror, já que não podem gozar férias quando querem mas apenas quando a lei permite!) e o sistema de saúde SSMJ que não onerava o Orçamento do Estado. Eram estes (pelo menos foram os únicos "privilégios" atacados pelo Governo) "fabulosos" "privilégios" que derrotavam o país!
- dos médicos e dos seus "privilégios", "privilégios" que eram formas de sustentar um sistema de saúde de administração obsoleta, desajustada e decrépita, incluindo a formação de novos médicos (ou a sua falta!)!
- dos professores e dos seus "privilégios" que são... que são... sei lá, alguns hão-de ser, pois então! Olhem por exemplo, querem ser dignificados enquando professores! Pode lá ser tamanho privilégio!?
- dos reformados com rendimentos de 500 e poucos euros, esses filhos-da-mãe-privilegiados-que-engordam-á-nossa-custa-malandros-e-tal!
- dos deficientes, outra cambada-de-privilegiados-chupistas-malandros-e-assim!
- dos funcionários públicos, especialmente aqueles admitidos para trabalhar sob as ordens de uma hierarquia de quadro inflacionado pela necessidade de os partidos políticos ali colocarem as suas clientelas! Funcionários públicos sim, essa cambada-de-privilegiados-despesistas-que-se-auto-nomearam-indiscriminadamente-e-se-multiplicaram-completamente-à-revelia-das-chefias-que-nunca-realizaram-um-concurso-de-admissão-de-pessoal-na-vida-por-sua-própria-vontade-e-a-mando-sabe-se-lá-de-quem-mas-que-interessava-e-muito-a-certas-clientelas-vejam-lá-os-senhores!!!
- e, já agora, do Josefino Mortalha, esse janado freek das cidades, mas também perdido e achado nas vilas e aldeias, um autêntico "privilegiado", malandro-por-não-ter-aproveitado-as-belíssimas-oportunidades-que-este-país-tanto-se-esforçou-por-alcançar-e-oferecer-a-cada-jovem-nesta-sociedade-justa-e-equilibrada!
Oh! Cristo!
Vem cá abaixo ver isto!
O PAÍS DAS MARAVILHAS - I
Não!
Portugal é um país empobrecido!
Qual a raiz do empobrecimento, grosso modo (e passe o maniqueísmo)?
Os chamados trabalhadores?
Talvez.
Os empresários?
Talvez.
Os políticos dirigentes do país?
Definitivamente, sim!
Os trabalhadores já provaram que sob a batuta adequada produzem e bem, tal como os estudantes estudam e obtêm resultados, como se verifica, em regra, com os nossos emigrantes espalhados por este mundo.
Não me parece que sejam eles, ou exclusivamente deles, a culpa da crise.
Os empresários, na pureza dos seus empreendimentos, dos seus negócios, também se não afiguram responsáveis.
Mas já o serão quando, num jogo de interesses à margem, partilham, fomentam, aceitam, as corruptelas de um sistema que tem primado pelo compadrio, pela chico-espertice, pela subsidiação em detrimento da produção, pela inação em favor da subsidiação ou mesmo em vez da produção, apenas porque nada fazer é também subsidiado.
Os políticos, esses sim, os políticos mais a sua incapacidade, a sua incompetência, as suas clientelas, os seus partidos sempre famintos, os seus jogos de poder, são sem dúvida os grandes responsáveis pela situação do país.
Acredito na democracia, enquanto sistema político moderno capaz e conforme aos valores humanos que as modernas sociedades ditas civilizadas adotam.
No entanto, em Portugal, por fenómenos ainda por explicar pela ciência socio-político-cultural, mas identificáveis nos seus sinais de exteriorização, a governação tem sido desastrosa, favorecendo grupos sociais bem definidos e desfavorecendo outros, num jogo político quantas vezes sujo, corrupto, desvirtuado no seu escopo fundamental, o interesse colectivo ou público.
O actual Governo não foge a essa lógica de desvirtuamento dos valores essenciais da nossa sociedade.
O PAÍS DAS MARAVILHAS - II
Sendo Portugal um país empobrecido, significa que a maioria da sua população está empobrecida.
Por outro lado, entende o Governo que a economia só pode recuperar com maior investimento privado e correspondente aumento das exportações, ou seja, com criação de riqueza, como de resto qualquer manual elementar de economia consigna.
Vai daí, entendeu por bem colocar sobre os ombros já doridos da maioria (os pobres e os empobrecidos) o pagamento da factura do défice das contas públicas e da crise resultante maxime da sua (des)governação ao longo destes anos de chamada democracia.
Ou seja, o trabalho que pague a crise.
Já sobre as empresas e sobre o capital, pelo contrário, aligeira-se o peso da factura.
Tudo em nome de uma coisa chamada recuperação económica.
Mas não se vislumbra qualquer garantia, ou sequer expectativa de que tal venha a acontecer naquela mesma medida em que é pressuposto de decisão política.
Pelo contrário! Estamos é habituados à chico-espertice nacional, ao compadrio, à dependência de subsídios, benefícos vários, que, também aqui, porventura conduzirão à maximização do desfrute da situação favorável criada, mais do que ao investimento e consequente crescimento do país.
Assim, numa sociedade que é suposto organizar-se em torno de valores como a dignidade da pessoa humana e empenhar-se na construção de uma sociedde livre, justa e solidária, acontece exactamente o contrário:
Os ricos, ou seja, o capital cada vez mais favorecido, com o fundamento do fomento do investimento, da produção e do crescimento.
Os empobrecidos, sem voz e sem vez, a pagarem a crise, não do seu bolso já miserável, mas da sua própria dignidade.
Por algum motivo atendível?
Não!
Apenas porque são em maior número, o que multiplicado por euros dá milhões para tapar os buracos que os políticos abriram!
Com o bónus de não se afrontarem os poderes instalados.
É do caraças!
ÀS VEZES M'AVERGONHO
O trabalho que pague a crise.
Já sobre as empresas e sobre o capital, pelo contrário, aligeira-se o peso da factura.
Tudo em nome de uma coisa chamada recuperação económica.
sexta-feira, outubro 20, 2006
PÉROLAS DA (DES)GOVERNAÇÃO
"A criação da taxa de internamento dará qualquer coisa que não chega a dez milhões de euros.
É muito pouco, mas é simbólico, porque valoriza o acto [médico], responsabiliza o paciente e o prestador.".
Ficamos, portanto, a saber que a taxa de cerca de 5 euros por dia de internamento não constitui receita decisiva para o bom funcionamento da saúde.
Ficamos também a saber que serve apenas para valorizar o acto médico!!!!
Valorizar o acto médico???????
E para responsabilizar o paciente!!!!!!
Responsabilizar o paciente???????
E responsabilizar o prestador!!!!
Responsabilizar o prestador??????
Alguém me explica como uma taxa de internamento valoriza o acto médico?
O que é "valorizar"?
Ou como responsabiliza o paciente, se nem depende do paciente ficar internado?
Ou como responsabiliza o prestador se o internamento nem sequer é pago por ele? E sendo a receita "simbólica" para o serviço de saúde nem sequer fica onerado com o encargo ao menos "moral" de melhor prestar os cuidados de saúde?
Será que os Portugueses estão todos taralhocos a ponto de "engolirem" estas 'bacoradas'?
Será que o Ministro da Saúde não percebe duas ou três verdades simples?
Primeira: O sistema público de saúde é utilizado por quem tem menores recursos financeiros (quem tem recursos financeiros suficientes não vai para filas de espera em hospitais e afins);
Segunda: Cinco euros por dia de internamento, contabilizando até 14 dias, é muito dinheiro para os orçamentos magros da maioria das pessoas que utilizam o serviço nacional de saúde;
Terceiro: Em contrapartida, essa taxa nem sequer serve para melhorar o serviço de saúde: Diz sua excelência que serve para "valorizar o acto médico"!!! e também para "responsabilizar o paciente"!!! "e o prestador"!!!.
Mas está tudo louco neste país?
E que tal o Primeiro-Ministro e cada um dos ministros deste país, a começar já por este Governo, pagarem uma taxa a cada português com rendimento abaixo do rendimento médio da Irlanda ou da Grécia (que começaram atrás de nós), do seu próprio bolso?
Uma taxa simbólica!
Porque certamente assim se valorizava o acto político e se responsabilizaria o prestador político e o paciente cidadão português!
JORNALEIROS
Disse-me o meu avô, com ar grave.
E eu levei aquilo a sério.
No plano institucional, obviamente (percebi anos depois).
Já que em sede de conversa da treta todas as ignorâncias são benvindas, pois dessa conversa são elas a matéria-prima.
Vem isto a propósito da onda de desinformação que se abateu sobre os juízes, os magistrados do Ministério Públco, o sistema de justiça de uma maneira geral, pela mão do actual (des)Governo, logo desde o início.
E ainda hoje, a informação nos media sobre questões de justiça ou sobre casos reais em curso judicial é, em regra, um amontoado de asneiras, de palpites, de 'bitaites', de ignorância confrangedora, enfim, de conversa da treta. Mas na versão sem graça.
Numa outra vertente, esta bem mais sabidolas e com fonte certa, o problema surge quando se pretende vender gato por lebre, ou seja, quando a "ignorância" (passe o eufemismo) vem travestida de rigor informativo, pela pena de jornaleiros (não, não é gralha: jornaleiros = os que andam à jorna).
Como em tudo, não se pode generalizar.
Por isso, vivam os jornalistas deste país. Que os há!
segunda-feira, outubro 02, 2006
DE BOAS INTENÇÕES... ( o texto é duro, mas este blog é excêntrico...)
Nem mais!
Questão outra é saber se há cojones para operar essa mudança.
A Administração Pública é uma gigantesca rede de pequenos e grandes poderes, susceptíveis de viabilizar ou paralisar qualquer actividade, qualquer procedimento em curso.
Pode ser, se houver engenho, arte e, sobretudo, VONTADE, uma arma pro desenvolvimento.
Pelo contrário, pode continuar a ser uma ratoeira na qual o desenvolvimento tropeça e cai, se movida por interesses tão escusos quão complexos ou de complexa textura subterrânea.
Quando se descobrir por completo que uma boa parte dos procedimentos e passos procedimentais que a Administração Pública actualmente adopta, embora formalmente no cumprimento de lei substantiva, não são necessários a uma boa administração, logo se perceberá (como já aqui e ali se percebeu) que a primeira linha da reforma da Administração Pública passa pela reforma das leis substantivas (e adjectivas, certamente), daquelas mesmas leis que exigem pareceres, vistos, carimbos, deferimentos, assentimentos, preenchimentos, formulários, cartões, declarações, e mais umas dúzias de outras tantas inutilidades burocráticas que, precisamente, de nada servem mas apenas para a manutenção dos poderes das capelinhas.
Poderes laboriosamente tecidos ao longo de décadas ainda da outra senhora e ao longo de décadas gulosamente aproveitados pelos sucessivos governos ditos democráticos.
Mas, é claro, perspectiva-se haver uma enorme distância entre o que de boa fé e ciência feita diz Luís Fábrica, embora sob encomenda do poder quanto à reforma, e o que o executivo irá previsivel e efectivamente pôr em prática.
A perna será, infelizmente, bem mais curta do que o passo a dar!
É que não estou a ver que de um momento para o outro se despromovam a cabos e sargentos os majores das capelinhas.
Nesta teia que é a Administração Pública, boa parte das suas chefias vive em perfeita simbiose com o poder sufragado.
A governamentalização das estruturas e instituições públicas não é coisa espúria à nossa so called democracia.
E mesmo que numa parte se alcance uma reforma com a profundidade denunciada por Luís Fábrica, restará previsivelmente uma outra substancial parte, que se destinará, como sempre, aos boys do sistema.
Haverá, pois, uma aparência de reforma.
Tal como tem havido, em inúmeras áreas, entre elas a da justiça, uma aparência de reforma.
Previsivelmente, o Governo colherá a glória de uma dita reforma feita com "grande coragem", contra os "poderes corporativos" e os "privilégios instalados".
Mas, tudo espremido, é limão de onde não sai sumo.
E os Portugueses, que nos últimos tempos parecem não ter coragem para muito mais do que olhar para o seu próprio umbigo, admiram, na sua cobardia, a putativa coragem de um Governo que diz mais do que efectivamente faz, um Governo fanfarrão, sabidolas, capaz de travestir de "reforma de coragem" as mais abstrusas medidas governativas, de que é exemplo uma boa parte do que se vem assistindo na Justiça.
A Administração Pública é um aparelho demasiado precioso para qualquer partido político no governo ou com aspirações a governo, para que seja reconduzida à sua expressão e condição de simples e mera Administração Pública.
Isto digo eu.
Cada um que pense pela e com a sua própria cabeça.
sábado, setembro 30, 2006
QUE MERDA!
A tristeza.
Não são apenas os dias cinzentos das primeiras águas.
É a cinza pestilenta de um certo "ser português".
Parece uma maldição.
Lê-se, vê-se, ouve-se em todo o lado.
E, como dizia a Sophia, não podemos ignorar.
Não é bom nem é mau.
Nem sei se poderia ser melhor.
Pior pode sempre.
É apenas a consciência profunda, oriunda da realidade patente que nos entra pela cara adentro, de que o José Gil tem toda a razão.
Todavia, alienamo-nos constantemente.
Negamos a realidade, na crença de que o pensamento positivo é o melhor remédio.
Na crença de que são as nossas maleitas idiossincráticas que nos derrotam.
Na crença de que provavelmente esta núvem que me despeja água em cima é produto da minha imaginação.
Será.
Acreditamos, porque queremos acreditar, porque devemos (?) acreditar, na bondade das pessoas, das instituições, até das coisas...
E nos nossos relacionamento pessoais podemos (quiçá devemos! De qualquer maneira , é o que nos resta!) confiar nas pessoas. Individualmente.
No mais, o colectivo é um desastre.
As instituições são, em regra, um desastre.
Não há uma estratégia e um desígnio nacional.
Há uma deriva, parece ter sempre havido, uma deriva ao sabor das marés e das correntes dos interesses vários.
Descobrem-se, a cada passo, trafulhices, falcatruas, mais 40 administradores que ninguém conhecia, mais 15 administradores a ganhar fortunas, pagos pelos nossos impostos sem nada produzir, apenas tacho, tacho e mais tacho (apenas um pormenor...).
O que um Governo faz, outro a seguir desfaz.
As lógicas dos interesses pessoais e partidários acima do desígnio colectivo.
O Governo está preocupadíssimo em tapar uns quantos buracos no espalhador do regador com que rega os canteiros da educação, da saúde, do equipamento público e outros essenciais que tais.
Chama-lhe controlo orçamental.
Mas, sendo visíveis os inúmeros buracos ao longo da mangueira de rega, ignora-os, sendo certo que desses buracos sai quantidade substancial de água clandestina.
Que canteiros são regados com esta água clandestina?
Há quem escreva pérolas destas: "É uma sorte para Portugal ter um Governo que não está submetido aos grandes interesses e que actua de acordo com o interesse nacional" Emídio Rangel na Focus de 27/09/2006.
Que sorte!!!!
Pois que outra coisa pode fazer um governo?
Pelo visto, em Portugal pode fazer tudo!
A nossa sorte é haver agora um Governo que actua de acordo com o interesse nacional!
FINALMENTE!!!!!!!!!!!
Seja lá isso o que for...
É de ir às lágrimas.
...uns de riso.
...outros de choro.
Naturalmente.
quarta-feira, setembro 27, 2006
E O SILÊNCIO...
Também me acontece.
Quantas vezes, perante certas realidades, eu fico com a voz embargada...
E o silêncio é a minha escapatória.
Mas não a minha resposta.
segunda-feira, setembro 25, 2006
AINDA AS FÉRIAS NHEMMM... MESMO FÉRIAS!!!
- O Quê?! Ora, repete lá!
- É como te digo!
- Mas tu és juiz, caneco! Ainda por cima é uma actividade a tempo inteiro e extremamente esgotante...
- Sim, eu bem o sei... mas sou juiz apenas na vertente da prestação de trabalho, mas já não na vertente remuneratória onde sou considerado apenas estagiário, apesar de ter terminado o respectivo estágio em 31 de Dezembro de 2003 (três)...
- Ora diz lá outra vez!!!...
- É como te disse: Nos últimos dois anos, férias para mim é simplesmente não trabalhar e ponto final!
- Tu vais rebentar... ai vais, vais!!!
SE ME TIVESSEM DITO QUE IRIA SER ASSIM...
Ainda hoje, cerca de 80 juízes da jurisdição administrativa e fiscal são remunerados pelo índice de base (índice 100) correspondente ao vencimento de juíz-estagiário.
Todavia, este grupo de juízes:
- que sofre a responsabilidade de exercer as suas funções em matéria completamente nova;
- que viabilizou a implementação efectiva do novo contencioso administrativo;
- que julga matéria que anteriormente era da competência do Supremo Tribunal Administrativo;
- que desde o primeiro dia julga todo o tipo de acções sem qualquer limite ou condição, pois que ocupam lugares (todos estes juízes!) do quadro de tribunais de círculo;
este grupo de juízes continua com o estatuto remuneratório de juiz estagiário.
Extraordinário é o facto de terem terminado o seu estágio no dia 31 de Dezembro de 2003 (dois mil e três!).
Extraordinário é o facto de terem sido nomeados juízes efectivos no dia 1 de Janeiro de 2004 (dois e quatro!)
Os tribunais da jurisdição administrativa julgam do cumprimento pela Administração das normas e princípios jurídicos que a vinculam.
E ao mesmo tempo que julgam a Administração na apontada vertente, são gato-sapato nas suas mãos... são tratados como farrapo inútil... como um fardo... um verbo de encher... como carne para canhão...
Sim, sim, acções judiciais em tribunal também as intentámos.
Como todos os outros, obviamente e como não podia deixar de ser, também esperamos (melhor sentados, para não nos doerem os pés de tanta espera).
A República Portuguesa é um Estado de direito.
Democrático.
Diz a Constituição!
Mas alguém duvida???
Eu que saiba!!!
ENTÃO CALA-TE!!!!
Eu que saiba!!!
Então onde é que está o problema?
Como disse???
As pessoas???
Sim, sim, claro! Nas pessoas!!
Hitler, Staline, Mussolini, Franco ou mesmo o caseirinho Salazar foram pessoas determinantes de um certo Estado e de um certo estado de coisas.
Sim, sim, acho que sim, mais do que a Constituição e as leis, as pessoas são determinantes.
Não é por acaso, certamente, que a Constituição de 33 era e é considerada uma Constituição semântica (qualquer manual de ciência política no-lo diz).
Ninguém fala disto, ou melhor ninguém quer falar disto.
Mas eu formulo, ainda assim, a questão: A Constituição de 76 não apresenta já, em elevado grau e variadas áreas, sinais de transformação numa Constituição semântica?
Ou será que ninguém utiliza o serviço nacional de saúde?
Ou será que ninguém utiliza o sistema público de ensino?
Como disse??
Ah! Sim!
Isso só vale para os que pagam impostos... Pois!
E de entre esses devem ainda excluir-se os do tacho... Claro!
...desculpem lá... tinha-me esquecido desses promenores...
Estado.
De Direito.
Democrático.
Soa bem.
Somos mesmo modernos, evoluídos, civilizados.
Há é gente que nunca está contente com o que tem.
É uma cambada é o que é!
Está explicado o mistério...
sexta-feira, setembro 15, 2006
CHIHUAHUA
Com o devido respeito, aparenta semelhanças comportamentais a um chihuahua atiçado por um qualquer ressabiado travestido de maioria absoluta.
E nem sequer é vital!
Já foi.
Para mim, pelo menos.
Quando na minha ingenuidade laparosa (ainda hoje se faz sentir, quantas vezes! maldito idealismo!) eu acreditava na pureza dos santos... da academia e na sua castreja verticalidade.
E também não é, sei lá, por exemplo uma moreira, pois que já nenhum fruto dali procede, de tão espinhados ramos.
A esterilidade vai ocupando o lugar da verve científica.
Resta o cãozinho pela trela de um ressabiado.
Aparentando um chihuahua, ninguém verdadeiramente mostra receio daqueles dentes pequeninos.
Mas o seu ladrar insistente mostra-se tão estridente e irritante quanto a sua irrelevância.
É o tipo de cão capaz de morder a mão que o alimentou.
Assim será, especialmente quando o dono ressabiado entender que ele já não merece a comida que come.
Quando entender que o deve mandar abater em favor de um doberman de dentes maiores e mais afiados.
Enfim, isto digo eu... não mais do que idiossincrasias de quem vai de carroça na caravana que passa...
quarta-feira, setembro 13, 2006
NADA A DECLARAR
...e ainda assim, quando se pensa ter algo a dizer, quantas vezes nada se diz!
Haverá, certamente, muito para dizer.
Tanto, que nem sei por onde começar.
Tanto, que se me embarga a escolha.
Outras vezes, pese embora o muito que há para dizer, afigura-se estar tudo dito.
Noutras ainda, é o cansaço da repetição.
Sim, porque no fundo, no fundo, andamos todos a dizer as mesmas coisas, todos os dias.
Ainda assim, diz-se, e bem, que o silêncio é de ouro.
Este silêncio.
Não o silêncio da conformação e da desistência (seja de que natureza for!).
Num blog, afigura-se que o silêncio pode induzir uma percepção de desistência, de abandono, de desinteresse.
Pode ser.
No caso, não é.
Desistência, abandono ou desinteresse será quando expressamente dito ser.
No mais, é apenas ausência de escrita.
É silêncio.
Que pode até ser de ouro.
Gratificante, sem dúvida, é perceber o interesse dos caríssimos leitores.
Obrigado.
quinta-feira, agosto 31, 2006
NOVA CORRIDA NOVA VIAGEM!
E a minha cara a afoguear-se com o reavivar do coque.
Chego-lhe umas pazadas de carvão.
Ora toma lá, pançudo dum catano, aquece a malvada da caldeira que amanhã já marchas por esses tribunais afora, papando processos logo ao pequeno almoço!
Tuuuiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiuuuuuuuuuiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii................
tchuk tchuk tchuk tchuk tchuk tchuk tchuk tchuk tchuk
Tuuuuiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiuuuuuuuuuuuuuuuuuuiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii...................
quarta-feira, agosto 23, 2006
FÉRIAS, MESMO MESMO FÉRIAS!!!*
Aquelas férias tão férias que tu olhas para elas e dizes "Epá estas férias são mesmo férias!"?
Férias que são tão férias que até chateia de tão férias que são?
Porque queres fazer férias e nem consegues deixar de as fazer porque são férias mesmo férias, as marotas?
Sabes onde é que as há?
SABES?
Mnistro da jestiça: - sei... (shuif, shuif...)
- Então, CALA-TE!!!!
(* matriz do Gato Fedorento sobre chamadas telefónicas grátis)