quinta-feira, julho 13, 2006

A PARADE OF WONDERS*

When I revisit my parade of wonders I become anchored and focused.
Measuring the seasons, new growth, old friends.
This is where lines are written and scored--and paintings are laid out on the retina of the mind.
While other folks may pass by and be a part of this space, I claim it as my own.
The cedar growing from the spruce
The rock of sunning turtles
The pond of great bullfrogs
The tree of the barred owls
The sunlit arbor with hanging moss
The lover's bridge with huckleberries
The playground of laughing children
The field of determined moles
The daisies at the bench memorial
The reedy verge of wood ducks
The place of whispering cottonwoods
The tree-stumps red at sunset
The view we sometimes paint
The fungous musk of the fallen fir
The feral snapdragons of the old cabin
The ancient larch standing alone
The ever-running brook
A place can be quite ordinary and still be a special place. It's all in the eye of the beholder.
And shared history can magnify wonders - our children played and were painted on the great curved rocks that are now too overgrown to paint again.
Now the swings and teeter-totters are for someone else's tots.
With the naming and claiming that artists tend to do, there's a collection to be had.
Like the haiku of titled paintings, they are the labels of our lives.
By some miracle we are allowed on this path for a short while, and you can be sure when we are gone some like-minded ones will be there to take over.
*By Robert Genn (painter)

terça-feira, julho 11, 2006

FÉRIAS PROCESSUAIS

Férias Judiciais?
Mas o que raio é isso?

Estou farto de ouvir, de ver, de ler, os maiores disparates, dislates, tretas e afins sobre esta questão, quer por ignorância, quer por insidiosa e malévola argumentação em torno do conceito, com aproveitamentos nem sempre confessáveis contra os juízes.

Chega!

É tempo de mudar aquela designação.

É enganosa: Não são "férias" "judiciais"!

Primeiro porque não são férias, ou seja, não é um periodo de descanso de ninguém!
Acontece é que durante esse período manda a lei que quem trabalha nos tribunais possa ter as suas férias, contidas (ou não) no (agora) exíguo período para o efeito.

Em segundo lugar, porquê "judiciais"?
Se assim se designa por referência ao tribunal, então não se vê como o tribunal (o edifíco?) possa ir de férias!
Se a referência são os juízes ("judiciais"), então também não se afigura correcto, pois não se referiria apenas às férias pessoais dos juízes, já que outras pessoas estão ali englobadas e não são juízes, v.g. os magistrados do MºPº, os funcionários, os advogados...

Portanto "férias judiciais" é uma designação completamente errada, falhada.

E dá lugar aos maiores desvarios de interpretação por parte de leigos ou de gente de má-fé.

Proposta 1 (com fundamentação diversa, obviamente, da acima exarada): Acabe-se lá com essa treta das "férias judiciais", para se poder ter férias em qualquer altura do ano, como toda a gente!

Proposta 2: Na manutenção do instituto, chame-se-lhe... sei lá... "férias processuais"!

Na verdade, são os processos não urgentes que entram de férias!

FÉRIAS PROCESSUAIS!

(Eis aqui uma boa oportunidade de negócio para as agências de viagens, agora que os portugueses vão passar a viajar menos!)

segunda-feira, julho 10, 2006

INFÂNCIA CIVILIZACIONAL?

A propósito de um comentário da Sónia ao anterior post, cabe comentário sob a forma de post:
Atendendo à data da mãe moderna de todas as democracias - 1789 - já nem sei se é infância, se é adolescência ou mesmo se não serão ainda as dores do parto.
É importante, julgo eu, não esquecer estes pensadores, mesmo quando a sua mensagem é aparentemente de descrédito nas virtualidades positivas da organização e capacidade de organização humanas.

Masoquismo?
Claro que não!
Apenas para que não adormeçamos à sombra da dita, inebriados pelos seus aparentes valores, tão nobres quão voláteis, por frágeis e manipuláveis.
Importante também é questionar, permanentemente!

A razão não pode contentar-se com valores apriorísticos e abstractos, quando a práxis revela uma outra realidade.
A ideia de que basta viver num regime juridico-politicamente organizado em democracia para se usufruir de todas as virtualidades da dita é, a meu ver, muito perigoso.
Além do mais, acaba por embrutecer as pessoas, os cidadãos, e embotar a sua capacidade crítica.
Se é pouco suportável a ideia de esta ser uma república das bananas, completamente insuportável seria a ideia de vivermos numa república de bananas!

domingo, julho 09, 2006

HOJE, COMO HOJE

- Como disse?
- Nada... Não disse nada. Estava a ler em voz baixa...
- Leia alto. Por favor...
- Terá interesse? É Tocqueville... com mais de cem anos...
- A que propósito?
- Bem... Democracia. A propósito da democracia, veja lá... Ora ouça:
"...penso que a espécie de opressão que ameaça os povos democráticos em nada será parecida com aquelas que a têm precedido no mundo (...) Busco no vazio, eu próprio, uma expresssão que reproduza exactamente a ideia que formo e a compreenda: as antigas palavras despotismo e tirania não me parecem de forma alguma adequadas.
A coisa é nova (...). Vejo uma multidão inumerável de homens parecidos e iguais que giram sem repouso sobre si mesmos para procurarem pequenos e vulgares prazeres com que enchem a sua alma.
Cada um deles, visto em separado, é como que estranho ao destino de todos os outros (...): Não existe a não ser em si mesmo e para si só e, se resta ainda uma família, pode dizer-se pelo menos que já não tem pátria. (...) Acima deles eleva-se um poder imenso e tutelar, que só por si se encarrega de assegurar os seus gozos e de velar pela sua sorte. É absoluto, detalhado, regular, preciso, previsor e doce. Pareceria um poder paterno se, como este, tivesse como objectivo preparar os homens para a idade viril; Mas não, pelo contrário, não procura senão fixá-los irrevogavelmente na infância; quer que os cidadãos desfrutem conquanto não pensem senão em desfrutar.
Trabalha de bom grado para o seu bem-estar, mas quer ser o único agente e o único árbitro, providencia a sua segurança, prevê e assegura as suas necessidades, facilita os seus prazeres, conduz os seus principais negócios, dirige a sua indústria, regula as suas sucessões, divide as suas heranças.
Porque não haveria de tirar-lhes por completo o transtorno de pensar e o esforço de viver! (...) É assim que cada dia converte em menos útil e em mais raro o emprego do livre arbítrio; encerra a acção da vontade num espaço menor e subtrai a pouco e pouco cada cidadão até ao uso de si mesmo.(...)
Depois de ter tomado assim, a pouco e pouco, nas suas poderosas mãos, cada indivíduo, e de o ter moldado à sua maneira, o soberano abre os seus braços sobre a sociedade inteira; cobre a sua superfície com uma rede de pequenas regras complicadas, minuciosas e uniformes, através das quais os talentos mais originais e as almas mais vigorosas não poderão encontrar a claridade para sobressairem da multidão;
Não destrói as vontades, mas amolece-as, submete-as e dirige-as;
Raras vezes obriga a agir, mas opõe-se, sem cessar, a que actue;
Nada destrói, mas impede que nasça;
Não tiraniza nada, mas estorva, comprime, enerva, apaga, e reduz, enfim, cada nação, a não mais do que um rebanho de animais tímidos e laboriosos, de que o Governo é pastor.".

- Tocqueville, hem?
- Pois...
- Quem era? Algum profeta?
- Pois...

quinta-feira, junho 29, 2006

NOVO MAPA JUDICIÁRIO: FLEXIBILIDADE? OU VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA INAMOVIBILIDADE?

- Ó Ti' Anafrásio! Então que anda a fazer homem?
- Olá xabier. Eh home ando cá a ber se conxigo mudar os mês burros para ali, acolá e além... quexe dijere, quero pô-los todos na nora, na eira, no lameiro, na horta e por aí fora...
- Então e qual é o problema? É só levá-los pela arreata...
- Naé nã, xabier, porquê fiz um trato cum eles: Cada um deles tá num só sítio e ê nã posso mudá-los do sítio ondelestão!
- Sítio? Trato? Ó diabo!
- Poijé! Mas já encontrei uma soluxão! Temos que xer mais espertos qazalimárias, néi ó xabier!
- Claro! E então qual foi a solução?
- Fáxil: Se nãn poxo mudar os burros do dito sítio donde tão, atão alargo o espaxo do sítio de maneira a ficar lá dentro a eira, a horta, o lameiro e por aí fora... Axim é tudo "sítio" e eles já nã podem dijer nada, porque ê mudo-os da horta pra eira e pro lameiro, mas axim nã os mudo de sítio. E eles axim já nãn podem reclamar!
- Mas... isso é uma chico-espertice!
- Pois ei xabier... mas ê nãn os oixo queixar...

sábado, junho 24, 2006

CHECK UP - IV

- Ora, dr. al Berto, vamos então à segunda parte do nosso teste psicotécnico.
- Vamos lá. A primeira parte correu bem, não foi?
- Pois... Este é um teste comparativo. Está pronto? Quantos sectores tem um lagar de azeite?
- Lagar de azeite? bem... tem.. rés-do-chão e... primeiro andar.
- Hum... e o que é o Estatuto dos Magistrados Judiciais?
- Isso não é uma marca de pastilha elástica? Ah! Já sei: É um saco de boxe!
- Pois... e diga-me, no processamento da azeitona em que consiste a extracção a frio?
- Bem... é algo feito sem anestesia.
- Claro, claro... e diga-me, os tribunais são órgãos de soberania?
- Só por cima do meu cadáver!
- Desculpe?!...
- Errhhh... quer dizer... são um órgão são... um órgão... é isso, um órgão!
- Bem... como se chama o recipiente que recolhe o azeite imediatamente após a extracção?
- hã... hã... balde!?
- Bem, bem... hum... e diga-me, agora no plano da justiça: O governo tem alguma ideia para a justiça? Esta é simples dr. al Berto, é 'sim' ou 'não'.
- Pois... mas o problema é que... o que é que quer dizer com 'justiça'?
- Bem... terminou!
- Oh, diga-me, diga-me doutor, qual foi o resultado?
- Bem... dr. al Berto: O sr. percebe tanto de justiça como de um lagar de azeite!

CHECK UP - III

- Bom dia, dr. al Berto, vamos então ao nosso psicotécnicozinho?
- Nem percebo para que faço um teste psicotécnico, doutor.
- Faz parte do check up desde que passou a beneficiar das verbas do subsistema SSMJ.
- Ah, bom... assim sendo vamos lá.
- Imagine que tem o sector da justiça a seu cargo...
- Essa é fácil eh eh eh... é que tenho mesmo! (acertei, doutor?)
- Calma, que eu ainda não formulei a questão. Imagine então a situação e diga-me: quantos tribunais existem no país?
- Ui...praí uns 4 a 5 mil!
- Bom... Hummm... e quantos juízes existem?
- Ui, ui... praí uns 40 ou 50 mil!
- Hummm... então e funcionários judiciais?
- Bem.... são mais de 100 mil!
- Ora, deixe-me só registar também essa resposta... já está! E magistrados do Ministério Público, tem uma ideia?
- Oh sim, claro, são praí uns... 30 ou 40 mil!
- Pois... Agora diga-me, quantos processos existem pendentes nos tribunais portugueses?
- Ora, a ideia que tenho é... praí uns 600, 700, podendo ir até aos 720 processos.
- Bom, terminei dr. al Berto.
- E então, e então?
- Bem... eu, médico que sou, desconheço a realidade da justiça portuguesa, mas o dr. fez um teste brilhante, já que as respostas estão de harmonia com a sua actuação governativa. Parabéns.

CHECK UP - II

-Dr. al Berto, agora olhe para aquele grupo de cidadãos. Consegue vê-los?
- Ui, muito mal...
- Dr. Berto, olhe firmemente e diga-me quantas becas vê?
-Nenhuma... hã? oh, sim... vejo um borrão indistinto...
- Pois... isso está mesmo muito mal.
- Acha doutor?
-Ora leia aqui esta norma sobre férias judiciais.
- "férias dos animais"...
- Não é isso que lá está dr. al Berto.
- Não? Sabe, na verdade estou a fazer um bocadinho de batota... estou a ler de cor...
- Pois é dr. al Berto, a situação é grave.
- Ó doutor não me assuste. Sei que a minha visão já não é o que era, mas...
- Pode dizer-se que é grave dr. al Berto: Está ceguinho de todo!

CHECK UP - I

- E então doutor?
- Não há nada a fazer...
- Não pode ser doutor... nem uma operaçãozita, uns antibióticos...
- Não. Nada!
-É uma injustiça. E irónico! Logo eu, precisamente o mnistro da jestiça. Não posso aceitar que nada mais há a fazer...
-Não, não. Nada de nada dr. al Berto.
-Ó doutor... mas, uma ida a banhos, ah! umas termas! É isso!
-Felizm... rrhh cof cof... infelizmente também não. E o pior é que a doença é crónica...
-Crónica?! Mas se nunca ma detectaram antes!
-Pois... Também fico espantado... especialmente tratando-se de uma estupidez crónica e nada natural...

terça-feira, junho 20, 2006

AFINAL, NÃO HAVIA OUTRO: SOMOS NÓS MESMO!

Serão as montanhas, os rios, as planícies?
Será o clima, as praias, os eucaliptos?
As cabras, vacas e demais seres de quatro no chão?

Não!

São as pessoas!

As pessoas e mais a sua cultura e mais os seus graus de civilização e mais o seu pensamento e mais a sua postura e mais as suas circunstâncias.

E mais a sua mentalidade!

São as pessoas!

Nada de novo.

Mas a consciência do facto entra-nos pela cara como um murro!

É nesta altura que nos olhamos ao espelho, que olhamos à nossa volta e... nós aí estamos...

Nós e a nossa incompetência colectiva.

Sim, porque (digamos) um terço de competentes cidadãos não consegue, ainda assim, rebocar para a zona de luz os dois terços de incompetentes, ladrões, corruptos, imbecis e chicos-espertos.

Não, muito especialmente, se aqueles dois terços constituirem o alfobre permanente de recrutamento e abastecimento dos grupos liderantes.

terça-feira, junho 13, 2006

PORTUGAL É UM PAÍS EM VIAS DE EXTINÇÃO?

Ontem vi na 2: um programa televisivo sobre os Etruscos, dali se retirando o modo como foram extintos, enquanto povo.
Relembrei a História da humanidade e a enorme sucessão de povos, de civilizações, ou seja, o nascimento, a vida e a morte ou extinção dos povos e das civilizações.
Desde sempre que assim é.
Seja por conquista (v.g. os índios sul-americanos), por doenças (v.g. certas tribos da Amazónia), por falta de meios de vida básicos que podem ir até à inanição (certas tribos africanas e, actualmente, até países) ou por qualquer outro motivo.
Até por genocídio, pois as guerras das bónias e das sérvias dos dias de hoje, ou os judeus e o holocausto, são outros tantos exemplos actuais de extinção, ou melhor, de tentativa de extinção de um povo.

E Portugal?

Fala-se muito do passado português, constantemente glorificado (à míngua de melhor presente!), especialmente o tempo em que "deu novos mundo ao mundo".

Tendo nascido no Séc. XII, o seu apogeu parece de facto ter ocorrido no Séc. XV e maxime no Séc. XVI.

Todavia, com os sinais que a sociedade portuguesa actualmente apresenta, parecendo estar nos limites externos das suas competências e das suas capacidades, que rumo leva este país?

Será que não são já identificáveis os sinais conducentes a uma extinção por intrínseca incapacidade de sobrevivência enquanto sociedade?

segunda-feira, junho 05, 2006

BEFORE THE DAY AFTER

O vento suão sopra a frescura do lusco-fusco.
É o momento mágico das "auroras boreais" do sol poente.
Ali ao lado, os grilos compõem a sua sinfonia nº 5.
Pia o mocho e os últimos melros acoitam-se com um chilreio perdido.
Por entre os silêncios da folhagem rumorosa, embalada pela brisa, ouvem-se os cães.
Ao longe.
Num repente, cala-se o melro, emudecem os grilos, o mocho perde o pio.
Uivam os cães.
Depois, calam-se também.
Silêncio...
O silêncio, sepulcral, pára até o vento.
O ar adquire um tom azulado, ainda visível à luz dos últimos raios de luz.
Na boca, um sabor metálico, ácido...
Algo de terrível está iminente.
Sente-se.
Respira-se.

Resta-nos apenas aguardar os próximos movimentos do... ministro da justiça e... rezar para que a escala de Richter não se esgote...

quinta-feira, junho 01, 2006

ESCUTA ZÉ NINGUÉM

"Escuta, Zé Ninguém! Chamam-te “Zé Ninguém!” “Homem Comum” e, ao que dizem, começou a tua era, a “Era do Homem Comum”. Mas não és tu que o dizes, Zé Ninguém, são eles, os vice-presidentes das grandes nações, os importantes dirigentes do proletariado, os filhos da burguesia arrependidos, os homens de Estado e os filósofos. Dão-te o futuro, mas não te perguntam pelo passado.
Tu és herdeiro de um passado terrível. A tua herança queima-te as mãos, e sou eu que to digo. A verdade é que todo o médico, sapateiro, mecânico ou educador que queira trabalhar e ganhar o seu pão deve conhecer as suas limitações. Há algumas décadas, tu, Zé Ninguém, começaste a penetrar no governo da Terra. O futuro da raça humana depende, à partir de agora, da maneira como pensas e ages. Porém, nem os teus mestres nem os teus senhores te dizem como realmente pensas e és, ninguém ousa dirigir-te a única critica que te podia tornar apto a ser inabalável senhor dos teus destinos. És “livre” apenas num sentido: livre da educação que te permitiria conduzires a tua vida como te aprouvesse, acima da autocrítica.
Nunca te ouvi queixar: “Vocês promovem-me a futuro senhor de mim próprio e do meu mundo, mas não me dizem como fazê-lo e não me apontam erros no que penso e faço”.
Deixas que os homens no poder o assumam em teu nome. Mas tu mesmo nada dizes. Conferes aos homens que detêm o poder, quando não o conferes a importantes mal intencionados, mais poder ainda para te representarem. E só demasiado tarde reconheces que te enganaram uma vez mais.
Mas eu entendo-te. Vezes sem conta te vi nu, psíquica e fisicamente nu, sem máscara, sem opção, sem voto, sem aquilo que fiz de ti “membro do povo”. Nu como um recém-nascido ou um general em cuecas. Ouvi então os teus prantos e lamúrias, ouvi-te os apelos e esperanças, os teus amores e desditas. Conheço-te e entendo-te. E vou dizer-te quem és, Zé Ninguém, porque acredito na grandeza do teu futuro, que sem dúvida te pertencerá. Por isso mesmo, antes de tudo o mais, olha para ti. Vê-te como realmente és. Ouve o que nenhum dos teus chefes ou representantes se atreve a dizer-te:
És o “homem médio”, o “homem comum”. Repara bem no significado destas palavras: “médio” e “comum”.
Não fujas. Tem ânimo e contempla-te. “Que direito tem este tipo de dizer-me o que quer que seja?” Leio esta pergunta nos teus olhos-amedrontados. Ouço-a na sua impertinência, Zé Ninguém. Tens medo de olhar para ti próprio, tens medo da crítica, tal como tens medo do poder que te prometem e que não saberias usar. Nem te atreves a pensar que poderias ser diferente: livre em vez de deprimido, directo em vez de cauteloso, amando às claras e não mais como um ladrão na noite. Tu mesmo te desprezas, Zé Ninguém, Dizes: “Quem sou eu para ter opinião própria, para decidir da minha própria vida e ter o mundo por meu?” E tens razão: Quem és tu para reclamar direitos sobre a tua vida? Deixa-me dizer-te.
Diferes dos grandes homens que verdadeiramente o são apenas num ponto: todo o grande homem foi outrora um Zé Ninguém que desenvolveu apenas uma outra qualidade: a de reconhecer as áreas em que havia limitações e estreiteza no seu modo de pensar e agir. Através de qualquer tarefa que o apaixonasse, aprendeu a sentir cada vez melhor aquilo em que a sua pequenez e mediocridade ameaçavam a sua felicidade. O grande homem é, pois, aquele que reconhece quando e em que é pequeno. O homem pequeno é aquele que não reconhece a sua pequenez e teme reconhecê-la; que procura mascarar a sua tacanhez e estreiteza de vistas com ilusões de força e grandeza, força e grandeza alheias. Que se orgulha dos seus grandes generais, mas não de si próprio. Que admira as idéias que não teve, mas nunca as que teve. Que acredita mais arraigadamente nas coisas que menos entende, e que não acredita no que quer que lhe pareça fácil de assimilar.(…)”.



"Escuta, Zé Ninguém!" não é um documento científico, mas humano.
Foi escrito por Wilhelm Reich no Verão de 1946, para os arquivos do Instituto Orgone, sem que se pensasse, então, em publicá-lo. Resultou da luta interior de um cientista e médico que, durante décadas, passou pela experiência, a princípio ingênua, depois cheia de espanto e, finalmente, de horror, do que o Zé Ninguém, o homem comum, é capaz de fazer de si próprio, de como sofre e se revolta, das honras que tributa aos seus inimigos e do modo como assassina os seus amigos. Sempre que chega ao poder como “representante do povo”, aplica-o mal e transformado em qualquer coisa ainda mais cruel do que o sadismo que outrora suportava por parte dos elementos das classes anteriormente dominantes.


Wilhelm Reich nasceu a 24 de Março de 1897 nos confins orientais da Galícia, então na posse do Império Austro-Húngaro. Acusado de charlatanismo, perseguido pelos nazistas e pelos “democratas” norte-americanos, expulso do círculo de psicanalistas e do Partido Comunista. Foram inúmeros os problemas que teve com todos os tipos de poderes instituídos.
Isso graças ao vigor de seu pensamento e de sua independência frente às instituições repressivas que tanto criticou.
Não reconheceu limites nas ciências, da psicologia à física e à biologia... e cada campo recebeu valiosíssimas contribuições, que até hoje (até mesmo nas academias) não são reconhecidas, sendo mesmo boicotadas.

É o preço do livre pensamento.
O contraponto é a "normalização" da mediocridade.
Às armas!!!!
Às armas da competência, da decência, do trabalho, dos valores!
Às armas!!!!!
Às armas da Razão!
Contra os canhões da incompetência, da corrupção, da demagogia, da filhadaputice, da mediocridade, da inanidade, marchar, marchar!!!



CENA MARADA

- Iscas! Madié! Tás baril?
- yah, meu. óve lá, tens preduto?
- Népia, meu. Eu agora é só armas.
- Armas, meu? És doido?
- Óve lá, atão né o hino que diz "às armas!" "às armas!" men? É ou não é?
- Tás a falar de quê?
- Do hino, meu: "às armas!"! E vai daí... vou mesmo!
- Vais onde meu?
- Pôrra! às armas, meu, às armas!
- ... hã... yyyaaaaaaaaaahhhhhhhhh meu: às armas! Ih ih ih ih ih! Baril! "às armas!" Ih ih ih ih

quarta-feira, maio 31, 2006

QUE ARMAS? QUE ARMAS?

- Ó Xabier. Tou pasmo! Querxe dijere, eu inté xou a fabor duma reboluxão da cachaporra... mas ... às armas?!
- Ó Ti Anafrásio, tenha calma, homem! Tenha calma. Há que fazer uma leitura actualizada da letra do nosso hino!
- Fajere o quei?
- Quando o nosso hino diz "às armas!" não se está a referir a armas de guerra ou de fazer a guerra.
- Ah não?
- Não. Armas são todas aquelas que permitem combater o marasmo, a sonolência, o conformismo ...
- O con quei?
- "Às armas!" é apenas um grito de motivação, é um convite ao arregaçar das mangas, ao trabalho.
- Tou a gostar doubir.
- "Às armas!" é um 'teaser', na senda do Kennedy "Não perguntes o que o teu país pode fazer por ti, mas antes o que podes fazer pelo teu país", tá a percebr Ti Anafrásio?
- Ó Xabier, proceber nun procebi munto bem, mas quéi bonito éi!
- Ó Ti Anafrásio, então está ver-me convidar verdadeiramente às armas?!
- Num tou, é berdade. Mas... ó Xabier... e uma cachaporradajita? Não se pode dar uma cachaporradajita?

ÀS ARMAS! ÀS ARMAS!

Caros Amigos,
Estou Vivo.
Só posso estar vivo.
Eu e os restantes, digamos, 7.999.999 Lusitanos.
Apesar de termos deixado o purgatório para trás, nesta descida sem apeadeiros, parece-me não haver pecados suficientemente capitais para só parar na estação inferno.
Por isso, acredito que isto seja apenas um pesadelo.
Aliás, é definitivamente um pesadelo.
Só pode ser um pesadelo!
E a prova é simples:
- Susceptível de ter pesadelos, quem é, quem é?
- Quem está a dormir.
- E quem é que está a dormir? 8.000.000 de Lusitanos!

- 8.000.000 de Lusitanos? Mas... não eram 10.000.000 e coisa e tal?
-Não, não eram, nem são: Há praí um milhãozito e coisa e tal que está no paraíso. E outro milhãozito julga-se no céu, mas está a chegar ao purgatório.
- Xiii!!!
- E quando perceberem que estão no Alfa a caminho do inferno, sem paragens... já é tarde de mais.
- *
- Agora o que eu já não suporto é ouvir o Hino Nacional.
- Homessa!
- É sempre a mesma coisa: "às armas! às armas!"... e nada!
- Nada?!
- Nada! Nadinha.
- Não compreendo.
- Exactamente como eu: Também não compreendo o que impede os Lusitanos de obedecer àquela voz de comando!

terça-feira, maio 23, 2006

HÁ ALGO DE ERRADO NESTE PAÍS

Num comentário do Verbojurídico, sobre Magistrados e futebol, diz-se a páginas tantas:

"A juíza Maria de Fátima Mata-Mouros entende que o eventual recebimento de contrapartidas pecuniárias por parte dos magistrados é ilegal e violador da lei fundamental. "No que respeita aos juízes, a resposta está expressa na nossa Constituição desde há trinta anos: " Os juízes em exercício não podem desempenhar qualquer outra função pública ou privada, salvo as funções de docentes ou de investigação científica, não remuneradas, nos termos da lei.".

Nem mais.

Eu fui nomeado juiz, em efectividade de funções, em 1 de Janeiro de 2004, na sequência do respectivo estágio que terminou no dia 31 de Dezembro de 2003.
E acreditem ou não, hoje, dia 23 de Maio de 2006, ainda o meu vencimento é exclusiva e rigorosamente o correspondente ao índice 100, ou seja, o de juiz estagiário.
Acontece que sou juiz num tribunal de círculo (tribunal administrativo de círculo), presido a julgamentos colectivos, exerço as funções correspondentes ao lugar que ocupo efectivamente: As de juiz de círculo.
Infelizmente, o meu vencimento não me permite viver decentemente.
Apenas sobrevivo.
Mas como sempre trabalhei para ganhar a vida, pensei fazer algo.
Não posso!
Não posso exercer qualquer outra actividade remunerada.
Embora o mercado esteja saturado, pensei em "biscates" bem remunerados.
Por exemplo, o serviço de trolha.
O trabalho de um trolha é duro.
Mas é melhor remunerado do que o de um juiz que exerce as funções de juiz de círculo num tribunal administrativo de círculo.
Também não posso!

Continuo espartilhado entre a ilegalidade sem solução à vista, a incompetência de alguém, a inveja de muitos (que é o que está na génese desta questão), mas que agora não invejam nada, a necessidade de trabalhar extradordinariamente para poder ter uma vida simples mas digna, a impossibilidade legal de o fazer...
E no entanto parece haver por aí juízes que recebem uma qualquer remuneração por serviços no mundo do futebol!!!?

Há algo de errado neste país...

segunda-feira, maio 22, 2006

A REVOLUÇÃO DA CACHAPORRA

- Ó xavier, este paíje xó lá vai à cachaporrada! Ê nã percebo nada de plítica, mas axim malacomparado é comagente qando vai à fêra e é prexiso tar dolho no burro e outro no xigano...
- Calma lá, Ti' Anafrásio. Ora, explique lá isso.
- Atão, home, nã tem nada que xabere. Arrepare queles dijem uma cousa e a gente tá a ver oitra. Eles dijem qué axim e agente tá a vere qué axado; eles dizem qué axado e agente já tá a vere tudo frito! Quburro qué munto trabalhadore, qué novinho, qué expevitado...
- Pois...
- E ófinale vaixavere e é tudo mentira. Querxedijere: Haver burro há, mas né nada cómeles dijem.
- Ai o diacho dos ciganos...
- Nã, nã! Os plíticos! né nada cómeles dijem! Hóvera de fajer-lhes o quê faxo aos pilares da nha xoupana!
- Ui-ui!
- Ê nã sê nada de plítica, mas ando sempre caminha telefonia e ouço tudo! Tudo!
- Por exemplo?!
- Prijemplo? Prijemplo... a jestiça! O prolema da jestiça é o ministro! Atão o home procupaxe munto co'as escutas telfónicas e maija prijão proventiba e mailas férias dos juíjes e essas coisas, mas no mais tá tudo na mêma, cos tribnais tão cheios de precessos e demoram qa tempos a resolver as coisas, pois nã há juíjes qa cheguem e os processos são comós cógmelos. É uma injestiça. Ófinal quem faz as leis nã xão os juíjes! o mnistro é um pilar fraquito... Cachaporra!
- Pois é! E há mais?
- Atão nã há? Olhe a xaúde! Atão um paíje que tem falta de miudage, de gente nova, né? e ele invez de melhorar os xervixos de xaúde acaba com maternidades? As melheres agora vão paxar a parir dentro das imbelânxias. Tá a vere? É outro pilar fraquito! ...Cachaporra!
- Caramba! E há mais?
- Ah poijá! Olhe as finanxas! Atão o home ómenta os impostos, ómeta tudo e cada vez gasta mais?! Atão diz qacabou com os prebelegiados e isso tudo e ófinal vaixaber tá tudo na mêma e ófinal é os bancos e axim que têm milhões e milhões de lucro e impostos nada?! Atão o home manda apertar o xinto xó aos mais pobres? ...Cachaporra!
- Sabe que concordo? É preciso ter lata!
-E olhaxenhora da inducaxão! A inducaxão é pra dejenvolver o país nué? Mas aquela xenhora nã quer xaber disso para nada! Nã quer xaber (comé que xe dije?) nã quer xaber do "modelo de educaxão mederno e que responda às nexexidades do paíje". Ela xó tá procupada é com os concursos dos profexores e essas coisas que qalquer director faz. É um pilar fraquito e...

- Já sei! Cachaporra!
- Pois...
- Ó Ti'Anafrásio, mas olhe que à cachaporrada não se resolve nada. O país não produz o suficiente e já gasta o que não tem. Sabe Ti' Anafrásio, assim malacomparado este país tem a carroçaria de um fórmula 1, mas feita de cartão (é só pra botar figura) com o motor de um Fiat 600. E o pior é que nem sequer há gasolina, mesmo pró Fiat 600!
- Mau maria! Atão ê óvi dijere cómentou a venda dos carros de luxo! E das cajas de luxo! Comé quisso pode sere?!
- A crise não é para todos, Ti' Anafrásio!
- Éuma tristeja! Mas o pior, pior é quê nãtou a vere axim um pastore para este rebanho... é tudo fraquito... ele é os borregos... ele é os pastores... e os que nã são fraquitos nã ficam nesta fraqueza. Abalam proestranjero...
- É verdade Ti' Anafrásio! Mas... vá lá homem, nem tudo é mau!
- Tch! ... ó xavier! Pra fajer axim uma reboluxãojita... quantos é que xão precijos?
- Uma revolução?! Helá! Uma revolução como as dos cravos?
- Nã, nã! Uma reboluxão axim... da cachapôrra! É ixo! A reboluxão da cachapôrra!! Eh eh eh eh eh!! A REBOLUXÃO DA CACHAPORRA!!!!
Cuidado com 'turcos'... que há por aí...

quarta-feira, maio 10, 2006

A PROPÓSITO DE JUÍZES COM LICENCIATURA-BASE DIFERENTE DA LICENCIATURA EM DIREITO

Ó meus amigos, atentem nisto:

A ideia é "criar as melhores condições para que haja uma magistratura enriquecida e dotada de todas as competências para enfrentar a variedade dos problemas que se colocam na actualidade"

Vamos lá partir pedra:
"magistratura (...) dotada de todas as competências para enfrentar a variedade dos problemas..."

Uma coisa é reunir numa mesma pessoa todos aqueles saberes.
Nesse caso, cada candidato deveria ser licenciado simultaneamente em Direito, em Economia, em Sociologia, etc.
Aí sim, a "magistratura", como um todo, e cada magistrado, ficaria dotada daquelas respectivas competências.
Neste cenário, completamente inverosímil, as palavras do Ministro fariam todo o sentido.


Outra coisa é haver uns magistrados versados em Sociologia; Outros em Economia; outros ainda em Sociologia e assim por diante.
É obvio que neste cenário, que é o real e foi o invocado pelo Ministro, jamais a "magistratura" ficará "dotada de todas as competências para enfrentar a variedade dos problemas...".
Haverá, isso sim, uns que responderão às questões de economia com maior autoridade, mas nas restantes claudicam e assim sucessivamente...
Mas nunca, NUNCA (!) a "magistratura" ficará "dotada de todas as competências para enfrentar a variedade dos problemas..."!
Não nesse sentido global!
Nunca o juiz de Alguidares de Baixo, licenciado em Sociologia, enfrentará a variedade dos problemas de forma competente, por exemplo no que respeita a todas as restantes matérias que não a sociologia!
E assim sucessivamente!

Dá para perceber?

É materialmente impossível!
É mentira.
É falácia.
É pura demagogia.
Isto num quadro que considere competência e inteligência ao Ministro.

Fora desse quadro, não chega a ser mentira, nem sequer demagogia.
É burrice!
E grosseira!