sábado, julho 22, 2006
DIÁLOGOS DE VERÃO - MAJA DESNUDA
- Boa tarde. Claro que sim... Entre, entre.
- Hum... que atelier...! parece a gruta do Ali Bábá... Ui... e tantos quadros...! nús! Faz muitos nús...
- Um brique-a-braque isso sim. Atelier de pintor... é assim... milhões de objectos inúteis... mas cada um deles com uma história.
- Gosto. Mas é tão pessoal... sinto que estou a invadir... mesmo a devassar a sua... intimidade.
- Não deixa de ser assim, mas afinal vai posar para mim. Passa a fazer parte da minha intimidade. Bem-vinda!
- É fascinante, na realidade!
- Quando a contratei, pela Internet, disse-me que já havia posado anteriormente...
- Sim, é verdade. Posei já por três vezes... para grupos de senhoras. Um clube de pintoras amadoras.
- Alguém sabe que aqui veio?
- Como combinado, ninguém! Percebi a ideia: A surpresa será maior...
- Sente-se confortável com a ideia de posar para mim? Afinal, vai ter que se despir completamente, como sabe...
- Sim, ah ah, não há qualquer problema. Afinal, vai imortalizar-me!
- Literalmente! Muito bem. Podemos então começar, se estiver pronta. Pode despir-se. Tem ali um espaço para si, atrás daquele biombo...
- Não me lembro de ter visto qualquer exposição ou obra sua...
- ...
- Pronto. Cá estou! E agora?
- Humm...
- É essa a tela? É enorme! Já sei: tamanho natural!
- A Maja desnuda. Goya. Conhece?
- Devo confessar que não...
- Não faz mal. Mostro-lhe uma fotografia. Aqui está. É esta a pose que quero que adopte.
- E onde?
- Ali, naquele divã... tente esta posição... assim... o braço mais levantado... isso...
- Hum, macias estas almofadas... cetim...
- Faremos uma única sessão de uma hora, sem intervalos. Acha bem?
- Sim. Posso ir falando...?
- Claro que sim, aliás, gosto de ir falando com as minhas modelos...
- ... Faz muitos nús. Mulheres. De um realismo impressionante!
- São mulheres... imortais!
- Tal como eu dizia... vai imortalizar-me, ah ah ah!
- Sim... e bem merece... tem um corpo... perfeito... no momento perfeito...
- Pensei que os artistas olhavam para os seus modelos com outros olhos... olhos... estéticos! ih ih ih se é que isso existe...
- A beleza feminina interessa-me absolutamente. Captar cada pormenor, cada curva suave. Reconstruí-la na tela, dar-lhe vida...
- A avaliar pelas pinturas que tem nas paredes, já pintou bastantes mulheres. Não vende os quadros?
- Estes são de mulheres de 33 anos de idade. Todas elas. Como você. Não, estes não são para venda. Nenhum deles. São "as minhas mulheres". Sabe? são mesmo as minhas mulheres!
- Relaciona-se com as suas modelos? Desculpe perguntar... afinal, não tenho nada a ver com isso. É solteiro?
- Sou. Vivo com a minha mãe... não posso abandonar a minha mãe.
- Pois... Tem namorada! Típico dos pintores: solteiros... namorada... eh eh eh muitas namoradas...
- Não!! Quer dizer, não, não tenho namorada... não posso.... a minha mãezinha...
- 33 anos... porquê mulheres de 33 anos?
- É o momento ideal. É a altura certa. Aos 33 anos a mulher atinge o auge!
- Acha? Olhe que eu já sou assim desde os... 15 anitos!
- Não, não. Aos 33 anos a mulher atinge todo o seu explendor: toda a maturidade, toda a beleza!
- Mas porque não aos... 32, ou aos... 34?!
- Não! não! 33 anos... é o momento ideal para... para ser imortalizada! É uma afinidade cósmica.
- O que é que já está pintado? Posso ver?
- Não! Não pode! Não se mova daí. Foi esse o nosso contrato.
- Ui! Não, claro. Perguntei apenas por curiosidade.
- Tenho uma técnica: Inicio sempre a pintura pelos pés e vou pintando sucessivamente o resto do corpo, as pernas... e por aí acima... já lhe pintei os pés... delicados... com os dedinhos rosados... os tornozelos... as coxas... uma pele de pêssego... suave... perfumada...
- Sabe, acho que estou a ficar dormente. Sinto as pernas dormentes, até às coxas, precisamente. Como se as não tivesse!
- Não se mexa. Agora não se pode mexer. Depois fica bem. Vai ver que depois se vai sentir muito bem... relaxe...
- Não há problema. É uma dormência... doce. Não me magoa. Como eu disse, é uma sensação... como se não tivesse pernas!
- Tem, tem. E lindas, de pêssego...
- Obrigada. Passa os dias aqui? No seu atelier? Não costuma sair? Divertir-se?
- Não posso... a minha mãezinha precisa de atenção constante... este é o meu mundo, divirto-me aqui. Vivo aqui.
- É um pouco solitário, não?
- Não, nem por isso. Tenho a minha mãe, cuido dela, e... além disso tenho "as minhas mulheres"...
- Mas não são reais, são de tela e tinta!
- Não, não! São absolutamente reais! Posso acariciá-las, posso conversar com elas...
-Que estranho...
-Sim?
- Já não sinto o corpo até ao pescoço. Está dormente... mas não de me dói... simplesmente não o sinto... Nem os braços...
- Falta pouco... estou agora a retocar precisamente o pescoço.
-Mas... é que... não sinto o corpo. Não sinto mesmo. Como se não tivesse corpo... até ao pescoço...
- Tem corpo, sim. Um corpo lindo, imortalizado. Para sempre no seu máximo explendor. E só meu...
- Como...?
- Não se preocupe... não mova a cabeça. Estou agora a pintá-la.
- Não consigo. Nem que o queira não consigo movê-la. Talvez seja melhor interromper por momentos... desculpe.... creio que não me estou a sentir bem...
- Está quase, quase... estou a pintar os olhos. Não se assuste... vai deixar de ver...
- Por favor, não me consigo mexer... já não sinto a cabeça, não vejo... por favor ohh POR FAVOR... ajude-me!
- Só mais um pouquinho... deixo sempre a boca para último lugar...
- Socorro! SOCORRO! SOCORR.... ..
- Pronto! A boca sempre em último... gosto de conversar enquanto pinto...
Toc, toc...
- Ah! Entre mãezinha. terminei agora mesmo este quadro. Que acha?
- Pareceu-me ouvir alguém gritar... ia jurar que ouvi uma voz de mulher... a gritar...
- Outra vez, mãezinha! Como vê, estou completamente sozinho...
quinta-feira, julho 20, 2006
DIÁLOGOS DE VERÃO - ENCONTROS
- Boa noite... Não é exactamente temor... arrepiam-me estes bichinhos.
- Há piores. E depois, há coisas bem mais importantes... olhe! Este luar, por exemplo..
- Claro que sim. Sou uma tonta. Amedronto-me por vezes com insignificâncias...
- Bernardo. Bernardo Perofino... permite-me que a acompanhe?
- Bem... sim... vou até ao fim do pontão. Quer vir? Chamo-me Rita.
- Obrigado. Só não digo "até ao fim do mundo", porque seria uma vulgaridade... mas o prazer é meu. Ou também é meu.
- Não diz, mas... diz! Diz sem "querer" dizer...
- É verdade. Apanhou-me. Mas como dizer-lhe que apesar de ter acabado de a conhecer, sinto que... sinto uma enorme afinidade? Sem nome! Empatia?
- Vai ver, está apenas carente... uma fase menos boa...
- Não, não! Pelo contrário. Sinto-me bem com as coisas, com a natureza, com as pessoas. Estou de bem com o mundo!
- Também me sinto assim: de bem com a vida.
- E todavia...?
- É isso: "e todavia...?"... Falta-me algo... alguém...
- Também sinto isso, é o problema da partilha.
- Da partilha! Você é muito engraçado! "problema da partilha"! Mas, sabe...? é mesmo isso. Prefiro, no entanto, chamar-lhe comunhão...
- Ouça o marulhar das ondas contra a rocha... ouça...
- ...
- Imagine que estava aqui sozinha...
- Pois é: Não teria piada nenhuma.
- É a partilha... a comunhão que torna este momento... mágico.
- É a sintonia das emoções... é saber que num momento dois corações se emocionam em simultâneo...
- "Não teria piada nenhuma"... mas estava aqui sozinha!
- Sabe: Tenho um amigo meu, o xavier, que tem um poema que começa assim: "Estou no cais como quem parte / E olho o mar como quem fica /Bebo da lua a nostalgia / E deito ao vento o pensamento". Era um pouco assim que eu me sentia...
- É a natureza humana. De alguma forma a natureza é uma espécie de agente... aglutinador...
- Parece uma maldição!
- Por vezes é... mas acredito na capacidade de regeneração... na vontade... e... por que não dizê-lo? no amor!
- Não é um desiludido!? Isso é bom. Também não tenho ilusões. Não servem para nada. Prefiro... o concreto. Avaliar e... decidir.
- Como eu! Isso dá aos sentimentos a oportunidade de se manifestarem por inteiro e com verdade.
- Oops... desculpe, toquei-lhe na mão sem querer...
- Senti... mas o meu toque foi... por querer...
- Também o meu... menti... nem sei porquê... não há necessidade.
- Não, não há! Rita. Rita! R-i-t-a! Que nome lindo! Só podias ser Rita!
- Eu!? Porquê?! Bernardo! Ber-nar-do!
- Sei lá! Olho para ti e... desde sempre te conheço! Rita! Respiro esta maresia... e cheira-me a Rita! Olhos as estrelas e são todas Ritas Ritas RITAS!!
- Tonto! Bernardo, és tu! Estas ondas suaves, mas cheias, fortes... és tu! Estes rochedos... és tu! Os carangueijos...
- Rita! Não! Os carangueijos não, ah ah ah, os carangueijos não! Nem posso ser! Tu tens medo de carangueijos, lembras-te?
- Não, não tenho! Eu disse que me arrepiavam os carangueijos! E é verdade! Os caragueijos... és tu! Arrepias-me... de medo... de prazer... de emoção... de um sentimento forte, cá dentro do peito...
- De amor...?
- Porque não? De amor!!! Sim! De amor!
DIÁLOGOS DE VERÃO - O FORMULÁRIO
- Sou eu. Agora sou eu. Finalmente.
- Sente-se, fachavore. Ora diga.
- Caalma. Sabe? estive atenta para ver se me tocava (ih ih ih) o seu atendimento...
- Pois. Ora diga. Nome?
- Epifânea. Epifânea Fagundes dos Pra-ze-res- e-Mo-rais.
-... e Morais. Já está. Idade?
- Idade? Idade! Idade não se pergunta a uma senhora; tome o meu bilhete de identidade.
- O bilhete dentidade? serve...
- Gosta do seu trabalho?
- Sim... claro... claro que sim! Ora bem... sexo... femi...
- Sexo? Hum... claro que sim...
- Pois... sexo feminino!
- Claro! Sexo feminino... e masculino... e muito...
- Muito?
- Muito bem. Muito bem, mesmo. O senhor é um verdadeiro profissional. Ora, depois do sexo o que se segue?
- Depois do sexo...?
- Bem... aí. Nessa papeleta! Está toda preenchida?
- Não, não. Tá tudo!
- Não faltará a morada? A morada, sabe, é uma coisa que é sempre bom saber... onde se mora... quem lá mora... quem lá está e quem não está a certas horas do dia... ou da noite...
- O quê?! Pra quê? Aqui o formulário não diz nada disso.
- O formulário! Diz muito bem. Mas... os formulários são tão impessoais... as pessoas... você!
- Eu?! Eu o quê!?
- Você. Você, com esse ar tão... tão... provocador, tão... matreiro... você precisa certamente da minha morada, não é?
- Matreiro?! Olhe queu sou muito profissional! Mas praqué queu preciso da sua morada? O formulário játá preenchido!
- Tem a certeza?
- Tenho sim, claro que sim! Tá tudo!
- Profissional! Muito profissional... Então... Olhe, faz-me o favor de não me apalpar as coxas? Já é a segunda vez!
- Como!!!?? Mas eu... mas eu...
- E como se atreve a fazer-me uma proposta dessas?! Hem?
- P-proposta?! Eu? Mas eu nem... m-m-mas eu... eu...
- Já Chega! Isto é um ultraje! O senhor ofendeu-me! Como se atreve a assediar-me dessa maneira?
- Ó minha senhora...!!! Eu-eu... M-mas... eu...
- Quero falar com o seu superior hierárquico! Já! Vou apresentar queixa por assédio sexual! Ora! Onde é que já se viu uma coisa assim!!!
quarta-feira, julho 19, 2006
DIÁLOGOS DE VERÃO - BELIEVE TO SEE
- Gosto de chapinhar na água, assim pela tardinha...
- Também eu... especialmente quando a praia já não tem ninguém, como hoje...
- Olhe! As primeiras estrelas! Gosta de estrelas?
- Se gosto! As estrelas... o cheiro a mar... esta brisa... a partilha...
- Partilha?... comigo? ...Comigo! ...pensava que teria outro alguém com quem partilhar as estrelas...
- Não! Escolhi-o a si! De propósito!
- Mas... eu? Porquê eu?!
- Porque... esta noite sinto-me... inspirada... e... carente, percebe?
- Claro... Oh, sim, claro! Carente... e... como brilham os seus olhos! E os seus lábios...
- Brilham! Estão húmidos... quer senti-los? Sentamo-nos?
- Si-sim... claro, aqui.
- Sempre gostei de homens assim... musculados... que bem que cheira... huuummm...
- Pele de seda... uma seda... deixe-me beijá-la...
- E você um homem... másculo... deixe-me revolver esses cabelos e... hummm...
- Hummm Ahhhh...
- Ohhhh... ahhhh....
- Ohh! Minha querida...
- Hummm... mais... mais...
- É como... um sonho! Você é uma mulher de sonho! oohhh, humm...
- Sim, como um sonho... que se esfuma... huummmm
- Ohhh hummm... sim... mais... mais...
- *
- m-mas... ? hei... hei?
- *
- Onde estás?... tu... onde estás?! Onde estás? Hei! ONDE ESTÁS???!
- *
- Hei!!! HEI!!!!! QUEM ÉS TU??! VOLTA!!!! volta! volta... oh, v-volta...
terça-feira, julho 18, 2006
O CONTRATO ORGÂNICO
Se rebelaram contra a barriga; acusaram-na assim:
Que apenas como um abismo ela existia
No meio do corpo, preguiçosa e inactiva,
Ainda aguardando a vianda, nunca suportando
Igual trabalho com os restantes; onde os outros instrumentos
Realmente viam e ouviam, inventavam, instruíam, caminhavam, sentiam
E, naturalmente, participavam, ajudavam
No apetite e afeição comum
De todo o corpo. A barriga respondeu...
Para os membros descontentes, as partes amotinadas
Que invejavam a sua posição; mesmo assim muito aproximadamente
Como vós difamais os nossos senadores por isso
Eles não são como vós...
«É verdade, meus amigos e companheiros», disse ela,
Que recebo a comida geral a princípio
De que vós viveis; e próprio é,
Porque eu sou o armazém e a loja
De todo o corpo. Mas, se vos lembrardes,
Eu mando-a através dos rios do vosso sangue,
Mesmo para a corte, o coração, para a sede do cérebro;
E, através das bielas e serviços do homem,
Os nervos mais fortes e as pequenas veias inferiores
De mim recebem essa natural competência
De que vivem. E...
...embora todos imediatamente não possam
Ver o que eu despacho para cada um,
Todavia eu posso fazer os ajustes, que todos
De mim voltam a receber a farinha de todos
E deixam-me apenas o farelo...
Os senadores de Roma são esta boa farinha,
E vós os membros amotinados; pois, examinai
Os seus conselhos e os seus cuidados, digeri as coisas correctamente
Tocando no bem comum, vós verificareis
Que nenhum benefício público que recebeis
Procede ou vem senão deles para vós,
E de modo nenhum de vós próprios."
(Shakespeare, Coriolanus, I. 95-156)
segunda-feira, julho 17, 2006
DIÁLOGOS DE VERÃO - sSsSsSsSsSsSsSsSsSsSsS
- Não pode? Ou não quer? Enfim... acabámos de nos conhecer...
- Não posso, sabe, vou agora ao meu suicídio...
- Ah, ah... está a brincar... claro!
- Não, não estou... quer acompanhar-me?
- Co-como?! Acompanhá-la... ao seu suicídio... desculpe, nem estou em mim...
- Porquê?! Afinal, nada de mais...
- Está de mal com a vida? Que desespero é esse?...
- Desespero? Não! Desespero nenhum, meu caro amigo.
- Mas então porquê esse acto... tresloucado (desculpe!)
- É um hábito, sabe. Todas as quartas-feiras me suicido.
- Como?! Desculpe!?
- É... rejuvenescedor... e faz-me bem à pele... Vem?
- Bem... vou... vou...
- Entre, a casa é sua...
- Com licença...
- Acomode-se... bebe alguma coisa?
- Bem... sempre vai... su-suicidar-se?
- Ah, ah, ah... não é propriamente um suicido, sabe? É mais... como lhe disse, um rejuvenescimento.
- Uf!
- Vê? Olhe a minha pele... olhe... maisss de perto.
- Escamas? Tem a pele... em escamas?! É doença?
- Ah! Ah! Não! É a minha naturezzzza, sssssabe? Quer uma massssssçã...?
- Aaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhh........
domingo, julho 16, 2006
DIÁLOGOS DE VERÃO - RECLAMAÇÃO
- Boa tarde. Diga, por favor.
- Olhe. Eu queria apresentar uma reclamação do inzame do 12º ano.
- De qual deles?
- Do inzame de porteguês.
- Do exame de português! Muito bem: Preenche esta folha e aqui, neste espaço, deixa escrita a sua reclamação! Está bem?
- Tá bem. Brigado.
«Nome : Joselindo Cascagrossa
Filho de: Francelino Temna Grossa
E de: Imaculada da Purificação Leva e Casca
Morada: Rua do Vai com Deus, 13 , Nenhures de Baixo
Reclamação:
Eu não koncordo com a nota do inzame de porteguês.
1 valore não se dá a ningem.
1 valore é ir lá e eskrver o nome.
De çarteza ca stora singanou e ela kria era eskrver 11 e inganosse e eskrveu 1 valore mas tá inganada.
O inzame era muitas preguntas e aquile era complicado e açim não é justo.
Uma peçoa tem k saber tudo e eskrver tudo e de pois não á tempo.
O tempo é curto e os inzames são muita cumpridos.
Nem um dissionário se pode uzar.
E eu estedei bué, buéé da comprenção do testo e a otragrafia e a sémantica.
Tudo. Estedei tudo. Até sabia o k foi o romantismo e o claçissismo e o realismo e essas coisas todas.
Tou praparado pro inzame, venho faser o inzame e a stora népia.
Mas o que eu não poço admetir é ka stora eskrveu na folha do inzame k me dava 1 valore por causa de dois erros munta graves.
E não é justo proque ela diçe keu dava bué da erros.
Ora sela por dois erros munta graves me dá 1 valore, atão pelos erros todos avia de dar por menos os 10 valores.
Disse keu eskrvia poco e lia inda menos e quiço é kera o prolema.
Mas não é vardade. É que né mêmo vardade.
Eu por dia amando pra i mais de 200 SMS. escrevo bué e leio bué.
E eu fasso aqui esta reclamassão açim cumprida e tudo pra provar keu eskrvo muito e eskrvo bem.
E é uma injestiça ter 1 valore.
Por isso reclamo ó pro menos 10 valores.
Munto agardeçido.»
sábado, julho 15, 2006
FIRST THINGS FIRST
Ao ouvir o barullho da máquina do tempo, queixa-se o Papalagui assim: «Que pesado fardo; mais uma hora se passou!»
E ao dizê-lo, mostra geralmente um ar triste, como alguém condenado a uma grande tragédia. No entanto, logo a seguir principia uma nova hora!
Como nunca fui capaz de entender isto, julgo que se trata de uma doença grave. (...)
Suponhamos, com efeito, que um Branco tem vontade de fazer qualquer coisa e que o seu coração arde em desejo por isso: que, por exemplo, lhe apetece ir deitar-se ao sol, ou andar de canoa no rio, ou ir ver a sua bem-amada.
Que faz ele então?
Na maior parte das vezes estraga o prazer com esta ideia fixa: «não tenho tempo de ser feliz».
Mesmo dispondo de todo o tempo que queira, nem com a melhor boa vontade o reconhece.
Acusa mil e uma coisas de lhe tomarem o tempo e, de mau grado e resmungando, debruça-se sobre o trabalho que não tem vontadde nenhuma de fazer, que não lhe dá qualquer prazer e que ninguém, a não ser ele próprio o obriga a fazer.
Quando de repente se dá conta de que tem tempo, que tem realmente todo o tempo à sua frente, ou quando alguém lhe dá tempo - os Papalaguis dão frequentemente tempo uns aos outros, é mesmo a acção que mais apreciam -, nessa altura, ou já não tem vontade, ou já se cansou desse trabalho sem alegria.
E geralmente deixa para o dia seguinte o que podia fazer no próprio dia.
(...)
Encontrei uma única vez um homem que não se queixava de estar a perder tempo e que o tinha de sobra.
Mas esse era pobre, sujo e desprezado.
As pessoas desviavam-se, para o evitar, e ninguém o respeitava.
Não entendi tal comportamento, pois ele andava devagar e tinha um olhar sorridente, calmo e bondoso.
Quando lhe perguntei qual a razão disso, o seu rosto crispou-se e repondeu-me com voz triste:
«Nunca soube empregar o meu tempo de maneira útil; é por isso que não passo de um pobre-diabo desprezado por toda a gente!».
Aquele homem tinha tempo, mas nem mesmo ele era feliz.
(...)
Oh! meus queridos irmãos!
Nós nunca nos queixámos do tempo, amámo-lo e acolhemo-lo tal como ele era, nunca corremos atrás dele, nunca tentámos amalgamá-lo ou cortá-lo em pedaços.
Nunca ele nos deixou desesperados ou acabrunhados.
Se algum de nós há aí a quem falte tempo, que diga!
Todos nós o possuímos em quantidade, não temos razões de queixa.
Não precisamos de mais tempo do que o que temos, temos sempre tempo suficiente.
Sabemos que atingiremos o nosso alvo a tempo, e que muito embora ignoremos quantas luas se passaram, o Grande Espírito nos chamará quando lhe aprouver.
Devemos curar o Papalagui da sua loucura e desvario, para que ele volte a ter a noção do verdadeiro tempo que tem perdido.
Devemos destruir as suas pequenas máquinas do tempo e levá-lo a confessar que há muito mais tempo do nascer ao pôr do sol, do que ao homem lhe é dado gastar.
(...)".
'Discursos de Tuiavii, Chefe de tribo de Tiavéa nos mares do Sul, recolhidos por Erich Scheurmann'
sexta-feira, julho 14, 2006
ATITUDE - uma estória infantil
Um belo dia, a pantera reuniu a restante bicharada da floresta e disse:
- Nós sabemos que o leão é o rei dos animais, mas há uma dúvida: Havendo três leões, fortes, a qual deles devemos nós prestar homenagem? Quem, de entre eles, deverá ser o nosso rei?
- É verdade! A preocupação da bicharada faz sentido. Uma floresta não pode ter três reis.
- Precisamos saber qual de nós será o escolhido.
- Mas como descobrir ?
Essa era a grande questão.
Todavia, lutar entre si não queriam, pois eram muito amigos.
Impasse.
De novo, todos os animais se reuniram para discutir uma solução para o caso.
Tiveram então uma idéia excelente.
A pantera, porta-voz dos animais, encontrou-se com os três felinos e deu-lhes a conhecer o decidido:
- Bem, caros amigos leões, a solução para o problema está na Montanha Difícil.
- Montanha Difícil ?
- O que é isso?
- É um desafio?
- É simples, ponderou a pantera. Decidimos que vocês deverão escalar a Montanha Difícil. O que primeiro atingir o pico da montanha será consagrado o rei dos reis.
Ora, a Montanha Difícil era a mais alta entre todas naquela imensa floresta.
O desafio, porém, foi aceite.
No dia combinado, milhares de animais cercaram a Montanha para assistir à grande escalada.
O primeiro tentou. Não conseguiu. Foi derrotado.
O segundo tentou. Não conseguiu. Foi derrotado.
O terceiro tentou. Não conseguiu. Foi derrotado.
Os animais estavam curiosos e impacientes.
Afinal, qual deles seria o rei, uma vez que os três haviam sido derrotados?
Foi nesse momento que uma velha Águia, de grande sabedoria, pediu a palavra:
- Eu sei quem deve ser o rei!!!
Todos os animais fizeram um silêncio de grande expectativa.
- Sabes? mas como? Gritaram em coro.
- É simples - confessou ela - voava eu entre eles, bem de perto, e quando eles voltaram fracassados para o vale escutei o que cada um deles disse à montanha.
O primeiro leão disse: "Montanha, venceste-me!"
O segundo leão disse: "Montanha, venceste-me!"
O terceiro leão também disse: "Montanha, venceste-me, por enquanto! Mas tu montanha, já atingiste o teu tamanho final e eu ainda estou a crescer.".
- A diferença - completou a águia - é que o terceiro leão teve uma atitude de vencedor diante da derrota e quem pensa assim é maior que o seu problema: é rei de si mesmo e está, certamente, preparado para ser rei dos outros.
Os animais da floresta aplaudiram entusiasticamente.
O terceiro leão foi coroado rei.
Os outros dois leões acabaram por compreender a razão do 2 a Matemática e 3 a Física nos exames do 12º ano.
A Águia, face ao sucesso, abriu um quiosque de apoio a pequenos e médios investidores.
A pantera abriu um quiosque de justiça restaurativa.
A doninha fundou um partido político.
E viveram todos felizes, para sempre!
quinta-feira, julho 13, 2006
A PARADE OF WONDERS*
Measuring the seasons, new growth, old friends.
This is where lines are written and scored--and paintings are laid out on the retina of the mind.
While other folks may pass by and be a part of this space, I claim it as my own.
The cedar growing from the spruce
The rock of sunning turtles
The pond of great bullfrogs
The tree of the barred owls
The sunlit arbor with hanging moss
The lover's bridge with huckleberries
The playground of laughing children
The field of determined moles
The daisies at the bench memorial
The reedy verge of wood ducks
The place of whispering cottonwoods
The tree-stumps red at sunset
The view we sometimes paint
The fungous musk of the fallen fir
The feral snapdragons of the old cabin
The ancient larch standing alone
The ever-running brook
A place can be quite ordinary and still be a special place. It's all in the eye of the beholder.
And shared history can magnify wonders - our children played and were painted on the great curved rocks that are now too overgrown to paint again.
Now the swings and teeter-totters are for someone else's tots.
With the naming and claiming that artists tend to do, there's a collection to be had.
Like the haiku of titled paintings, they are the labels of our lives.
By some miracle we are allowed on this path for a short while, and you can be sure when we are gone some like-minded ones will be there to take over.
*By Robert Genn (painter)
terça-feira, julho 11, 2006
FÉRIAS PROCESSUAIS
Mas o que raio é isso?
Estou farto de ouvir, de ver, de ler, os maiores disparates, dislates, tretas e afins sobre esta questão, quer por ignorância, quer por insidiosa e malévola argumentação em torno do conceito, com aproveitamentos nem sempre confessáveis contra os juízes.
Chega!
É tempo de mudar aquela designação.
É enganosa: Não são "férias" "judiciais"!
Primeiro porque não são férias, ou seja, não é um periodo de descanso de ninguém!
Acontece é que durante esse período manda a lei que quem trabalha nos tribunais possa ter as suas férias, contidas (ou não) no (agora) exíguo período para o efeito.
Em segundo lugar, porquê "judiciais"?
Se assim se designa por referência ao tribunal, então não se vê como o tribunal (o edifíco?) possa ir de férias!
Se a referência são os juízes ("judiciais"), então também não se afigura correcto, pois não se referiria apenas às férias pessoais dos juízes, já que outras pessoas estão ali englobadas e não são juízes, v.g. os magistrados do MºPº, os funcionários, os advogados...
Portanto "férias judiciais" é uma designação completamente errada, falhada.
E dá lugar aos maiores desvarios de interpretação por parte de leigos ou de gente de má-fé.
Proposta 1 (com fundamentação diversa, obviamente, da acima exarada): Acabe-se lá com essa treta das "férias judiciais", para se poder ter férias em qualquer altura do ano, como toda a gente!
Proposta 2: Na manutenção do instituto, chame-se-lhe... sei lá... "férias processuais"!
Na verdade, são os processos não urgentes que entram de férias!
FÉRIAS PROCESSUAIS!
(Eis aqui uma boa oportunidade de negócio para as agências de viagens, agora que os portugueses vão passar a viajar menos!)
segunda-feira, julho 10, 2006
INFÂNCIA CIVILIZACIONAL?
Atendendo à data da mãe moderna de todas as democracias - 1789 - já nem sei se é infância, se é adolescência ou mesmo se não serão ainda as dores do parto.
É importante, julgo eu, não esquecer estes pensadores, mesmo quando a sua mensagem é aparentemente de descrédito nas virtualidades positivas da organização e capacidade de organização humanas.
Masoquismo?
Claro que não!
Apenas para que não adormeçamos à sombra da dita, inebriados pelos seus aparentes valores, tão nobres quão voláteis, por frágeis e manipuláveis.
Importante também é questionar, permanentemente!
A razão não pode contentar-se com valores apriorísticos e abstractos, quando a práxis revela uma outra realidade.
A ideia de que basta viver num regime juridico-politicamente organizado em democracia para se usufruir de todas as virtualidades da dita é, a meu ver, muito perigoso.
Além do mais, acaba por embrutecer as pessoas, os cidadãos, e embotar a sua capacidade crítica.
Se é pouco suportável a ideia de esta ser uma república das bananas, completamente insuportável seria a ideia de vivermos numa república de bananas!
domingo, julho 09, 2006
HOJE, COMO HOJE
- Nada... Não disse nada. Estava a ler em voz baixa...
- Leia alto. Por favor...
- Terá interesse? É Tocqueville... com mais de cem anos...
- A que propósito?
- Bem... Democracia. A propósito da democracia, veja lá... Ora ouça:
"...penso que a espécie de opressão que ameaça os povos democráticos em nada será parecida com aquelas que a têm precedido no mundo (...) Busco no vazio, eu próprio, uma expresssão que reproduza exactamente a ideia que formo e a compreenda: as antigas palavras despotismo e tirania não me parecem de forma alguma adequadas.
A coisa é nova (...). Vejo uma multidão inumerável de homens parecidos e iguais que giram sem repouso sobre si mesmos para procurarem pequenos e vulgares prazeres com que enchem a sua alma.
Cada um deles, visto em separado, é como que estranho ao destino de todos os outros (...): Não existe a não ser em si mesmo e para si só e, se resta ainda uma família, pode dizer-se pelo menos que já não tem pátria. (...) Acima deles eleva-se um poder imenso e tutelar, que só por si se encarrega de assegurar os seus gozos e de velar pela sua sorte. É absoluto, detalhado, regular, preciso, previsor e doce. Pareceria um poder paterno se, como este, tivesse como objectivo preparar os homens para a idade viril; Mas não, pelo contrário, não procura senão fixá-los irrevogavelmente na infância; quer que os cidadãos desfrutem conquanto não pensem senão em desfrutar.
Trabalha de bom grado para o seu bem-estar, mas quer ser o único agente e o único árbitro, providencia a sua segurança, prevê e assegura as suas necessidades, facilita os seus prazeres, conduz os seus principais negócios, dirige a sua indústria, regula as suas sucessões, divide as suas heranças.
Porque não haveria de tirar-lhes por completo o transtorno de pensar e o esforço de viver! (...) É assim que cada dia converte em menos útil e em mais raro o emprego do livre arbítrio; encerra a acção da vontade num espaço menor e subtrai a pouco e pouco cada cidadão até ao uso de si mesmo.(...)
Depois de ter tomado assim, a pouco e pouco, nas suas poderosas mãos, cada indivíduo, e de o ter moldado à sua maneira, o soberano abre os seus braços sobre a sociedade inteira; cobre a sua superfície com uma rede de pequenas regras complicadas, minuciosas e uniformes, através das quais os talentos mais originais e as almas mais vigorosas não poderão encontrar a claridade para sobressairem da multidão;
Não destrói as vontades, mas amolece-as, submete-as e dirige-as;
Raras vezes obriga a agir, mas opõe-se, sem cessar, a que actue;
Nada destrói, mas impede que nasça;
Não tiraniza nada, mas estorva, comprime, enerva, apaga, e reduz, enfim, cada nação, a não mais do que um rebanho de animais tímidos e laboriosos, de que o Governo é pastor.".
- Tocqueville, hem?
- Pois...
- Quem era? Algum profeta?
- Pois...
quinta-feira, junho 29, 2006
NOVO MAPA JUDICIÁRIO: FLEXIBILIDADE? OU VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA INAMOVIBILIDADE?
- Olá xabier. Eh home ando cá a ber se conxigo mudar os mês burros para ali, acolá e além... quexe dijere, quero pô-los todos na nora, na eira, no lameiro, na horta e por aí fora...
- Então e qual é o problema? É só levá-los pela arreata...
- Naé nã, xabier, porquê fiz um trato cum eles: Cada um deles tá num só sítio e ê nã posso mudá-los do sítio ondelestão!
- Sítio? Trato? Ó diabo!
- Poijé! Mas já encontrei uma soluxão! Temos que xer mais espertos qazalimárias, néi ó xabier!
- Claro! E então qual foi a solução?
- Fáxil: Se nãn poxo mudar os burros do dito sítio donde tão, atão alargo o espaxo do sítio de maneira a ficar lá dentro a eira, a horta, o lameiro e por aí fora... Axim é tudo "sítio" e eles já nã podem dijer nada, porque ê mudo-os da horta pra eira e pro lameiro, mas axim nã os mudo de sítio. E eles axim já nãn podem reclamar!
- Mas... isso é uma chico-espertice!
- Pois ei xabier... mas ê nãn os oixo queixar...
sábado, junho 24, 2006
CHECK UP - IV
- Vamos lá. A primeira parte correu bem, não foi?
- Pois... Este é um teste comparativo. Está pronto? Quantos sectores tem um lagar de azeite?
- Lagar de azeite? bem... tem.. rés-do-chão e... primeiro andar.
- Hum... e o que é o Estatuto dos Magistrados Judiciais?
- Isso não é uma marca de pastilha elástica? Ah! Já sei: É um saco de boxe!
- Pois... e diga-me, no processamento da azeitona em que consiste a extracção a frio?
- Bem... é algo feito sem anestesia.
- Claro, claro... e diga-me, os tribunais são órgãos de soberania?
- Só por cima do meu cadáver!
- Desculpe?!...
- Errhhh... quer dizer... são um órgão são... um órgão... é isso, um órgão!
- Bem... como se chama o recipiente que recolhe o azeite imediatamente após a extracção?
- hã... hã... balde!?
- Bem, bem... hum... e diga-me, agora no plano da justiça: O governo tem alguma ideia para a justiça? Esta é simples dr. al Berto, é 'sim' ou 'não'.
- Pois... mas o problema é que... o que é que quer dizer com 'justiça'?
- Bem... terminou!
- Oh, diga-me, diga-me doutor, qual foi o resultado?
- Bem... dr. al Berto: O sr. percebe tanto de justiça como de um lagar de azeite!
CHECK UP - III
- Nem percebo para que faço um teste psicotécnico, doutor.
- Faz parte do check up desde que passou a beneficiar das verbas do subsistema SSMJ.
- Ah, bom... assim sendo vamos lá.
- Imagine que tem o sector da justiça a seu cargo...
- Essa é fácil eh eh eh... é que tenho mesmo! (acertei, doutor?)
- Calma, que eu ainda não formulei a questão. Imagine então a situação e diga-me: quantos tribunais existem no país?
- Ui...praí uns 4 a 5 mil!
- Bom... Hummm... e quantos juízes existem?
- Ui, ui... praí uns 40 ou 50 mil!
- Hummm... então e funcionários judiciais?
- Bem.... são mais de 100 mil!
- Ora, deixe-me só registar também essa resposta... já está! E magistrados do Ministério Público, tem uma ideia?
- Oh sim, claro, são praí uns... 30 ou 40 mil!
- Pois... Agora diga-me, quantos processos existem pendentes nos tribunais portugueses?
- Ora, a ideia que tenho é... praí uns 600, 700, podendo ir até aos 720 processos.
- Bom, terminei dr. al Berto.
- E então, e então?
- Bem... eu, médico que sou, desconheço a realidade da justiça portuguesa, mas o dr. fez um teste brilhante, já que as respostas estão de harmonia com a sua actuação governativa. Parabéns.
CHECK UP - II
- Ui, muito mal...
- Dr. Berto, olhe firmemente e diga-me quantas becas vê?
-Nenhuma... hã? oh, sim... vejo um borrão indistinto...
- Pois... isso está mesmo muito mal.
- Acha doutor?
-Ora leia aqui esta norma sobre férias judiciais.
- "férias dos animais"...
- Não é isso que lá está dr. al Berto.
- Não? Sabe, na verdade estou a fazer um bocadinho de batota... estou a ler de cor...
- Pois é dr. al Berto, a situação é grave.
- Ó doutor não me assuste. Sei que a minha visão já não é o que era, mas...
- Pode dizer-se que é grave dr. al Berto: Está ceguinho de todo!
CHECK UP - I
- Não há nada a fazer...
- Não pode ser doutor... nem uma operaçãozita, uns antibióticos...
- Não. Nada!
-É uma injustiça. E irónico! Logo eu, precisamente o mnistro da jestiça. Não posso aceitar que nada mais há a fazer...
-Não, não. Nada de nada dr. al Berto.
-Ó doutor... mas, uma ida a banhos, ah! umas termas! É isso!
-Felizm... rrhh cof cof... infelizmente também não. E o pior é que a doença é crónica...
-Crónica?! Mas se nunca ma detectaram antes!
-Pois... Também fico espantado... especialmente tratando-se de uma estupidez crónica e nada natural...
terça-feira, junho 20, 2006
AFINAL, NÃO HAVIA OUTRO: SOMOS NÓS MESMO!
Será o clima, as praias, os eucaliptos?
As cabras, vacas e demais seres de quatro no chão?
Não!
São as pessoas!
As pessoas e mais a sua cultura e mais os seus graus de civilização e mais o seu pensamento e mais a sua postura e mais as suas circunstâncias.
E mais a sua mentalidade!
São as pessoas!
Nada de novo.
Mas a consciência do facto entra-nos pela cara como um murro!
É nesta altura que nos olhamos ao espelho, que olhamos à nossa volta e... nós aí estamos...
Nós e a nossa incompetência colectiva.
Sim, porque (digamos) um terço de competentes cidadãos não consegue, ainda assim, rebocar para a zona de luz os dois terços de incompetentes, ladrões, corruptos, imbecis e chicos-espertos.
Não, muito especialmente, se aqueles dois terços constituirem o alfobre permanente de recrutamento e abastecimento dos grupos liderantes.
terça-feira, junho 13, 2006
PORTUGAL É UM PAÍS EM VIAS DE EXTINÇÃO?
Relembrei a História da humanidade e a enorme sucessão de povos, de civilizações, ou seja, o nascimento, a vida e a morte ou extinção dos povos e das civilizações.
Desde sempre que assim é.
Seja por conquista (v.g. os índios sul-americanos), por doenças (v.g. certas tribos da Amazónia), por falta de meios de vida básicos que podem ir até à inanição (certas tribos africanas e, actualmente, até países) ou por qualquer outro motivo.
Até por genocídio, pois as guerras das bónias e das sérvias dos dias de hoje, ou os judeus e o holocausto, são outros tantos exemplos actuais de extinção, ou melhor, de tentativa de extinção de um povo.
E Portugal?
Fala-se muito do passado português, constantemente glorificado (à míngua de melhor presente!), especialmente o tempo em que "deu novos mundo ao mundo".
Tendo nascido no Séc. XII, o seu apogeu parece de facto ter ocorrido no Séc. XV e maxime no Séc. XVI.
Todavia, com os sinais que a sociedade portuguesa actualmente apresenta, parecendo estar nos limites externos das suas competências e das suas capacidades, que rumo leva este país?
Será que não são já identificáveis os sinais conducentes a uma extinção por intrínseca incapacidade de sobrevivência enquanto sociedade?